domingo, 30 de dezembro de 2018

Para Degustação: O Pintor de Retratos, Luiz Antonio de Assis Brasil

     Ficou um ano em Rio Pardo. refez seu guarda-roupa. Comia bem, para esquecer-se da revolução; engordou onze quilos. De Montevidéu encomendou o material fotográfico francês, e trabalhava para quem lhe pagasse. Montou estúdio numa dependência alugada à casa canônica. Muitos notaram que ele percorria todas as tardes o caminho que ligava ao bordel. O vigário indignou-se quando soube desses hábitos de seu inquilino, mandou-o porta afora.
     Procurou outro lugar, mas nenhum lhe pareceu bom. Foi a dona Moça quem lhe disse: 
     - Fosse eu, voltava para Porto Alegre
     - Lá não me querem.
     Ela então mandou saber algo pela irmã. A informação foi simples: com tantas preocupações políticas e revolucionárias, a cidade havia esquecido Sandro Lanari. Deveria confiar: a mana Antônia era prática nesses assuntos de sociedade e malquerenças.
     Assim, em poucos dias ele estava em Porto Alegre, e de novo na Pensão Itália, no mesmo quarto de antes.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Postagens Mais Acessadas de 2018

Quando a Lua Clareia as Águas do Rio
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Por que Ler A Literatura Como Turismo?
Dribles do Passado
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Melhor Capa de Revista de 2018





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sábado, 22 de dezembro de 2018

Livros Mais Vendidos em 2018


1º A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, de Mark Mason (Intrínseca)

2º As Aventuras na Netoland com Luccas Neto, de Luccas Neto (Nova Fronteira)
3º O Milagre da Manhã, de Hal Elrod (Best-Seller)
4º Álbum da Copa – Rússia 2018 (Panini)
5º Seja Foda!, de Caio Carneiro (Buzz)
6º O Poder da Ação: Faça sua Vida Ideal Sair do Papel, de Paulo Vieira (Gente)
7º O Poder do Hábito, de Charles Duhigg (Objetiva)
8º Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari (L&PM)
9º O Poder da Autorresponsabilidade, de Paulo Vieira (Gente)
10º Propósito, de Sri Prem Baba (Sextante)
11º Me Poupe!, de Nathalia Arcuri (Sextante)
12º Textos Crueis Demais Para Serem Lidos Rapidamente, vários autores (Globoalt)
13º Vade Mecum Tradicional, vários autores (Saraiva)
14º Ainda Sou Eu, de Jojo Moyes (Intrínseca)
15º Felipe Neto – A Vida Por Trás das Câmeras, de Felipe Neto (Nova Fronteira)
16º Os Segredos da Mente Milionária, de T. Harv Eker (Sextante)
17º Origem, de Dan Brown (Arqueiro)
18º Extraordinário, de R. J. Palacio (Intrínseca)
19º Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur (Planeta)
20º Mais Escuro, de E.L. James (Intrínseca)
21º O Poder do Agora, de Eckhart Tolle (Sextante)

(Fonte: Folha de São Paulo - Bebel, Literarura e mercado editorial- 22.12.18)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Para degustação: O Que Vem Ao Caso, Inez Cabral

  
   Alguns meses depois da renúncia de Jânio Quadros, sai do Brasil aos treze anos, direto para Madri (onde sua mãe inventa de matriculá-la no balé) e, alguns meses depois, para Sevilha. Tem que aturar mais uma vez a educação que as meninas aristocratas (ela é a única plebeia do colégio) recebem na Espanha de Franco. São preparadas para, ao terminar os estudos, casar e obedecer ao marido ou ir para um convento, opção bem ressaltada nas aulas de religião. Segundo as madres, não é para qualquer uma, apenas as que merecem ouvirão o chamado  de Cristo. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Soneto da Paz, Joaquim Cardozo

Este soneto é natureza morta,
Traço na alvura, sobra de uma flor,
Sinal de paz que inscrevo em cada porta,
Gesto, medida de comum valor.

É letra e clave, é modulo que importa
Na redução da voz, do som. Calor
Do que vivido foi e inda comporta
Palpitação de implícito lavor.

Moeda que correu por muitas mãos,
Brinquedo que ficou perdido a um canto
Num lago de esquecidas esperanças.

Mas nos seus versos fecho os sonhos vãos
E em notas claras, digo, exalto e canto:
-Paz! Paz! Brincai, adormecei, crianças!

