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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Dos Grilhões do Orgulho Me Soltei, César Feitoza

Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humildade
O amor, muitas vezes, inocente Perambula e margeia em vis veredas Suas cabaças de mel ficam azedas E azedam o coração da gente O orgulho nos torna indiferente Arrogância nos toma e vira lei Contra a espada da empáfia então lutei Pra tornar meu viver felicidade Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humildade
O orgulho destrói e desagrega Apodrece o melhor dos sentimentos E nos faz esquecer os bons momentos Envenena e a, si mesmo, ele renega Pelo mar do rancor ele navega Nesse mar de engano eu naveguei E enganado pensava que era rei Mas fui bobo da corte na verdade Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humildade
Ser humilde não é ser alienado, Baixar sempre a cabeça pro que vem É pensar muito, muito mais além Ter a serenidade do seu lado Ser humilde é sentir-se magoado E não guardar pra si como guardei Arriscar um amor como arrisquei Por tolice é uma inutilidade Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humilda…

Melhor capa de revista de 2013

Escolhida em eleição anual realizada pela ANER -Associação Nacional de Editores de Revista - a  melhor capa do ano de 2013  é a da Revista Mundo Estranho, da Editora Abril. Vejam abaixo:
A capa da revista premiada refere-se à matéria: A Disney Que NinguémVê e a equipe responsável é formada por: Bárbara Brasileiro, Elias Silveiro,Patrícia Hargreaves e Marcel Nadale. As demais concorrentes também fizeram ótimas capas.

Este blog também trouxe as melhores capas de 2012 e 2011

Fábula Eleitoral Para Crianças, Paulo Mendes Campos

Um dia, meninos, as coisas da natureza quiseram eleger o rei ou a rainha do universo. Os três reinos entraram logo a confabular. Animais, vegetais e minerais começaram a viver uma vida agitada de surtos eloquentes, manobras, recados furtivos, mensagens cifradas, promessas mirabolantes, ardis, intrigas, palpites, conversinhas ao pé do ouvido. Iam eleger o rei dos três reinos.      Entre os bichos, era um tumulto formidável. Bandos de periquitos saíam em caravana eleitoral, matilhas de cães discursavam dentro da noite, cáfilas de camelos percorriam os desertos, formigas realizavam comícios fantásticos, a rainha das abelhas zumbia com o seu séquito, sem falar no baile  dos peixes, nos lobos em festival  pelo monte, na barafunda  de búfalos pela savana, na revoada instantânea dos pombos-correios.        Todas as qualidades eram postas à prova: a astúcia da raposa, a agilidade dos felinos, o engenho dos cupins, o siso da coruja, o poder de intriga das serpentes, a picardia do zorro…

Onde Está a Poesia, Vasco Cabral

A poesia está nas asas da aurora
quando o sol desperta. A poesia está na flor
quando a pétala se abre
às lágrimas do orvalho. A poesia está no mar
quando a onda avança
e branda e suavemente
beija a areia da praia. A poesia está no rosto da mãe
quando na dor do parto
a criança nasce. A poesia está nos teus lábios
quando confiante
Sorris à vida. A poesia está na prisão
quando o condenado à morte
dá uma vida à liberdade.

Quem Dá e Volta a Tomar...., Regina Porto

Vira as costas para o mar.      Além de perder a bela visão, não sei qual o castigo que pode sofrer alguém que, por ventura, dê as costas para o mar.  Minha mãe, de quem ouvi o provérbio português, também não sabia...      Bem, morando em cidade litorânea tenho mais chances de estar de frente, como agora que tenho a Oceano Atlântico numa visão de 180°, mas ocasionalmente vou ficar de costas para o mar, mesmo que não tivesse pedido de volta algo que dei há 37 anos.         Regina, que coisa feia!! Deu e  tomou? Sim, dei um livro lá longe em anos passados e pedi de volta. Não queria sabê-lo abandonado sem leitura transformado em pó pelas traças.       Com o exemplar nas mãos, me vi muito muito jovem, estudante na Unicap* .  Lembro muito bem: professora Irandé, cobrava lição, explicava gramática a partir daquelas crônicas. Era exigente, mas amável e usava uns colares de contas grandes e coloridas. Um dia contou que teve sua casa  assaltada e um colega mais gaiato, perguntou se os ladrões ti…

Crônica cantada: O Casamento do Moacir, Adoniran Barbosa

A turma da favela convidaram-nos
Para irmos assistir
O casamento da Gabriela com o Macir
Arranjemos uma beca preta
E um sapato branco bem apertado no pé
E se apreparemos para ir
Na catedral lá da vila ré
Quando os noivos estava no artar
O padre começou a perguntar
Umas coisas assim em latim:
Qualquer um de vodis aqui presenti
Tem alguma coisa de falar contra esses bodis?
Seu padre, apara o casamento!
O noivo é casado, pai de sete rebento
Fora o que está pra vir
O pai é esse aí - o Moacir!
Que vexame!
A noiva começou a soluçar
Porque o noivo não passou no exame nupiciar
Já acabou-se a festa
Porque nóis descobriu
O Moacir era casado
Cinco vez, lá no estado do rio

A Carteira, Machado de Assis

..De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo: -- Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez. -- É verdade, concordou Honório envergonhado. Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duz…

Shakespeare em quadrinhos

Para jovens que não se interessariam por Shakespeare, talvez até nem saibam de quem se trata, mas que gostam de História em Quadrinhos a Editora Nemo tem uma coleção bastante interessante.  Os melhores artistas dos quadrinhos do Brasil, desenharam as mais famosas peças do poeta e dramaturgo inglês.   Aos professores que acham a linguagem tradicional do Rei Lear, por exemplo, pouco atrativa pra seus alunos  adolescentes... sugiro conhecer a Coleção Shakespeare.  Aposto que vão gostar.

