A bondade da mangueira não é o fruto. É a sombra. A térrea, quotidiana, abnegada sombra: no inverso do suor colhida, no avesso da mão guardada. Há a estação dos frutos. Ninguém celebra a estação das sombras. Assim, o amor e a paixão: um, fruto; outro, sombra. A suave e cruel mordedura do fruto em tua boca: mais do que entrar em ti eu quero ser tu. O que em mim espanta: não a obra do tempo mas a viagem do Sol na seiva da árvore A arte da mangueira é a veste de sombra embrulhando o seu ventre solar. Para o homem vale a polpa. Para a terra só a semente conta. (em: Tradutor de Chuvas)
Poesia, conto, crônica, encontre bons autores e textos aqui.