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Fim do Mundo, poema de Mário Quintana


Ponho-me às vezes a cismar como seria belo o fim


                                                                   do mundo.

Antes de Cristo…

                            Nos campos verdes

                            Decorativas ossadas

                            Brancas geometrias.

                           Na cidade morta

                           Colunas. O azul, imóvel, sonha

                            A última asa.


                            A folha,

                            Graça infinita,

                            Se desprende e tomba.


                           No tanque: leve sorriso da água.


Porém, quando este mundo cibernético for para o

                                                      Diabo que o forjicou

E todas as nossas bugigangas eletrônicas virarem

                                                                           sucata

E todas as estrelas perderem  os seus nomes


Os únicos poetas que os sobreviventes entenderão

São os que hoje ainda falam no cricrilar dos grilos

                                                                     no frêmito


Do primeiro

Amor…

Redescobridores encantados de poesia

Esses pobres homens não serão nem ao menos

                                                                      arqueólogos


E nós descansaremos, finalmente, em paz!


Em: Mario Quintana seleção de Fausto Cunha, ed. Global 2016 págs 71-75

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