Cardozo, Joaquim. Poesias Completas. Ed.Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1979, pág.64





quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O Que Será Que Vou Ganhar?

Dei duas sugestões ao meu amigo secreto. Qualquer uma delas vai me agradar imensamente. Preciso, no entanto, conter minha curiosidade.

O Que Eu Pedi a Meu Amigo Secreto?

Em seu romance de estreia, Inez Cabral relata as experiências de quando viajava pelo mundo ao lado da família e do pai e poeta João Cabral de Melo Neto, até a idade adulta. O Que Vem ao Caso é baseado nas experiências pessoais de Inez Cabral e reconstrói parte de sua infância, juventude e idade adulta. Os cenários variados do livro — Barcelona, Recife, Rio de Janeiro, Sevilha, Marselha, Madri, Genebra — são as cidades onde morou, sempre acompanhando o pai, o poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto. E para quem acha que este livro é, na verdade, sobre ele, podem esquecer. Aqui o poeta é personagem coadjuvante. Em seu impressionante relato, Inez fala de laços familiares, descobertas pessoais, tentativas e erros, amadurecimento. Vêm ao caso sentimentos, as constantes mudanças de casa, os internatos que frequentou, a entrada na vida adulta, os amores, a maternidade... tudo reconstituído com muito humor. Inez Cabral tem o raro talento de imprimir emoção à narrativa, não importando se o assunto é um fato corriqueiro, uma experiência traumática ou um anedotário familiar. O que vem ao caso é um livro sobre laços familiares irreverente, divertido, uma fantástica jornada entre fragmentos de memória. (Liv. Saraiva)

Organizada pelo contista, romancista e ensaísta Flávio Moreira da Costa, Aquarelas do Brasil mostra a interação entre a música popular e a literatura brasileira em 33 obras-primas da narrativa curta. Pioneira e criativa, esta é uma antologia que canta em prosa nosso Brasil brasileiro e por isso já no título homenageia uma de nossas músicas mais famosas. Como um acorde de Pixinguinha ou o samba de Ary Barroso, a reunião destes textos é um belo e comovente retrato de nossa cultura musical e literária e encontra sua harmonia em meio a ritmos diversos, inspirada em coisas nossas e outras bossas. (Amazon)












Representante de Pernambuco na ONU Precisa de Nossa Ajuda

Aluno de Lagoa de Itaenga pede ajuda para representar o Estado na ONU

Matéria de: Blog da Folha de Pernambuco
 O estudante Estênio Ferreira, do município de Lagoa de Itaenga (PE), foi aprovado na última quinta-feira (22) para integrar a Delegação Brasileira na Assembleia da Juventude da Organização das Nações Unidas nos dias 15 a 17 de fevereiro, em Nova Iorque. Ele busca agora conseguir recursos para custear as despesas da missão internacional.

O evento, com jovens de mais de 110 países, é voltado para a discussão de temáticas sociais e ambientais, conforme os 17 Objetivos Sustentáveis da ONU. Na Assembleia da Juventude, Estênio terá a oportunidade de contar às experiências que passa no Brasil, principalmente em sua cidade onde coordena de forma voluntária uma biblioteca comunitária com a colaboração do farmacêutico Napoleão Baião e do professor João Francisco.
O projeto, criado em 2017, busca contribuir para o acesso ao conhecimento e despertar em crianças e jovens o hábito da leitura. Os voluntários se dedicam à realização de atividades interativas, como palestras sobre a história de Lagoa de Itaenga, rodas de leitura e saraus. Além disso, na biblioteca também são oferecidas aulas de reforço escolar, Inglês e Espanhol para crianças e adolescentes, gratuitamente.

Apesar de ter garantido uma das vagas do evento, Estênio Ferreira não tem condições de arcar com os custos da viagem e por isso conta com contribuições. "Conto com a ajuda de pessoas que acreditam, por exemplo, que a educação é a principal ferramenta de transformação da sociedade, inclusive no combate aos graves problemas causados pelo avanço da criminalidade", diz Estênio. 


