segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Seara Africana, Ricardo Alves


Chora Maria.
Quem firma teus pés ao solo,

É a dor.
E a ginga entorpece,
Girando a saia rodada,
O tempo, o vento e a poeira ao subirem,
Chegam e lá vivem inertes
Fica cravado em teu corpo o suor,
Que destemido, aventureiro,
Atravessa,
Teus seios,
teus sonhos,
Tua penha por inteiro.
Tua liberdade implora seguindo um andor.
Chora Maria,
Através de ti a terra senti, cheia,
Enquanto lá fora seca,
Somente o que quer viver.
Mas esse tudo é baseado na frieza.
Quem viu nascer o mundo,
Viu também morrer um povo.
Sangue na senzala,
Quiçá não seja d`outro,
Este que por inconsciência,assumes te,
E te remete a paredes mudas, frias, mas não surdas.
Por ele que desejas falar.
A pino ardor na pele, filho do sol.
Chora Maria.
Oxalá traz a manta que enxugará,
Levando a vida do senhor da terra, que cedo,
Rasgando o véu, 
O vértice do continente,
Tua pele partia.
Chora Maria
Que em verdade, 
Não chora.


Ricardo Alves