A abelardo Rodrigues Andando em muitos sapatos e jamais nas suas patas, entre enormes chifres curvos sente-se ( o boi) entre aspas. É um boi verde vidrado acuado em cima da estante. É um boi desenterrado, telúrico e ruminante. Quem o desenterrou foi Abelardo em Tracunhaém. No barro da beira-rio estava escondido o boi desgarrado do rebanho. Feito do gado anterior, de estrume e de capim seco, é este boi ruminador. Estava desfeito ou feito? No ato da exumação, apareceram sangrantes as feridas do aguilhão, da corda e do pau da canga da asfixia do cambão, de ferro em brasa nas ancas da chaga da castração. As quatro rodas chiadeiras do carro que já puxara rodaram sobre o esqueleto, fizeram sulcos na cara. A semente vacum dentro do chão mole do curral. O boi vegetariano, vegetal e mineral, comeu do pasto e foi pasto, misturou-se com o chão para nascer no roçado, oculto na plantação, dando marradas no vento da várzea pernambucana, esse boi de chifres doces, chifres de cana-caiana. Toca o cho...
Poesia, conto, crônica, encontre bons autores e textos aqui.