Para colaborar:


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis


Biblioteca Pública Municipal
Cidade de Tailândia - Pará

Precisa dos seguintes livros: 

Reforma Política, o debate inadiável - Murilo
Três Mosqueteiros(Os),  Alexandre Dumas
Fantástico Mistério da Feiurinha (O), Pedro Bandeira
Diário de Um Banana Rodrick é o Cara
Menina Bonita de Laço de Fita
Que é Fascismo e outros ensaios(O), George Orwell
Formação Social da Mente (A),L.S. Vigotskyi
Disciplina Positiva,Jane Nelsen
Importância do Ato de Ler (A), Paulo Freire
Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire
Introdução à Economia, N. Gregori Nankiw
Formação Econômica do Brasil. Celso Furtado
Capital (O), Karl Marx
Curso de Direito Civil Brasileiro,Maria Helena Diniz
Direito Administrativo, Maria Silvia Zanela de Pietro
Teoria Geral do Processo,Antonio Carlos de Araujo Cintra e ooutros
Direito Constitucional,Alexandre de Moraes
Gestão de Pessoal, Idalberto Chiavenato
Introdução à Teoria Geral da Administração, Idalberto Chiavenato
Crônicas de Nárnia (As),C.S.Lewis
Henry Potter e a Câmara Secreta, J. K. Rowling
Henry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, J. K Rowling
A Culpa é das Estrelas, John Green

Doações para o endereço:
Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis
Av. Belém s/n Bairro Novo
68.695-000 Tailândia - PA

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Paris é Uma Festa, Ernest Hemingway - Primeira Página

UM BOM CAFÉ NA PLACE SAINT-MICHEL
                                                  
Era época de mau tempo. Chegaria a qualquer momento, no fim do outono. Teríamos de fechar as janelas à noite, por causa da chuva, e o vento frio arrancaria as folhas das árvores de Place Contrescarpe. As folhas ficariam no chão, encharcadas, o vento atiraria a chuva contra os grandes ônibus verdes no ponto terminal e o Café des Amateurs ficaria cheio de gente, suas janelas embaçadas pelo calor e pela fumaça lá dentro. Era um café triste  e mal-administrado, o Amateurs, onde os beberrões do bairro se apinhavam e do qual eu eu me mantinha afastado por causa do cheiro de corpos sujos e do azedo da embriaguez. Os homens e mulheres que o frequentavam viviam bêbados todo o tempo ou, pelo menos, sempre que tinham dinheiro para isso, gastando seus recursos principalmente em vinho que compravam me garrafas de meio litro ou de um litro. Havia anúncios de muitos aperitivos com nomes estranhos, mas poucos clientes se dignavam de tomá-los, exceto como preparação para os copos e copos de vinho com que se embebedariam. As mulheres que se embriagavam eram chamadas de poivrottes.

Hemingway, Ernest. Paris é Uma Festa,Ed.Bertrand Brasil,2012, pág.16 

Imagem La times

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Velha História, Mário Quintana.

    
     Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente.
     E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelos cafés. Como era tocante vê-los no "17"! - o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando uma xícara de fumegante café, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Melhores Livros Infantis de 2018 - Revista Crescer

A Quatro Mãos, Texto e Ilustrações de Marilda Castanha.Ed.Cias das Letrinhas. Idade: a partir de 3 anos


Partindo das mãos, e de seus variados empregos na língua portuguesa, Marilda Castanha constrói uma preciosa história sobre a passagem do tempo, as perdas e as pessoas que nos ajudam a crescer e a construir nossas vidas. Precisamos de mãos para nos afagar, nos dar asas, nos sinalizar que não podemos, nos acenar, nos apoiar. Ao mesmo tempo em que trata da linha da vida, contida na palma da mão, a autora vai mostrando como essa parte do corpo humano gerou tantas expressões: de mão cheia, via de mão única, de mãos dadas, não abre mão, mãos de ferro...

O Passeio. Texto de Pablo Lugones Ilustrações de Alexandre Rampazo.Ed.Gato Leitor. Idade: a partir de 3 anos
Texto de Pablo Lugones e ilustrações de Alexandre Rampazo, Editora Gato Leitor, R$ 41,30. A partir de 3 anos. (Foto: Reprodução)
Preparada, filha?” A menina mal responde e sai voando na bicicleta. Desta página em diante, o leitor percorrerá um longo passeio pelo tempo, acompanhando pai e filha em suas pedaladas. Lado a lado, eles envelhecem abrindo caminho para as descobertas. Um dia, porém, anoitece e não vemos mais o pai idoso ao lado da filha adulta. Nunca se está preparado para isso. Mas o passeio não pode acabar. É hora de empurrar a bicicleta de outra criança.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Ciao, Carlos Drummond de Andrade (última crônica de)



