Pular para o conteúdo principal

Maracatu,Ascenso Ferreira



Zabumbas de bombos
estouros de bombas
batoques de ingonos,
antigas de banzo,
rangir de ganzás...

— Loanda, Loanda, aonde estás?
Loanda, Loanda, aonde estás?

As luzes crescentes
de espelhos luzentes,
colares e pentes,
queixares e dentes
de maracajás...

— Loanda, Loanda, aonde estás?
Loanda, Loanda, aonde estás?

A balsa no rio
cai no corrupio,
faz passo macio,
mas toma desvio
que nunca sonhou...

— Loanda, Loanda, aonde estou?
Loanda, Loanda, aonde estou?

(catimbó-cana caiana-xenhennhém - Poemas de Ascenso Ferreira, Nordestal Editora)

Comentários

  1. Meu insuperável Ascenso Ferreira de poesia, insuspeita e memorável, do Trem de Catende que passa em Alagoas ao Maracatu.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

comentários ofensivos/ vocabulário de baixo calão/ propagandas não são aprovados.

Postagens mais visitadas deste blog

A Beleza Total, Carlos Drummond de Andrade.

A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços. A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda a capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa. O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um di...

O Mendigo do Viaduto do Chá, Regina Ruth Rincon Caires

     A moeda corrente era o cruzeiro. A passagem de ônibus custava sessenta centavos. O ano era 1974.       Eu trabalhava no centro da cidade, em um banco que ficava na Rua Boa Vista. Morava longe, quase ao final da Avenida Interlagos, e usava diariamente o transporte coletivo. Meu trabalho, no departamento de estatística, resumia-se a somar os números datilografados em planilhas e mais planilhas fornecidas pelas agências do banco. Somas que deveriam ser checadas, e que eram efetuadas nas antigas calculadoras elétricas com suas infernais bobinas, conferidas e grampeadas nas respectivas planilhas. Não fosse o café para espantar o sono durante as diárias e rotineiras oito horas de trabalho, nenhuma soma teria sido confirmada.

Vamos Pensar? (31)