quarta-feira, 30 de março de 2016

Amplexo, Marcelo Alencar

Mãe, me dá um amplexo? 


A pergunta pega Cinira desprevenida. Antes que possa retrucar, ela nota o dicionário na 
mão do filho, que completa o pedido: 

- E um ósculo também.


Ainda surpresa, a mulher procura no livro a definição das duas estranhas palavras. E encontra. Mateus quer apenas um abraço e um beijo. 

Conversa vai, conversa vem, Cinira finalmente se dá conta de que o garoto, recém-apresentado às classes gramaticais nas aulas de Português, brinca com os sinônimos. "O que vai ser de mim quando esse tiquinho de gente cismar com parônimos, homônimos, heterônimos e pseudônimos?", pensa ela, misturando as estações. "Valha-me, Santo Antônimo!" E emenda: 

- Pára com essa bobagem, menino! 

- Ah, mãe, o que é que tem? Você nunca chamou cachorro de cão? E casa de residência? E carro de automóvel? 

- É verdade, mas... 

Mas a verdade é que Cinira não tem uma boa resposta. 

- E meu nome é Mateus - continua o rapaz. - Só que você me chama de Matusquela. 

- Ei, isso não vale. Matusquela é apelido carinhoso. 

- Sei, sei. Tudo bem se eu usar nosocômio e cogitabundo em vez de hospital e pensativo? 
E criptobrânquio no lugar de mutabílio? 

- Mutabílio? O que é que é isso? 

- O mesmo que derotremado, ora. Tá aqui no Aurélio. 

Está mesmo. É um bichinho. Mas pouco importa. A mãe questiona a opção do menino por vocábulos incomuns. Mateus sai-se com esta: 

- A professora disse que aprender palavras é como ganhar roupas e guardar numa gaveta. Quando a gente precisa delas, tira de lá e usa. Cada uma serve para uma ocasião, por mais esquisita que pareça. Igual à querê-querê roxa que você me deu no último aniversário. Lembra? 

Como esquecer? Cinira nem se dá ao trabalho de consultar o dicionário. Sabe que a explicação para essa última provocação está no verbete camiseta.


Marcelo Alencar, autor deste conto, já trabalhou como cartunista e editor de
histórias em quadrinhos. Jornalista, é editor de NOVA ESCOLA 

Imagem: www.pt.depositphotos.com

segunda-feira, 28 de março de 2016

Gato, J.R.R Tolkien - Tradução de Jorge Pontual

Gatão, gordão, no chão
imagem do Google
ronrona e sonha
com ratinho gordinho
sonho risonho,
ora lá fora outrora,
ele andou veloz, feroz atroz
bufou, lutou
fera, pantera era
no oriente viveu, correu, mordeu
com dente em gente.

O leão grandão durão,
garra na marra
presa , tesa, acesa
a garra rasca
e a pantera a espera
bem de pé,
com gula, ulula e pula
pega o filé no véu do breu da selva
são como a onça,
altiva e livre
e o gato é manso,
mas o gatão, gordão de estimação,
não esquece não.


O jornalista Jorge Pontual costumava traduzir e ler Hobbit para seu filho quando criança. Gato, está n'O Senhor dos Anéis e faz parte de  As Aventuras de Tom Bombadi, foi escrito por Sam Gamgee personagem amigo de Frodo.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Visitando a estante de casa...


Comecei ontem a revisitar minha estante. Não que eu tenha parado de ler, mas é que indo procurar um trecho de livro pedido por meu sobrinho,  achei interessante, olhar mais detalhadamente o que temos lá. Autografado? Com dedicatória? Exemplar muito antigo? Recém adquirido? Veio de sebo? 




Estante relativamente organizada foi fácil de encontrar:

 Romance d'A Pedra do Reino, Ariano Suassuna.  

Nele está o folheto (XXX) pedido por meu sobrinho: A Filosofia do Penetral. 

É o exemplar mais antigo da prateleira. Tem 44 anos e foi comprado em Brasília. Tem prefácio de  Raquel de Queiroz e as ilustrações devem ser do próprio Ariano, porque ele também desenhava e não há indicação de um autor para elas.

