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Mostrando postagens com o rótulo Teatro Cultura Artística

Mulher Pelada, Antonio Prata

    Toda sexta-feira, lá pelas seis e meia da tarde, meu pai aparecia para nos buscar. Assim que dobrava a esquina, dava duas buzinadas curtas: era o sinal para que pegássemos nossas mochilas e corrêssemos para a rua.      Geralmente íamos a algum restaurante ou bar, onde ele encontrava os amigos e a namorada e nos esbaldávamos misturando Coca-Cola com Sukita, comendo frango à passarinho com batata-frita e mandando pra cucuia, em meia hora, toda a harmonia nutricional que minha mãe havia conquistado, duras penas, ao longo da semana.      Nas épocas em que meu pai tinha alguma peça em cartaz, costumávamos passar pelo teatro antes e depois do bar, para que ele checasse a bilheteria, conversasse com os atores, visse o público entrando, ou, caso o espetáculo já tivesse começado, aferisse o êxito da noite pelo número de pipoqueiros na calçada.     Quando eu tinha uns cinco anos, estreou Besame mucho no Cultura Artística. foi o maior sucesso ...