Ciao foi publicada no dia 29 de setembro de 1984, no Caderno B do Jornal do Brasil. Era a despedida de Drummond do gênero crônica
 Página do caderno B do Jornal do Brasil, onde Drummond publicou sua última crônica














     Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Carlos Drummond de Andrade na Voz de Belchior

Dentre os muitos admiradores de Carlos Drummond de Andrade, creio ter sido Belchior 
quem lhe prestou a melhor homenagem.   
Em 2004 o selo Cameratti e a Revista Caras e  Belchior
 lançaram o Projeto As Várias Caras de Drummond. 
 Álbum com 31 poemas musicados por Belchior e um livro com 31 desenhos do poeta feitos pelo cantor fã.




Selo Cameratti, junto com a revista “Caras”, em novembro de 2004.

CD 1
1. Sentimental
2. Lagoa
3. Concerto
4. Cota zero
5. Liquidação
7. Quando desejos outros é que falam
8. Toada de amor
9. Lanterna Mágica
10. Orion
11. Poema que aconteceu
14. Ar
15. Política literária
16. Poesia
CD 2
2. Arte poética
3. Os inocentes do Leblon
5. Cidadezinha qualquer
6. Cantiguinha
7. Boca
8. Ainda que mal
10. Serenata
11. Nova canção do exílio
12. Sweet home
13. Rosa rosae
14 – Mosaico de Manoel Bandeira
15 – No banco de jardim

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Sentimental,Belchior e Carlos Drummond de Andrade




Sentimental Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão. No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos contemplam esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, uma letra somente para acabar teu nome! – Estás sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando… E há em todas as consciências, um cartaz amarelo: “Nesse país é proibido sonhar.” – Carlos Drummond de Andrade, do livro “As impurezas do branco” (1973).

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Desafio do Facebook: 7 Dias 7 Capas de Livros Que Impactaram

Recebi de Letícia (MG) o desafio de postar durante 7 dias, a capa de 1 livro que tenha sido muito importante para mim.  Dia 1:  Pai Patrão, de Gavino Ledda . 

Livro e autor estão neste blog numa postagem de 2009.

Gavino Ledda (Sigilo, Sassari, 1938) hoje prefere ser chamado de Gaínu de sos Agues (Gavino dos Ágües, referência a um povo que habitou que habitou a Sardenha durante a idade do Bronze). Filho de um pequeno proprietário rural, escreveu como pastor no interior da ilha. Analfabeto até perto de seus vinte anos, resolveu estudar e mudar o rumo de sua vida. Formou-se em lingüística em 1961, em Roma. Pai patrão, seu primeiro romance (1975), narra em primeira pessoa a infância usurpada de um menino que é obrigado a deixar a escola com 6 anos de idade para ajudar o pai no patoreio e na lavoura. A dura vida do campo e a luta pela construção de uma personalidade independente são narradas com extrema pujança entremeada por poéticos momentos de contato com a natureza da Sardenha, ela própria um personagem. A trajetória levará o garoto a buscar, como pode, alfabetizar-se, aprender italiano, estudar, enfim: enriquecer-se culturalmente para conquistar o espaço de sua individualidade para além das pré-determinações da autoridade patriarcal e da vida e dos costumes da aldeia, que se lhe apresentam com força de "destino". O livro tornou-se mundialmente famoso, especialmente após o filme homônimo dos irmãos Taviani, nele inspirado, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1977 (site da Saraiva)

Dia 2 : A Arte da Felicidade, de Dalai Lama e Howard C.Cutler (Martins Fontes, 2011)


Recomendo o livro para quem tem ou não alguma crença religiosa, mas especialmente para cristãos evangélicos.

