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O Grande Ditador setentão

Hoje abro exceção para um filme: O Grande Ditador, que completa 70 anos. Não vou pensar em que Charles Chaplin ficaria perplexo vendo que, apesar de seu modelo inspirador ter morrido, a essência da opressão continua firme e forte em vários outros pontos do planeta. Não sendo necessário (nem possível, claro) parabenizar o autor porque o sucesso retumbante alcançado pelo filme parabeniza Chaplin por si só, parabenizo a nós mesmos. Pelo privilégio de ter O Grande Ditador para divertir e pensar, palmas pra nós que nós merecemos.






Desculpe! Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.





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