Encontrei nele, também, um poema que Ariano dedicou a seu pai, João Suassuna. 





Ainda na estante e mais adiante, na letra B tem o livro: Vincent!!  
A história de Van Gogh escrita pela quadrinhista holandesa Barbara Stok. 
Esse livro é um de meus xodozinhos: gosto de quadrinhos e de Van Gogh e foi presente de aniversário de meus filhos e que recebi de meu neto fofo, o Theo.  
Theo ficou feliz em me entregar e, mais ainda em, ele mesmo, abrir o pacote. 

Caiu de amores pelo livro. Com pouco mais de 2 anos, diante do livro colorido e cheio de desenho, que poderia pensar?  Só podia ser livro infantil.  

Concordei com o encantamento do Theo e cumprindo papel de vó li e respondi às mesmas perguntas seguidas vezes. Sempre e só até a página 52 foi onde ele determinou que a história terminava. 

Não sei, e é irrelevante saber, o que tinha de finalizante naquela página (foto).

Precisei esperar que ele dormisse para, enfim, ir além da página que vocês veem ao lado.  
Barbara Stok, foi muito feliz nesse livro.  O leitor sente-se na pele do pintor, nota quando ele vai ter uma crise, sente sua obsessão por produzir... e o desenho final é de uma poesia comovente.

Quando Theo crescer e entender que a história não termina na página 52 (foto), vai gostar  do livro por completo. 
Conhecerá melhor Van Gogh (Vovogue, como ele falava) e, provavelmente, gostará do pintor e de Barbara Stok.

(Imagens: Regina Porto)
 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Nostalgia em vez de greia, José Teles

     
No primeiro ano do ginasial havia um garoto rico na minha turma. Rico pros padrões de então, em que a classe média possuía geladeira e TV. Telefone e carro eram coisa pra classe média alta. A família desse meu amigo possuía uma grande concessionária de automóveis. Era, pois, milionária. Eu e Thomas, o menino rico,nos tornamos muito amigos pela paixão em comum pelos Beatles e aqueles conjuntos todos da época, Gary and Pacemakers, The Monkees, Jay and The Americans, The Five Americans (do sucesso Western Union, cuja versão foi gravada por meu amigo Paulo Diniz), Renato e Seus Blue Caps, por aí.
     Época de provas, esse meu amigo me convidou pra estudar na casa dele. Fui, pensando nos discos, porque ele ganhava tudo que era LP. Mas uma governanta que tomava conta da casa ficou de olhos e a gente teve de se concentrar nos estudos. Neste tempo, me apelidavam no colégio de Zé Dez, por motivos óbvios. Quando cheguei no científico, o dez virou zero, mas ai é outra história. Meio dia a governanta sugeriu  que a gente tomasse banho pra almoçar. Banheiro de rico era diferente, imaculadamente branco, com muito mais bregueço do que sabonete que a gente usava em casa. Xampu não era coisa de macho. Se os garotos sentisse o aroma ia haver arreação a tarde inteira. Meu amigo devia usar aquele  xampu por isso os cabelos dele ficavam todos soltos e brilhantes feito os dos Beatles.  Arrisquei um pouco de xampu. Muito pouco porque a turma batia forte. Menos no meu amigo rico. Ele era rico, podia usar xampu.
     O almoço foi servido numa mesa forrada com uma toalha branca de cambraia, num jardim de inverno ao lado da casa. Serviram salada, feijão leve, sem aquelas carnes todas lá de casa, arroz branco cheiroso, temperado não sei com que, filé ao molho ferrugem (acho) e ervilhas, graúdas, bem verdes. Eu só vira ervilhas assim antes em anúncio das revistas O Cruzeiro e Realidade. Mastiguei as ervilhas bem lentamente degustando-lhe o sabor. A governanta notou que apreciei as ervilhas e me serviu outra porção generosa. Fomos deixados no colégio pelo motorista do pai do meu amigo.
     Em casa, o pessoal quis saber como foi na casa do rico, o que eu tinha gostado mais de lá, o que vira de mais diferente. Não titubeei:"Ervilhas. eles comem ervilhas no almoço".Ervilhas pra mim, durante muito tempo, foram a diferença  entre nós, da humilda classe média brasileira dos anos 60, e os ricos. Os são diferentes, o que me foi corroborado por Scott Fitzgerald num conto que li num exemplar antigo da primeira versão da revista Senhor. "Deixem que eu lhes fale dos muito ricos. São diferentes de nós - de mim e de vocês. Têm prazeres e posses desde cedo e isso exerce certo efeito sobre eles, tornando-os moles, onde somos duros, cínicos onde somos confiantes, a ponto de ser difícil compreender para quem não nasceu rico". O conto era O Moço Rico, belissimamente traduzido por Mário Faustino.
     A senhora, tava demorando, me interrompe, perguntando onde tá a graça da conversa. Em parte alguma. A situação não tá pra risos, nem pra flozô.

