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Postagens

Cantiga Para Não Morrer, Ferreira Gullar

Quando você for se embora moça branca como a neve me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração. Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar. E se aí também não possa por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, menina branca de neve, me leve no esquecimento. Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar/seleção Alfredo Bosi,São Paulo,Global Ed.1983, pág.98

E Se Eu Fosse Presidente?

     - Mãe! Sabe o que  o presidente Obama fez?       - Me conta!!      - Convidou para um almoço na Casa Branca os cinco escritores prediletos dele, bota no blog!       - Foi? Algum autor conhecido da gente?       - Conheço Zadie Smith, tenho livros dela. Não tem nenhum best seller no Brasil.      - São todos americanos?      - Uma é inglesa. Vou te mandar o link...      - Ai que inveja...      - Ele é o presidente, não é? Ele pode..       - É...      Fui ver o link enviado. Não era uma manchete, um destaque na imprensa. Afinal, o presidente  pode chamar quem bem quiser à Casa Branca. O leitor Barak Obama, que por ser presidente talvez até já conhecesse seus convidados,  reuniu os cinco: Dave Eggers (USA), Colson...

Calcinhas Secretas, Ignácio de Loyola Brandão

Caminhando pelas calçadas congestionadas por camelôs que pagam propinas aos vereadores e, portanto, estão autorizados a montar suas barracas, ele hesitava diante da quantidade de bancas vendendo calcinhas e sutiãs. Desde que a Tiazinha começara a ter sucesso, as bancas exibiam modelos os mais diferentes, procurando excitar as mulheres na conquista dos amados. Percebeu que parte dos compradores eram homens e ficou na dúvida. Para eles mesmos ou para as mulheres? Parou diante de uma nordestina de rosto marcado por sulcos profundos e escolheu uma calcinha vermelha, uma preta aberta na frente e duas de renda.  “ Se levar meia dúzia, ganha uma de brinde ” , disse a vendedora, com os olhos iluminados pela esperança. Como na feira, pensou ele. Quem compra quatro pastéis leva um de brinde. Por toda parte, promoções para segurar freguês.

Meu Povo, Meu Poema, Ferreira Gullar

Meu povo e meu poema crescem juntos como cresce no fruto a árvore nova. No povo meu poema vai nascendo como no canavial nasce verde o açúcar No povo meu poema  está maduro como o sol na garganta do futuro Meu povo em meu poema se reflete como a espiga se funde em terra fértil Ao povo seu poema aqui devolvo  menos como quem canta do que planta. In:Gullar, Ferreira,Poemas,seleção de Alfredo Bosi, São Paulo,Global Editora 1983 Fotografia de: Marco Pimenta

Comentando: Duas Postagens e Uma Queixa: a intolerância

      N a ultima quarta-feira, postei uma  antiga crônica do jornalista Aluízio Falcão.  No texto, o autor  se diz intolerante à intolerância, o que justificou a praga que, mentalmente, jogou contra um casal que vinha falando mal de nordestinos quando cruzou com ele num parque em São Paulo .        A crônica, bem redigida, traz a situação muito  (crescente?) frequente  da intolerância ao diferente. Naquele caso, o diferente era ser nordestino. O casal vítima da praga não conseguia admitir algo fora do que determinou pra si como aceitável. Para os intolerantes do parque quem não puder ser identificado como paulistano, precisa ser afastado de seu campo de visão. Uma lástima!!        Na mesma quarta-feira, o blog da jornalista Suzana Valença   trouxe uma   matéria   interessantíssima sobre identidade. Na verdade sobre determinar e ou fechar-se numa ...

Nordestinos em São Paulo, Aluízio Falcão.

      Leio uma publicação da ECA/USP com várias reportagens escritas por estudantes de jornalismo. O tema é a saga dos migrantes. Há depoimentos de intelectuais nordestinos residentes em São Paulo, mas principalmente daqueles anônimos viventes de periferia. Comove-me o testemunho de uma senhora que migrou em companhia da filha. Contando a estória, diz essa mãe-coragem que a sua menina, diante da miséria reinante no cafundó natal, assim propôs a retirada: "Mãe, vamos pra São Paulo, vamos lutar na vida". Não me lembro, em prosa brasileira, de registro mais bonito para o verbo lutar.      A onda migratória para os grandes centros tem vários intérpretes: antropólogos, sociólogos, romancistas, e até um vereador chamado Bruno Feder, autor daquele famigerado projeto que simplesmente proibia a entrada de nordestino em São Paulo. Muito já se analisou e escreveu, para o bem e para o mal, sobre os personagens desta humilhante diáspora. Nenhum intérprete do fen...

Faith No More, Mário Lúcio Sousa

  A fé nunca é demais se se transborda rega e invade. Sei que está comigo e que me fala:   não ouvi-la é transcendental. Ela me fala do outro lado do som   e toma formas efêmeras para agilizar a língua porque é a mesma forma que se vê dissímil                                        em cada forma. A cor pura necessita de luz pura   mas a luz tem as suas cores e ali estão, também efêmeras, porque é a mesma luz que se vê dissímil                                        em cada cor. Creio e vejo e tenho   só porque creio porque nem vejo nem tenho.   Tudo se me...