quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O JORNALISTA, O ESCRITOR E O AVIADOR Aluizio Falcão Filho


Os segredos do aviador
O romance de estréia de Aluizio Falcão Filho narra as aventuras de um jornalista americano fascinado por Santos Dumont

RÁPIDOAluizio Falcão Filho concluiu O Jornalista, o Escritor e o Aviador em 28 dias. Ele mostra um dom incomum como contador de histórias
Uma surpresa o primeiro romance de Aluizio Falcão Filho, O jornalista, o escritor e o aviador (Clio, 366 páginas, R$ 39,90). Jornalista bem-sucedido, com passagens por publicações como Gazeta Mercantil, Veja, Exame e ÉPOCA, Aluizio em sua estréia mostrou um notável talento como contador de história. É um daqueles livros que prendem o leitor a cada passagem: uma trama engenhosa, em ritmo veloz como um filme americano, e uma prosa competente.
Aluizio ambientou sua trama nos Estados Unidos. Um premiado jornalista de Boston, John Dellaplane, vive uma crise na carreira e na vida conjugal. Sua mulher o abandonou para ficar com o patrão de John. Se não bastasse, foi demitido pelo patrão que levou sua mulher. Só que a vida, para usar uma frase do filósofo romano Sêneca, é uma sucessão de quedas – e elevações. John compra, relutante, um bilhete de loteria, e ganha US$ 150 milhões. Cheio de dinheiro, motiva-se para um reinício na carreira, e se apaixona subitamente pela vida de Santos Dumont. John contrata uma equipe para pesquisar Santos Dumont, e eis aí um trunfo do livro. Aluizio entrega ao leitor um bom número de curiosidades sobre Santos Dumont. O leitor tem a sensação de que não apenas se entretém com o livro – mas aprende. Esse é um recurso largamente utilizado pelos escritores americanos.
O primeiro ponto: Santos Dumont era gay? Aluizio, numa passagem por Paris, onde Santos Dumont viveu seus dias de glória como pioneiro da aviação, foi a uma boate gay. Lá perguntou se, na época de Santos Dumont, havia já boates para homossexuais. Sim. Aluizio investigou se Santos Dumont a freqüentava, e a resposta foi não. Santos Dumont era, aparentemente, assexuado. Tão entretido com os aviões que não ligava para mulheres, com certeza – e também não, provavelmente, para homens.
Em meio ao trabalho biográfico, John Dellaplane depara com a figura do escritor francês Júlio Verne, contemporâneo de Santos Dumont. (John vem de John Lennon. Os Beatles são sutilmente citados em todo o livro.)
Teriam sido amigos, Verne e Santos Dumont? Segundo o romance, sim – mas aí a resposta vem não da história real, mas da mente criativa de Aluizio. Santos Dumont e Júlio Verne seriam não apenas amigos, mas parceiros num invento capaz de mudar a história da humanidade. Qual? Bem, não quero estragar o prazer do leitor.

Matéria de Paulo Nogueira - recortada da Revista Época; ed495 de 12/11/2007 - (Edição do L.E.)