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Não Sou Eu, crônica de Rubem Braga

Confesso que achei graça na primeira história que me contara: um bêbado usava o meu nome em um bar,
tomando grande uiscada à custa de um meu admirador - a quem agradeço a intenção. Depois passei a achar menos graça: o falso Rubem Braga aparecia chorando na estação das barcas, ou gritando dentro de um lotação, ou fazendo comício na Rua Farani. Volta e meia ouço outras proezas desse cavalheiro que perambula pela cidade, dando vexames em meu nome - e agora parece que está agindpo pelo Bar Vinte e Leblon.

Ora, eu já posso ser culado legitimamente de tanta oisa que não me agrada acumular os pecados de outrem. Peço às pessoas que não me conhecem pessoalmente que, quando aparecer um Rubem Braga falando alto, citando crônicas e dando alteração, tenham a fineza de chamar a polícia. Não quero que maltratem o rapaz, mas uma noite no xadrez deve lhe fazer bem, e talvez ele perca essa mania insensata de assumir a personalidade desse apagado cronista.

Com este pedido estou correndo o risco de ir eu mesmo em cana, como se fora um falso eu. Em todo caso, o vexame ficará ente mim e eu, ou entre eu e mim - tudo em família.

Em: Um Século em Cem Crônicas. Org. Maria Amélia Mello

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