Tenho uma cadeira de espaldar muito alto
Para o visitante noturno
E enquanto levemente balanço entre uma e outra
vaga de sono,
Ei-lo
O que chegou de outros mundos -
Ali sentado e sem um movimento.
Talvez me olhe como se eu fora a branca estátua
derribada de um deus.
Talvez me olhe como a uma forma já ultrapassada
(que tudo o seu espanto e imobilidade pode dizer).
E eu
Então
-ele ainda deve estar ali! -
Levanto-me e vou cumprindo
Todos os meus rituais.
Todos os estranhos rituais de minha condição e espécie.
Religiosamente. Cheio de humildade e orgulho
Em: Mário Quintana seleção de Fausto Cunha, Ed.Global 2016 pág. 72

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