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Não Existe Mais Censura. O Problema Agora é Outro. Suzana Valença

  Estamos tão inundados de informações que a censura deixou de fazer sentido como uma forma de controlar os que as pessoas sabem ou não. Quem defende essa ideia é o historiador Yuval Harari , autor do campeão de vendas Sapiens.  A revista Wired publicou trechos do próximo livro de Harari . Neles, o israelense fala sobre como educar as crianças de hoje para que elas sejam capazes de trabalhar e entender o mundo em 2050.       Para dar essas habilidades à nova geração será preciso repensar a forma como passamos adiante nossos conhecimentos. Para Harari, até pouco tempo, o desafio era superar a falta de informação. Hoje, temos que lidar com o excesso dela e ele acha que será assim também no futuro.      Aí é que entra a questão da censura. Harari argumenta que governos, regimes ou instituições não conseguem mais bloquear que informações chegam até os cidadãos. Não dá mais para fazer isso. A nova tática então, ...

Digo: Lisboa, Sophia de Mello Breyner Andressen

  Digo: “Lisboa” Ponte Vasco da Gama Quando atravesso – vinda do sul – o rio E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna Em seu longo luzir de azul e rio Em seu corpo amontoado de colinas – Vejo-a melhor porque a digo Tudo se mostra melhor porque digo Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência Porque digo Lisboa com seu nome de ser e de não-ser Com seus meandros de espanto insónia e lata E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro Seu conivente sorrir de intriga e máscara Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata Lisboa oscilando como uma grande barca Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência Digo o nome da cidade – Digo para ver.    

Caio Fernando Abreu

Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos… Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o...

Sol de Primavera, Beto Guedes

Quando entrar setembro E a boa nova andar nos campos Quero ver brotar o perdão Onde a gente plantou Juntos outra vez Já sonhamos juntos Semeando as canções no vento Quero ver crescer nossa voz No que falta sonhar Já choramos muito Muitos se perderam no caminho Mesmo assim não custa inventar Uma nova canção Que venha nos trazer Sol de primavera Abre as janelas do meu peito A lição sabemos de cor Só nos resta aprender Ouça a canção

Crônica da Independência, Antonio Carlos de Faria

     Tudo aconteceu por aqui. Naquela noite o jovem imperador brasileiro recebeu a visita do seu almirante escocês. Lorde Cochrane chegou enfurecido pois soube que uma inspeção seria realizada no dia seguinte no navio capitânia, em busca de dinheiro que ele supostamente havia escondido de D. Pedro 1º. O imperador, que estava de cama, deixou seus aposentos e veio para a sala de recepção do Palácio de São Cristóvão, este que estamos visitando hoje, quase dois séculos depois. Conversou com o almirante e o tranquilizou. Disse que tinha confiança em seus serviços. Além disso, acrescentou D. Pedro, nada poderia ser feito no dia seguinte, pois ele, o imperador, estaria doente. Diante do bom humor e da disposição física de D. Pedro, o almirante pensou que a alegada doença era apenas mais um ardil no jogo político que ainda tornava instável a recente independência brasileira. No dia seguinte, naquele junho de 1824, o povo ficou sabendo que D. Pedro ...

15 melhores Obras dos 15 Últimos Nobel

A Revista Bula , selecionou as 15 obras importantes dos 15 últimos ganhadores do Premio Nobel de Literatura. Vamos ver?     2003 J. M. Coetzee, Desonra (1999) Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde leciona. Mesmo sabendo do perigo, ele assedia uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da instituição e decide passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy. No campo, o homem atormentado tem contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. 2004 Elfriede Jelinek, A Pianista (1988) Aos 36 anos, uma professora de piano frustrada com a carreira ainda vive com a mãe, com quem mantém uma relação de amor e ódio. Certo dia, o pior pesadelo da mãe se materializa: um estudante de música se apaixona pela filha. Ao se envolver com o rapaz em uma relação masoquista, a pianista inicia uma...

Me Encante Com Uma Certa Calma, Silvana Duboc

Me encante da maneira que você quiser,  como você souber. Me encante, para que eu possa me dar… Me encante nos mínimos detalhes. Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso, Gostoso, inocente e carente. Me encante com suas mãos, Gesticule quando for preciso. Me toque, quero correr esse risco. Me acarinhe se quiser… Vou fingir que não entendo, Que nem queria esse momento. Me encante com seus olhos… Me olhe profundo, mas só por um segundo. Depois desvie o seu olhar. Como se o meu olhar, Não tivesse conseguido te encantar… E então, volte a me fitar. Tão profundamente, que eu fique perdido. Sem saber o que falar… Me encante com suas palavras… Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres. Me conte segredos, sem medos, E depois me diga o quanto te encantei. Me encante com serenidade… Mas não se esqueça também, Que tem que ser com simplicidade, Não pode haver maldade. Me encante com uma certa calma, Sem pressa. Tente entender a minha alma. Me encante como vo...