segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Um Diamante Bruto, César Feitoza




Como decifrar-te? Diz! Como decifrar-te?
És como a esfinge ou mesmo como a arte
De Leonardo e sua Monalisa
E és também como uma torrente
De chuva fria ou de vento quente
Que me atordoa e me faz demente
E que me encharca e faz ranger meus dentes
Que pra chegar, aviso não precisa.
Como escalar-te? Diz! Como escalar-te?
Como tocar teu cume invisível?
Como transpor teu muro intransponível?
Que cresce tanto mais agente escala
Tantos pudores que me tiram a fala
E me pergunto se não és de Marte.
Como cavalgar-te? Diz! Como cavalgar-te?
Como domar um coração ferido?
O que fazer pra novamente dar-te
A esperança que havias perdido?
Como lapidar-te? Diz! Como lapidar-te?
E um diamante bruto transformar
E enxergar desejo em teu olhar
Sem que tu penses que isso é pecado
E não se importes se o alguém ao lado
Censurará o fato de amar-te
Como tocar-te? Diz! Como tocar-te?
E despertar a fúria do vulcão
Que na tu´alma jaz adormecido
Como arrancar de ti os teus gemidos?
Como descongelar teu coração?
Como prender-te? Diz! Como prender-te?
Na teia que eu, paciente, teço.
E que desfaço. Meio, fim, começo
E tu escapas mesmo não querendo
E sigo eu então no meu tecendo
Na esperança de um dia ter-te.