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Quando Acaba a Apuração, Mundim do Vale



Assim que fecha a contagem
Tem candidato que diz:
- O filho de Zé Luiz
Não tá na minha listagem.
Como é que teve a coragem
De apertar minha mão,
Pedir chuteira e calção
E o voto não aparece.
Só comigo isso acontece
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


Aquele que se elegeu
Bota o som em toda altura
Abalando a estrutura
Daquele que não venceu.
E o infeliz que perdeu
Fica na decepção
Sofrendo do coração
Com cara de estressado.
E ainda fica quebrado
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


O candidato arrasado
Um gozador lhe aborda
Vai logo falando em corda
Em casa de enforcado.
O infeliz derrotado
Com a listagem na mão
Soma seção por seção
Pra confirmar o tormento.
É esse o pior momento
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


É o maior carnaval
Na casa do vencedor,
Na casa do perdedor
Uma tristeza total.
Chega um cabo eleitoral
Com uma conta na mão,
De bebida e refeição
Consumida pelo povo.
E não sobra nem um ovo
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


Até mesmo o doce lar
Que recebia eleitor
Parece que um trator
Passou lá pra derrubar.
Não há quem possa encontrar
O relógio do João,
A carteira de Antão
E o violão do Neto.
Se perde todo objeto
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


Aquele que foi eleito
Já vai logo viajando
E o povo procurando
Assim que termina o pleito.
Procuram de todo jeito
Mas ninguém acha o fujão
E assim vem a frustração
De cada um militante.
Mas isso é fato constante
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


As bombas num pipocado
Descendo e subindo morro
Incomodando cachorro
E prefeito derrotado.
Vereador mal votado
Tem subida de pressão,
Piadas de gozação
E a raiva da mulher.
Porque faltar o que ela quer
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


O eleito vai curtir
Na sua casa de praia
Tentando fugir da raia
Pra ninguém nada pedir.
Se um eleitor descobrir
Espalha no quarteirão
Gerando uma agitação
De revolta e de cobrança.
E eleitor é quem dança
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


Candidato que vivia
Dando saco de cimento,
Pagando medicamento
E conta de energia.
Vive agora na agonia
Atrasando a prestação
Das contas da convenção
E contratos de esquema.
Coisas que só traz problema
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


O candidato que sai
Fica meio constrangido
Mas um membro do partido
Diz: - na outra você vai!
Na outra vez voto cai
Como chuva em plantação,
Mas é só conversa em vão
Pra manter o candidato.
Coisa de estelionato
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.




A mocinha que dançou
Com a bandeira na rua
Rodando feito perua
Também foi quem vacilou.
O candidato pagou
A primeira prestação
E a segunda em questão
Só depois de apossado.
Porque tudo é complicado
QUANDO ACABA A APURAÇÃO.


Chegando o verso ao final
Eu também quero explicar
Que não pude recusar
De ser cabo eleitoral.
Fui até imparcial
Quando havia uma questão,
Porque numa imposição
Precisa gente capaz,
Pra trazer de volta a paz
QUANDO ACABA A APURAÇÃO

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