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Mostrando postagens com o rótulo luto

Vamos Pensar? (29) Lutos Invisíveis

 

Assim Começa O Livro Que Eu Comecei

1 Era meu irmão quem organizava da Inglatera as chamadas dominicais de Zoom, nosso turbulento ritual de lockdown: dois de nós entravam de Lagos, outros três dos Estados Unidos, e meus pais, às vezes com muitos ecos e chiados, de Abba, a cidade de nossos antepassados no sudoeste da Nigéria. No dia 7 de junho lá estava meu pai, como de costume som com a testa aparecendoo na tela, porque ele ninca sabia muito bem como segurar o telefone durante as chamadas de vídeo: "Mude um pouco a posição do telefone, pai", dizia um de nós. Meu pais estava preocupado com meu irmão Okey por causa de um novo apelido, depois disse que não jantou porque tinha almoçado tarde, depois falou sobre o bilionário da cidade vizinha que queria confiscar as teras ancestrais da aldeia. Não estava se sentindo bem e andava dormindo mal, mas nào precisávamos nos preocupar. No dia 8 de junho, Okey foi visitá-lo em Abba e disse que ele parecia cansado. no dia 9, não me alonguei muito em nossa conversa para ele p...

Alma Penada, poema de Ladyce West

Alma penada Não cobri espelhos, não acendi velas Não recolhi fotos, não fiz orações, nem vigília ou velório. Não encaminhei sua alma Não chamei padre, rabino, pastor ou mulá. Não queimei incenso: pois você detestava; mas li para você uma poesia de adeus, de partida e voltei para casa, amortecida. Metade de mim, você levou. Impostora, a que ficou, vagou por aí. Davam-me por viva, imagine... Alma penada que sou. Em: Vozes do Luto: a dor de quem fica . Organização e Ediçao: Monique Machado, Rio de Janeiro, Do livro não me livro, 2024, pág. 132

Se Pudesses, Deverias Frequentar Um Outro Mundo, Francisco Bosco

 Prólogo      Butch Cassidy e Sundence Kid estão em fuga pela mata. A polícia os persegue, com rastreadores, implacavelmente. Os dois fugitivos chegam a um precipício, de onde não podem voltar. Embaixo, muito embaixo, passa um rio. Os poiciais estão a caminho: eles vão chegar. É preciso o salto. Sundence diz: " eu não sei nadar". O abismo, enorme, o medo, a vertigem - só de olhar: Mas é preciso. A  polícia. Não tem volta. "Feche os olhos". Pulam. Lutar     É essa a cena, no amor, que antecede a ruptura e o luto. O pulo é o prólogo do luto. e se é preciso pular é porque não tem volta. A polícia está a caminho. Pode ser que ela nunca chegue, mas ela estará sempre a caminho ( é isso a angústia). pode-se não pular, alguns de fato não pulam nunca, e é possível que a polícia nunca chegue, mas estará sempre chegando. E todos somos como Sundence: não sabemos nadar. O precipício, a concentração das forças, o pulo. Só que ao invés do rio, cai-se em outras paisa...