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Mostrando postagens com o rótulo primeiro capítulo

Assim Começa o Livro Que Eu Comecei: Ópera dos Mortos, Autran Dourado

O Sobrado O senhor querendo saber, primeiro veja: Ali naquela casa de muitas janelas de bandeiras coloridas vivia Rosalina. Casa de gente de casta, segundo eles antigamente. Ainda conserva a imponência e o porte senhorial, o ar solarengo que o tempo de todo não comeu. As cores das janelas e da porta estão lavadas de velhas, o reboco caído em alguns trechos como grandes placas de ferida mostra mesmo as pedras e os tijolos e as taipas de sua carne e ossos, feitos para durar toda a vida; vidros quebrados nas vidraças, resultado do ataque da meninada nos dias de reinação, quando vinham provocar Rosalina (não de propósito e ruindade, mais sem que fazer de menino), escondida detrás das cortinas e reposteiros; nos peitoris das sacadas de ferro rendilhado formando flores estilizadas, setas, volutas, esses e gregas, faltam muitas das pinhas de cristal facetado cor de vinho que arrematavam nas cantoneiras a leveza daqueles balcões. O senhor atente depois para o velho sobrado com a memória, com o...

Mulheres da Fuvest (6) Opúsculo Humanitário: Nísia Floresta (1853)

      Enquanto pelo Velho e Novo mundo vai ressoando o brado - emancipação da mulher - nossa débil voz se levanta, na capital do império de Santa Cruz, clamando - educai as mulheres!      Povos do Brasil, que vos dizeis colonizados! Governo, que vos dizeis liberal! Onde está a doação mais importante dessa civilização, desse liberalismo?      Em todos os campos, e em todas as nações do mundo, a educação da mulher foi sempre um dos mais salientes característicos da civilização dos povos. Na Ásia, esse berço maravilhoso do gênero humano e da filosofia, a mulher foi smpre considerada como um instrumento do prazer material do homem, ou como sua mais submissa escrava: assim, os seus povos, mesmo aqueles que atingiram oa mais alto grau de glória, tais como os babilônios, ostentando aos olhos das antigas gerações suas admiráveis muralhas, seus suspensos e soberbos jardins, suas colunatas de pórfiro, seus templos de jaspe, com zimbórios de pedras prec...

Girls Like Girls, Hayley Kiyoko ( A música inspirou o livro)

     Eu conhecia livro que inspirou filme, peça de teatro. Nunca tinha ouvido falar de  música inspirar livro até ler no Estadão sobre a jovem cantora americana Hayley Kiyoko (32) que em maio deste ano lançou um livro que escreveu a partir de uma composição sua.  Girls Like Girls do álbum: This Side of Paradise de 2015, inspirou Hayley Kiyoko a escrever sobre o assunto de que trata a música.      Em junho  Girls Like Girls, Uma História de Amor Entre Garotas , foi lançado pela Ed.Intrínseca no Brasil e é sucesso de vendas. Hayley que era compositora e atriz ( Lemonade Mouth, Scooby-Doo o Mistério Começa) agora é também escritora. Ao Estadão ela diz, sobre o livro:“Foi inspirado pela minha experiência pessoal. Eu tinha me apaixonada por uma das minhas melhores amigas no ensino médio e não acabou do jeito que eu gostaria. Então esse livro foi um jeito de ‘curar’ a minha eu mais nova”. O Livro começa assim: UM Posso te contar um segredo?   ...

Incidente em Antares, Érico Veríssimo. Primeiro capítulo

  Afirmam os entendidos que os ossos fósseis recentemente encontrados numa escavação feita em terras do município de Antares, na fronteira do Brasil com a Argentina, pertenciam a gliptodonte, animal antediluviano, que, segundo reconstituições gráficas da paleontologia, era uma espécie de tatu gigante dotado duma carapaça inteiriça e fixa, mais ou menos do tamanho de um Volkswagen, afora o formidável rabo à feição de tacape riçado de espigões pontiagudos.  Calcula-se que durante o Pleistoceno, isto é, há cerca de um milhão de anos, não só gliptodontes como também megatérios habitavam essa região diabásica da América do Sul, onde - só Deus sabe ao certo quando, - veio a formar-se o rio hoje conhecido pelo nome de Uruguai. Ignora-se, todavia, em que época da era cenozoica surgiram naquela zona do Brasil meridional os primeiros espécimes do Homo Sapiens. Tudo nos leva a crer, entretanto, que esse problema jamais tenha preocupado os antarenses. O que até hoje ainda os deixa ocasion...

A Imaginária, Adalgisa Nery - Primeiro capítulo

    Às vezes, o pensamento me vem, como agora. é como se todos os instantes em que vivi tivessem deixado uma profunda marca sobre as múltiplas facetas do meu ser.       Estou ao largo da madrugada. Chego à janela aberta. O primeiro plano da paisagem é a rua asfaltada, cortada por  trilhos brilhantes e polidos pelo uso. O segundo plano é um pequeno morro salpicado de casebres. Sobre todas essas coisas um imenso e profundo céu, e o silêncio. Se eu pudesse alcançar o cume da mais alta montanha do universo e varrer com o olhar toda a extensão do globo terrestre, veria que a única coisa que existe é a solidão.      As portas do meu ser, lentamente, se abrem e despejam na imobilidade da noite todas as imagens que participaram dos meus erros e dos meus acertos ocasionais. Elas se levantam impiedosas, confabulam, discutem a minha pessoa humana, apalpam as minhas carnes sofrias, fazem perguntas irrespondíveis e depois largam-me desunida de mim m...

Começa Assim...

     Tomei umas tirimba com niamba branca - Coré gritou. E gargalhou unisex. Zambiano, acostumado, lambeu o beiçoléu. Olhou pro riso do giango, esguichou cuspo no massapé, e tornou a chorar por dentro.  Era a disgrameira  do amô por quenga que zunia na caixa do peito: Zulina formosura. Coré foi um que se acabou no tampo negro do campo santo dela. Zam sabia que estava quase no inferno dele. Chupou tabaco pisado pros rumos do ronco da traqueia, tossiu e resmungou: - Caí sem dó. Coré morreu  muito. Eu... morri pela primeira vez.      Zulina passava ao largo, no tumbeiro do cais, mexendo popa africana pra marujo novo. O olho brilhava de mar puro e liso, com pedra pontuda por trás da maré. Rodamunho ca curva do olho, e navio  muito navio no fundo. coré foi só um da esquadra. Já restava com limo e coral. Zâmbi ainda era começo de ferrugem e craca. Criada no marejo, a fêmea cresceu com pés na areia e as vergonhas no sal. Dentes de coco branco e...