Três bruxas profetizam: “Macbeth será rei”, e tem início aí uma trama maligna, envolvendo assassinato, ambição e loucura. Uma HQ com reis e nobres, exércitos em guerra e uma bela e letal mulher. Uma história que nos fala da essência do Mal, em sua forma mais sedutora. Ilustrador: Rafael Vasconcelos
Uma terrível tempestade lança ao mar a tripulação de um navio, que encontra abrigo numa misteriosa ilha, povoada por monstros e espíritos. Uma ilha governada por um mago enigmático, que comanda os bastidores de um…

Crônica cantada: O Neguinho e a Senhorita.

Composição: Noel Rosa de Oliveira e Abelardo da Silva
Voz: Noite Ilustrada

O Neguinho gostou da filha da Madame
Que nós tratamos de sinhá
Senhorita também gostou do Neguinho
Mas o Neguinho não tem dinheiro pra  gastar 
A Madame tem preconceito de cor
Não pôde evitar esse amor
Senhorita foi morar lá na colina
Com o Neguinho que é compositor
Senhorita foi morar lá na colina
Com o Neguinho que é compositor

Senhorita ficou com nome na história
E agora é a rainha da escola
Gostou do samba e hoje vive muito bem
Ela devia nascer pobre também
Gostou do samba e hoje vive muito
Bem
Ela devia nascer pobre também

Menino de Cidade, Paulo Mendes Campos

Papai, você deixa eu ter um cabrito no meu sitio?
     Deixo.      E porquinho-da-índia? E ariranha? E macaco? E quatro cachorros? E duzentas pombas? E um boi? Um rinoceronte?      Rinoceronte não pode.      Tá bem, mas cavalo pode, não pode?      O sítio é apenas um terreno do Estado do Rio, sem maiores perspectivas imediatas. Mas o garoto precisa acreditar no sítio como outras pessoas precisam acreditar no céu. O céu dele é exatamente o da festa folclórica, a bicharada toda, e ele, que nasceu no Rio e, de má vontade, vive nesta cidade sem animais.      Aliás, ele mesmo desmente que o Rio seja uma cidade sem bicho, possuindo o dom de descobri-los nos lugares mais inesperados. Se entra na casa de alguém, desaparece ao transpor a porta, para voltar depois de três segundos com um gato ou cachorro na mão. A gente vai andando por uma rua de Copacabana, ele some e ressurge com um pinto em flor.  É chegar na Barra da Tijuca, e daí e cinco minutos, já apanhou um siri vivo.

A Um Diamante Bruto, César Feitoza

Como decifrar-te? Diz! Como decifrar-te? És como a esfinge ou mesmo como a arte De Leonardo e sua Monalisa E és também como uma torrente De chuva fria ou de vento quente Que me atordoa e me faz demente E que me encharca e faz ranger meus dentes Que pra chegar, aviso não precisa. Como escalar-te? Diz! Como escalar-te? Como tocar teu cume invisível? Como transpor teu muro intransponível? Que cresce tanto mais agente escala Tantos pudores que me tiram a fala E me pergunto se não és de Marte. Como cavalgar-te? Diz! Como cavalgar-te? Como domar um coração ferido? O que fazer pra novamente dar-te A esperança que havias perdido? Como lapidar-te? Diz! Como lapidar-te? E um diamante bruto transformar E enxergar desejo em teu olhar Sem que tu penses que isso é pecado E não se importes se o alguém ao lado Censurará o fato de amar-te Como tocar-te? Diz! Como tocar-te? E despertar a fúria do vulcão Que na tu´alma jaz adormecido Como arrancar de ti os teus gemidos? Como descongelar teu coração? Como prender-te? Diz! Como pren…

Pasta de Leitura e Afeto, Regina Porto

Pensei em discorrer, como fiz em agosto, novamente sobre histórias que os livros carregam além e paralelamente à história escrita pelo autor. Não deu. Estou sem inspiração alguma. Assim, vou só explicar pra quem não sabe: faço parte de um grupo de leitores amigos viciados em livros. Traças. Nós emprestamos livros uns aos outros e fazemos nossos envios pelos correios. Completamos 6 anos em janeiro.
           Dentro dos livros que enviamos vão cartões, bilhetinhos, uns mimos... coisinhas que são por si, histórias paralelas. Comentários, críticas, informações... várias coisas, mas basicamente afeto.           Tenho, conforme vi, uma pasta carregadinha de afeto que os livros trouxeram dentro de suas páginas. Mostro algumas coisinhas a seguir. Morram de inveja:
1- Esse tipo de cartãozinho sempre acompanhava livros vindos de uma pessoa do Rio de Janeiro. Nos conhecemos em Olinda e eu achei bom. 
     Mantemos amizade até hoje, mesmo quando ela já não faz mais parte do gr…