Ponho-me às vezes a cismar como seria belo o fim
do mundo.
Antes de Cristo…
Nos campos verdes
Decorativas ossadas
Brancas geometrias.
Na cidade morta
Colunas. O azul, imóvel, sonha
A última asa.
A folha,
Graça infinita,
Se desprende e tomba.
No tanque: leve sorriso da água.
Porém, quando este mundo cibernético for para o
Diabo que o forjicou
E todas as nossas bugigangas eletrônicas virarem
sucata
E todas as estrelas perderem os seus nomes
Os únicos poetas que os sobreviventes entenderão
São os que hoje ainda falam no cricrilar dos grilos
no frêmito
Do primeiro
Amor…
Redescobridores encantados de poesia
Esses pobres homens não serão nem ao menos
arqueólogos
E nós descansaremos, finalmente, em paz!
Em: Mario Quintana seleção de Fausto Cunha, ed. Global 2016 págs 71-75

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