O propósito de nossa existência é buscar a felicidade. Parece senso comum, e pensadores ocidentais como Aristóteles e William James concordaram com a idéia. No entanto, a visão que se apresenta nesta obra é uma visão de felicidade como um objetivo verdadeiro, um objetivo para a realização do qual podemos dar passos positivos. Neste livro estão relatadas longas conversas com o Dalai-Lama as quais constituem a base desta obra, com o objetivo expresso da colaboração num projeto que apresentaria suas opiniões sobre como levar uma vida mais feliz, acrescidas das próprias observações do autor a partir da perspectiva de um psiquiatra ocidental. ( site da Saraiva)

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

De Braulio Bessa aos Professores - out.2018




     Não sei fazer poemas. Aproveito, então, o talento de Bráulio Bessa, para deixar meu abraço aos professores em geral e especialmente para D.Elita que me alfabetizou;  minha irmã Cema; minha cunhada e professora também de vida, Edinha; Prof. Antônio de TGA da UFPE; prof. Oswaldo, hoje meu amigo e mais o recente, prof. Enéas que gosta muito do que faz e faz bem.   Meu carinho imenso por todos vocês.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Post Mais Odiado do Mundo, Roberta Maropo



     
      Sim, estou escrevendo esse post pra fazer todos infelizes. Desculpem. Mas estou de saco cheio. É revoltante ver pessoas inteligentes proferirem discursos de ódio contra outras pessoas. Amigo, estamos divididos nesse embate ideológico, e tudo o que o Brasil menos precisa é disso.
      Honestamente, eu entendo o eleitor médio de Bolsonaro. Descarte os extremistas, aquele pessoal mal educado que não representa os milhões de pessoas que votaram nele. Esqueça o seu "bolsominion secreto". Pense nas outras pessoas com família que com sufoco pagam seus impostos, que estão cansadas de serem enganadas a despeito de fazerem tudo correto. São pessoas que fizeram esse voto de protesto, a maioria consciente do estrupício que Bolsonaro é, mas convenhamos, não temos nenhum santo aqui. Não se preocupe que elas não querem colocar uma arma na sua cara nem banir você da sociedade por ser negro, homossexual ou mulher. Não defendem fascismo e vão colocar Bolsonaro pra fora igual a você se ele surtar no governo. Então calma, não tente prever um futuro negro que não aconteceu, que você não é vidente. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

No Alto, Machado de Assis

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.
Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.
Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,
Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

Imagem: Center Brasil 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Contratado Pelo Sevilla Por Causa de Um Livro


  

No futebol a maioria das negociações se deve pelos atributos técnicos do jogador. No entanto, o goleiro tcheco Tomás Vaclík foi contratado pelo Sevilla por um motivo extra-campo. Uma foto do jogador lendo um livro chegou até a diretoria do time espanhol, de modo que o clube se interessou em obter o atleta. Ele foi anunciado no time comandado por Pablo Machín em julho deste ano.
    

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A Primeira Mulher do Nunes, Rubem Braga

    
     Hoje, pela volta do meio-dia, fui tomar um táxi naquele ponto da Praça Serzedelo Correia, em Copacabana. Quando me aproximava do ponto notei uma senhora que estava sentada em um banco, voltada para o jardim; nas extremidades do banco estavam sentados dois choferes, mas voltados em posição contraria, de frente para o restaurante da esquina. Enquanto caminhava em direção a um carro, reparei, de relance, na relance, na senhora.     
     Era bonita e tinha ar de estrangeira; vestia-se com muita simplicidade, mas seu vestido era de um linho bom e as sandálias cor de carne me pareceram finas. De longe podia parecer amiga de um dos motoristas; de perto, apesar da simplicidade de seu vestido, sentia-se que nada tinha a ver com nenhum dos dois. Só o fato de ter sentado naquele banco já parecia indicar tratar-se de uma estrangeira, e não sei por que me veio a idéia de que era uma senhora que nunca viveu no Rio, talvez estivesse em seu primeiro dia de Rio de Janeiro, entretida em ver as árvores, o movimento da praça, as crianças que brincavam, as babás que empurravam carrinhos.     

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Lua Bonita, Zé do Norte




Lua bonita
Se tu não fosse casada
Eu preparava uma escada
Pra ir no céu te beijar
Se colasse teu frio
Com meu calor
Pedia a Nosso Senhor
Para contigo casar
Lua bonita
Me faz aborrecimento
Ver São Jorge num jumento
Pisando teu quilarão
Pra que casaste
Com homem tão sisudo
Que come dorme e faz tudo
Dentro do teu coração

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Canção do Dia de Sempre, Mário Quintana


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Imagem: Drummond (de pé) e Mário Quintana - Praça da Alfândega, Porto Alegre obra do Francisco Stockinger **

