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Mostrando postagens com o rótulo MIguel Torga

Minhas Leituras no Primeiro Semestre (2024)

13 livros no primeiro semestre. Gostei muito  de alguns, mas dois deles ficaram no meu coração: Tudo É Rio , Carla Madeira e Vinte e Zinco de Mia Couto As doenças do Brasil Um buraco com meu nome Minha mãe é minha filha Tudo é rio Vinte e zinco Novos contos da montanha Cenas brasileiras O medo por trás das janelas a ridícula ideia de nunca mais te ver Por favor cuide da mamãe O bruxo do contestado a história de Joa Shuster A falência

Renovo, conto de Miguel Torga

        A Lucinda ? ­ perguntou o Pedro, coberto de suor, lívido, a acabar de sair de uma modorra de morte. ­      Está boa... ­ respondeu a mãe., com a naturalidade que pôde. ­      E porque não vem cá? ­      Isto pega­se, filho. Ela bem queria; eu é que não consinto... Uma onda de tristeza, que lhe embaciou a imagem da namorada, atravessou os olhos febris do rapaz. Depois, exausto do esforço de vir à tona do poço, desceu as pálpebras e caiu na sonolência em que vivia há dias.      No princípio da epidemia, de ouvido atento, ia vigiando o mundo através do dobrar do sino.      O som a entrar no quarto abafado e ele a inquirir, inquieto: ­     Quem foi? minha mãe? ­     O Belmiro. ­ O pai ou o filho? ­ O pai. Cuidadosa, a Felisberta varria implacavelmente o caminho de todos os espinhos que pudessem magoar as justas esperanças da mocidade. Só rodeado de gente da me...

O Pastor Gabriel, Miguel Torga.

     Nunca houve em toda a montanha pastor como Gabriel.      - Merecia outras olvelhas, homem! - disse-lhe um dia o Prior, desanimado da anarquia dos seus paroquiamos, quando viu o rebanho do rapaz atravessar a estrema dum centeio sem tirar uma dentada.      - Deus me livre! Já me vejo maluco com estas...      Mentira. O padre tinha razão.Era uma pena ver tanta autoridade, tanta vocação, tanto jeito natural, ao serviço de animais. Nem se pode fazer ideia! O carneiro mais teimoso, mais lorpa, mais churro, chegava às mãos do Gabriel e mudava de condição. Só não ficava a falar.      -Que fazes tu ao gado, criatura? Parece que o enfeitiças!      - Nada. Dou-lhe monte, como a outra gente.      Sorria. E lá continuava a educar os malatos com gestos e palavras que ninguém sabia fazer nem dizer. Nunca batia numa rês. O castigo era um simples olhar reprovativo, um assobio impaciente, uma in...

Pedagogia, Miguel Torga

Brinca enquanto souberes! Tudo o que é bom e belo Se desaprende… A vida compra e vende A perdição. Alheado e feliz, Brinca no mundo da imaginação, Que nenhum outro mundo contradiz! . Brinca instintivamente Como um bicho! Fura os olhos do tempo, E à volta do seu pasmo alvar De cabra-cega tonta, A saltar e a correr, Desafronta O adulto que hás-de ser! Imagem: Cabra-cega. Ivan Cruz .