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A Assembleia das Crianças Inadequadas, Antonio Neto

 In memoriam de Diolina Ribeiro da Silva      Éramos poucas na região, sete no total. Nos conhecíamos desde sempre. Quando éramos bebês, nos comunicávamos pelo olhar. Depois que crescemos mais um pouco, criamos estratégias para nos comunicarmos sem chamar a atenção das pessoas adequadas. Havíamos nascido em corpos inadequados ou na época inadequada: éramos as crianças inadequadas. A cidade jamais poderia nos entender ou nos aceitar plenamente. Nós sabíamos disso!      O Grupo Escolar “Água Vermelha” era o nosso ponto de encontro, porque estávamos espalhadas pelos bairros de Poá: Jardim Emília, Obelisco, Pinheiro e redondezas. Ao ingressarmos na escola, fizemos um forte pacto de proteção, pois éramos os alvos preferidos dos meninos que faziam maldades. Por meio de sinais e de um vocabulário próprio, mantínhamos contato sem despertar suspeitas sobre nós.      Em cada bairro havia um Protetor ou Protetora de crianças inadequadas: homens e m...