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

María de la O Lejárraga, Talento por Tras de Um Nome Masculino


 
     Escreveu em silêncio, na solidão entre quatro paredes, longe dos aplausos para as peças que saíam de sua pluma. Seu nome é uma ausência, uma sombra, um vazio e uma história dolorosa. María de la O Lejárraga (San Millán de la Cogolla, 1874 - Buenos Aires, 1974) atravessou um século inteiro e foi uma dessas mulheres brilhantes e pioneiras da Idade de Prata da cultura espanhola. Romancista, dramaturga, ensaísta, tradutora, feminista e, no entanto, ausente das capas de seus livros. O nome que lemos é o de seu marido, Gregorio Martínez Sierra, que recebia elogios nas estreias de Canción de Cuna, El Amor Brujo e El Sombrero de Tres Picos, de Manuel de Falla, enquanto a autora e libretista esperava em casa.
     Nestes tempos em que a história da criação parece estar reparando esquecimentos e variando a bússola do cânone oficial, a figura de María Lejárraga retorna com sede de justiça poética. A recuperação de seu nome na capa de sua obra é o reconhecimento a uma das mais destacadas autoras de sua época.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Mar, Rubem Braga

    A primeira vez que vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que e menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem.
      Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.
Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito o mar! Era qualquer coisa de larga, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…
      Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou a sua mão… Um rapaz de quatorze ou quinze anos que nas noites de lua cheia, quando ~a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa-noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.
      Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do catambá, mar das festas, mar terrível daquela marte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que sai sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulha de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cana e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestas de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e = oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande e perigoso mar fabricando um homem…
      Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ara aflita, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante as grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…


Braga, Rubem,200 crônicas escolhidas, Rio de Janeiro: Record, 1986.

Vocabulário:
Maratimbas - caipiras.
Catambá - dança popular do Espírito Santo
Batelão - barco grande para carregar artilharia / carga pesada.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Não Existe Mais Censura. O Problema Agora é Outro. Suzana Valença


http://www.suzanavalenca.com/blog/
  Estamos tão inundados de informações que a censura deixou de fazer sentido como uma forma de controlar os que as pessoas sabem ou não. Quem defende essa ideia é o historiador Yuval Harari, autor do campeão de vendas Sapiens. 
A revista Wired publicou trechos do próximo livro de Harari. Neles, o israelense fala sobre como educar as crianças de hoje para que elas sejam capazes de trabalhar e entender o mundo em 2050. 
     Para dar essas habilidades à nova geração será preciso repensar a forma como passamos adiante nossos conhecimentos. Para Harari, até pouco tempo, o desafio era superar a falta de informação. Hoje, temos que lidar com o excesso dela e ele acha que será assim também no futuro.
     Aí é que entra a questão da censura. Harari argumenta que governos, regimes ou instituições não conseguem mais bloquear que informações chegam até os cidadãos. Não dá mais para fazer isso. A nova tática então, é se aproveitar do excesso. Em vez de censurar uma notícia, faz mais sentido criar uma notícia falsa.
     “No século XXI, estamos inundados por enormes quantidades de informação e, até mesmo os censores, não tentam bloqueá-las. Em vez disso, eles estão ocupados espalhando desinformação ou nos distraindo com irrelevâncias. Se você mora em alguma cidade pequena do México, pode passar muitas vidas lendo a Wikipédia, assistindo às palestras do TED e fazendo cursos on-line gratuitos. Nenhum governo pode esperar esconder todas as informações das quais não gosta
     Por outro lado, é alarmantemente fácil inundar o público com informações conflitantes e comentários negativos. Pessoas de todo o mundo têm acesso com um clique às últimas notícias sobre o bombardeio de Aleppo ou sobre o derretimento das calotas polares no Ártico, mas há tantos relatos contraditórios que é difícil saber em que acreditar. Além disso, inúmeras outras coisas estão a apenas um clique de distância, o que dificulta a concentração, e quando a política ou a ciência parecem muito complicadas, é tentador mudar para vídeos de gatos engraçados, fofocas sobre celebridades ou pornografia.
     Em tal mundo, a última coisa que um professor precisa dar aos seus alunos é mais informação. Eles já têm muito disso. Em vez disso, as pessoas precisam da capacidade de dar sentido à informação, de dizer a diferença entre o que é importante e o que não é importante e, acima de tudo, combinar muitas informações em uma visão ampla do mundo”.
O que você acha?
 

Fonte: Suzana Valença
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