Como a visita era urgente, nem completei o horário de almoço. Antes das duas já estava na porta do edifício do Sr. Oto, um prédio antigo de vinte e poucos andares no começo da rua Tupis. O tabelião havia me dito com todas as letras que estávamos prestando um favor, que eu não devia me preocupar com o protocolo. “Esqueça as testemunhas, Walter, as formalidades. Apenas anote o que ele mandar, e não pergunte nada.” ⠀⠀⠀⠀⠀ Subi o velho elevador de portas de madeira e grades de aço pensando na minha vida de escriturário. Em mais de vinte anos anotando e dando fé, não me lembrava de nenhum acontecimento significativo, nenhuma surpresa ou desastre, nenhum episódio que pudesse dividir a minha existência em um antes e um depois, como ocorria com todas aquelas pessoas que transformavam a compra de uma casa ou o reconhecimento de um filho em um fato memorável – qu...
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