Alguém postou o poema abaixo atribuindo-o a "Godfried Keller" - não tem o título nem a referência.
O suposto autor, na verdade, chamava-se Gottfried Keller e sobre ele encontrei biografia e referências, mas em nenhum momento encontrei esse poema.
O suposto autor, na verdade, chamava-se Gottfried Keller e sobre ele encontrei biografia e referências, mas em nenhum momento encontrei esse poema.
Peço que se alguém conhecer o verdadeiro poeta do texto abaixo me informe dando também o título e a referência. Obrigada.
Numa poça de lama ressequida
dormitava um verme,
oculto como um vestígio de fogo
na cinza dispersa.
Bastou uma rajada de vento
para despertar essa vida nefasta
e então do nada
surgiram vapores e problemas
e se propagou como uma doença.
O malfeitor deixa seu antro noturno
e ousa marchar em pleno dia.
Não lhe bastará roubar algumas bolsas,
algo melhor encontrou.
Saberá tirar proveito do combate contra o nada,
ele se beneficiará de aspirações confusas
e do estandarte esfarrapado
de um povo reduzido à inanidade,
um campo aberto para agir,
ali encontrará o vazio dos tempos difíceis.
Assim tolerarão o seu descaramento
e ele se tornará seu profeta.
O pedestal desse farsante
é uma pilha de excremento,
de onde fará saudações e apelos
a um mundo atordoado.
Sua ignomínia o envolve
como se fosse uma nuvem,
as mentiras multiplicará,
e aumentará seu poder
com o número de seguidores,
poderosos ou miseráveis,
que fazem o jogo dele pensando ser o seu.
Ele expandirá sua palavra,
como outrora os apóstolos
fizeram pelas cinco chagas.
No início este cão mentirá sozinho,
mas seu veneno se espalhará,
a sua epidemia aumentará,
e neste momento são milhares e milhares
que mentem com ele e como ele
concedendo-lhe assim
uma razão de ser,
uma base de existência,
uma realidade de vida.
As plantas que medram da semente
projetam-se para o céu,
e o país se transforma.
O povo na rua,
em vez de reagir contra o atentado,
escarnece e queixa-se da vergonha.
O que ontem era invenção
hoje transformou-se na verdade.
Os honestos são esmagados.
E os canalhas cerram fileiras.
Mas essa interminável catástrofe
um dia terá seu fím
e os homens falarão deste tempo
como da peste
ou como um boneco de palha
que as crianças queimam lá no campo,
por sua alegria ou sofrimento;
e uma luz radiante surgirá
do pesadelo mais antigo."

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