Pular para o conteúdo principal

Destaque do mês de Março

 Juarez Machado está na minha lista de escritores aniversariantes (dia 16) do mês de março, sem ser autor.  Acontece que o pintor, desenhista, escultor, e illustrador  capixaba escreve sem usar palavras. Conheci o artista ainda nos anos 70 ou 80  quando o programa Fantástico, da Rede Globo, dava espaço pra seu belo trabalho.  Seus desenhos são inconfundíveis: líricos, elegantes, bem humorados, e  trazem extrema semelhança física com  o autor.  Juarez Machado mora em Paris há tanto tempo que já deve falar português com sotaque. 



Juarez Machado descreve unicamente com desenho a trajetória de um homem de quando sai de casa até sua volta. 

Ida e Volta
Ed.Agir
Idade recomendada: 3 a 5 anos.

Outros aniversariantes de fevereiro são: Ruth Rocha (2),Gabriel García Marques(66),Alberto Caeiro (16), Menotti Del Picchia (20),Machado de Assis (21),


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Beleza Total, Carlos Drummond de Andrade.

A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços. A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda a capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa. O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um di...

O Mendigo do Viaduto do Chá, Regina Ruth Rincon Caires

     A moeda corrente era o cruzeiro. A passagem de ônibus custava sessenta centavos. O ano era 1974.       Eu trabalhava no centro da cidade, em um banco que ficava na Rua Boa Vista. Morava longe, quase ao final da Avenida Interlagos, e usava diariamente o transporte coletivo. Meu trabalho, no departamento de estatística, resumia-se a somar os números datilografados em planilhas e mais planilhas fornecidas pelas agências do banco. Somas que deveriam ser checadas, e que eram efetuadas nas antigas calculadoras elétricas com suas infernais bobinas, conferidas e grampeadas nas respectivas planilhas. Não fosse o café para espantar o sono durante as diárias e rotineiras oito horas de trabalho, nenhuma soma teria sido confirmada.

Vamos Pensar? (31)