Pular para o conteúdo principal

Colette, Uma Mulher Que Virou a Mesa.

      Ontem assisti ao filme Colette* julgando ser uma ficção. Foi uma surpresa  saber que era a biografia de uma mulher talentosa que foi roubada e escravizada por um homem inescrupuloso e machista. Apesar  da tristeza de vez uma relação tão ruim, acabei por sentir orgulho de escritora Gabrielle Colette, por ter virado a mesa e marcado a época e a cidade com seu próprio nome.  Vou procurar livros dela com certeza.

Sobre Gabrielle Colete, leia a matéria abaixo:

A escritora francesa Gabrielle Colette faz aniversário no dia 28 de janeiro. Com uma trajetória vanguardista em meio à sociedade conservadora de Paris no século passado. Ela passou anos na sombra do marido, até o momento em que subverteu as regras do machismo da época e se tornou uma das principais figuras lutando pelo reconhecimento feminino.

Gabrielle colette -2

Primeiros Trabalhos

Colette chegou em Paris ao final do século XIX. Menor de idade, casou-se com o crítico e escritor Henry Gauthier-Villars. Durante o relacionamento dos dois, ele se apropriou da série de romances Claudine, um sucesso editorial que ela escreveu se baseando nas memórias de sua infância. Willy, como era chamado, escravizou sua esposa, chegando a trancá-la escrevendo por até 16 horas em um só dia. Em 1909 eles se divorciaram e a escritora empreendeu uma batalha legal para recuperar a autoria de seus textos.

Polêmica

Sua separação causou espanto na sociedade aristocrática francesa. Com isso ela se reinventou como dançarina e artista nos principais teatros da cidade. Ela foi amante da marquesa Mathilde de Morny, se casou mais duas vezes e teve dezenas de casos, inclusive com seu enteado de 16 anos.

Mundo da moda

A escritora foi muito importante no mundo da moda feminina. Além de trabalhar como colunista de moda em um jornal, o grande sucesso dos seus quatro romances Claudine teve uma grande influência na indústria. O nome da protagonista foi associado a vários acessórios como chapéus, colares e perfumes. Colette também foi uma das primeiras mulheres que se atreveu a usar calças em público, mantendo uma estreita amizade com a estilista Coco Chanel.

Biografia no cinema

Recentemente foi lançada uma cinebiografia a respeito da vida da escritora francesa. Estrelado por Keira Knightley, o filme foi muito bem avaliado pela crítica e traz um retrato bastante fiel da luta de Colette pelo reconhecimento de seus trabalhos como escritora.



*Colette : USA-2018
Direção: Wash Westmoreland
Com: Keira Knightley (Colette) e Dominic West (Willy)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Beleza Total, Carlos Drummond de Andrade.

A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços. A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda a capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa. O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um di...

O Mendigo do Viaduto do Chá, Regina Ruth Rincon Caires

     A moeda corrente era o cruzeiro. A passagem de ônibus custava sessenta centavos. O ano era 1974.       Eu trabalhava no centro da cidade, em um banco que ficava na Rua Boa Vista. Morava longe, quase ao final da Avenida Interlagos, e usava diariamente o transporte coletivo. Meu trabalho, no departamento de estatística, resumia-se a somar os números datilografados em planilhas e mais planilhas fornecidas pelas agências do banco. Somas que deveriam ser checadas, e que eram efetuadas nas antigas calculadoras elétricas com suas infernais bobinas, conferidas e grampeadas nas respectivas planilhas. Não fosse o café para espantar o sono durante as diárias e rotineiras oito horas de trabalho, nenhuma soma teria sido confirmada.

Vamos Pensar? (31)