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Solau do Desamado, Manuel Bandeira


Donzela, deixa tua aia
Tem pena do meu penar.
Já das assomadas raia
O clarão dilucular,
E o meu olhar se desmaia
Transido de te buscar.
Sai desse ninho de alfaia,
-Céu puro de teu sonhar,
Veste o quimão de cambraia,
Mostra-te ao fulgor lunar.
Dá que uma só vez descaia
Do ermo balcão do solar
Como uma ardente azagaia
O teu fuzilante olhar.


Donzela, deixa tua aia,
Tem pena do meu penar ...


Sou mancebo de alta laia:
Não trabalho e sei justar.
Relincham em minha baia
Hacanéias de invejar.
Tenho lacaio e lacaia.
Como um boi ao meu jantar!
Castelã donosa e gaia,
Acode ao meu suspirar
antes que a luz se esvaia...
Tem pena do meu penar.


Vou-me ao golfo de Biscaia
Como um bastardo afogar.
Minh'alma blasfema e guaia,
Minh'alma que vais danar,
Dona Olaia, Dona Olaia!


Meu alaúde de faia
Soluça mais devagar

Comentários

  1. Olá, Regina. Adorei seu blog.
    Já sou seguidora!

    Saudações literárias,
    Margot Félix!

    ResponderExcluir
  2. Olá, boa tarde. Que bom que gostou, seja bem vinda, um abraço.

    ResponderExcluir

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