Pular para o conteúdo principal

Crônicas da M.P.B: Canto do Trabalhador - grupo Casuarina


Canto do Trabalhador
João Nogueira/ Paulo César Pinheiro
Vamos trabalhar sem fazer alarde 
Pra pisar com força o chão da cidade 
A vida não tem segredo
Quem sentado espera a morte é covarde 
Mas quem faz a sorte é que é de verdade 
É só acordar mais cedo 
 É só regar, pra alimentar o arvoredo 
Por essa luta eu não retrocedo
 Pra ver toda a mocidade 
Com os frutos da liberdade 
Escorrendo de entre os dedos 
Que é pra enterrar de uma vez seus medos 
Vamos trabalhar sem fazer alarde 
Pra pisar com força o chão da cidade 
A vida não tem segredo 
Quem sentado espera a morte é covarde 
Mas quem faz a sorte é que é de verdade 
É só acordar mais cedo 
 Se não mudar, o barco bate no rochedo
 E vai pro fundo como um brinquedo
 É bom cantar a verdade 
Pro povo de uma cidade 
E deixar de arremedo 
E aí vai virar mais um samba-enredo 
Vamos trabalhar sem fazer alarde 
Pra pisar com força o chão da cidade 
A vida não tem segredo 
Quem sentado espera a morte é covarde 
Mas quem faz a sorte é que é de verdade 
É só acordar mais cedo.

Ouça aqui, com o grupo Casuarina

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Beleza Total, Carlos Drummond de Andrade.

A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços. A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda a capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa. O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um di...

O Mendigo do Viaduto do Chá, Regina Ruth Rincon Caires

     A moeda corrente era o cruzeiro. A passagem de ônibus custava sessenta centavos. O ano era 1974.       Eu trabalhava no centro da cidade, em um banco que ficava na Rua Boa Vista. Morava longe, quase ao final da Avenida Interlagos, e usava diariamente o transporte coletivo. Meu trabalho, no departamento de estatística, resumia-se a somar os números datilografados em planilhas e mais planilhas fornecidas pelas agências do banco. Somas que deveriam ser checadas, e que eram efetuadas nas antigas calculadoras elétricas com suas infernais bobinas, conferidas e grampeadas nas respectivas planilhas. Não fosse o café para espantar o sono durante as diárias e rotineiras oito horas de trabalho, nenhuma soma teria sido confirmada.

Vamos Pensar? (31)