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Pós Dia Internacional da Mulher, Regina Porto

     
     Um dia, me disse indignada quando via mulher não sair sem o marido, nem cogitar ver um filme caso a película não fosse do interesse dele, repetir frases como se tese fossem porque é o marido que diz (mesmo vendo dados contrários), não decidir sobre si, deixar de usar uma roupa... 
     Acrescentei, no auge de meu discurso entristecido, que só acreditaria que nós, mulheres, pudéssemos dar um passo à frente, quando nos dignássemos a pensar com a própria cabeça. 
     Fui veementemente recriminada por MEU FILHO. Discutimos o assunto usando exemplos que nós dois conhecemos  muito próximos física e afetivamente.  Minha indignação com as mulheres em quem pensamos estava absurdamente equivocada. Ele tinha razão: quem carrega milênios de cultura machista e décadas de violência física e psicológica,  não tem a menor condição de mudar assim tão rápido.  
       Intimamente pedi desculpas pelo que fiz e hoje não quero jogar confete nas mulheres que conseguiram, nem trazer poemas melosos pelo Dia Internacional da Mulher.
    Venho deixar meu abraço de solidariedade a todas as mulheres que não tiveram oportunidade de se descobrir; para aquelas burros-de-carga de uma vida inteira sem chance de alívio físico; para as mulheres cujas vidas de escravidão  lhes tiraram o viço e marcaram seus belos rostos; para aquelas que depois de  décadas de maus tratos  nem sabem de suas belas almas. Nem de si mesmas.
    Meu abraço para aquelas que ainda não sabem que seu parceiro jamais será responsável por sua felicidade. 
     Para vocês, agora que pensei melhor, minha solidariedade irrestrita, minha lágrima junto, quando for possível e necessário. Por causa de vocês vou me esforçar para não perder a esperança. 
     Agora, me dirijo ao homens: Num mundo em que há tanto para se fazer, num tempo como o atual em que a vida está bastante difícil principalmente em países pobres, quando todos precisam correr em busca de emprego, escola, alimento. Você ainda gasta sua vida oprimindo quem está do seu lado? Jogando pra sua companheira, e só pra ela, a lida com os filhos que são seus? Cobrando tudo sem nenhuma contrapartida? Agredindo? É só assim que você sabe ser? O que você quer ganhar com isso?       
      Quer, dessa forma, provar masculinidade? Para quê, para quem?   
    Não consegue enxergar que você e a mulher (companheira, mãe, irmã, vizinha etc) estão no mesmo barco? 
     Buscando as mesmas coisas?  
     Você ainda tem tempo pra isso? 
     Que pena. Você é um idiota e não sabe.


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