(Crônica publicada em Curto&Grosso de 20.3.16, Jornal do Comércio)

José Teles é autor de vários livros, veja aqui.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Em Uma Tarde de Outono, Olavo Bilac


Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

Olavo Bilac, in "Poesias"
Imagem: www.calendariobr.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2016

Formas do Nu, João Cabral de Melo Neto

1.Aranha passa a vida
tecendo cortinados
com o fio que fia
de seu cuspe privado

Jamais para velar-se:
e por isso são ralos.
Para enredar os outros
é que usa os enredados.

Ela sabe evitar
que a enrede seu trabalho,
mesmo se dela mesma,
o trama, autobiográfico.

E em muito menos tempo
que tomou em tramá-lo
o véu que não a velou
aí deixa abandonado.

2. Somente na metade
é o aruá couraçado.
Na metade cimento,
na laje do telhado.

Porque apesar do teto
que o veste pelo alto,
o aruá exite nu
nu de pele esfolado.

Sua casa tem teto
mas não tem assoalho:
cai descalça no mangue,
chão também escoriado.

E o morador da casa
se mistura por baixo
com a lama já mucosa:
bicho e chão penetrados.

3.Que animais prezam o nu
quanto o burro e o cavalo
(que aliás em Pernambuco
jamais andam calçados)

A sela e a cangalha
deixam-nos sufocados
como se respirassem
também pelos costados.

É vê-los se espojar
na escova má do pasto
quando lhes tiram o arreio
e os soltam no cercado:

se espojando, têm todos 
os gestos de asfixiado:
espasmos, estertores
de asmático e afogado.

4. O homem é o animal
mais vestido e calçado.
Primeiro, a pano e feltro
se isola do ar abraço

Depois, pedra e cal
de paredes trajado
se defende do abismo
horizontal do espaço

Para evitar a terra,
calça nos pés sapatos
nos sapatos, tapete
e nos tapetes, soalhos.

Calça as ruas: e como
não pode todo o mato,
para andar nele estende
passadeiras de asfalto.

 Imagem:www.fotos.com.br

sexta-feira, 11 de março de 2016

Um Dos Melhores do Enem

Em 2014 havia 6,2 milhões de estudantes fazendo ENEM. O Tema  da redação foi: Publicidade Infantil Em Questão do Brasil.   Apenas 250 alunos conseguiram nota máxima e Antônio Ivan Araujo, do Ceará, foi um deles com o texto:


"A publicidade infantil movimenta bilhões de dólares e é responsável por considerável aumento no número de vendas de produtos e serviços direcionados às crianças. No Brasil, o debate sobre a publicidade infantil representa uma questão que envolve interesses diversos. Nesse contexto, o governo deve regulamentar a veiculação e o conteúdo de campanhas publicitárias voltadas às crianças, pois, do contrário, elas podem ser prejudicadas em sua formação, com prejuízos físicos, psicológicos e emocionais.

Em primeiro lugar, nota-se que as propagandas voltadas ao público mais jovem podem influir nos hábitos alimentares, podendo alterar, consequentemente, o desenvolvimento físico e a saúde das crianças. Os brindes que acompanham as refeições infantis ofertados pelas grandes redes de lanchonetes, por exemplo, aumentam o consumo de alimentos muito calóricos e prejudiciais à saúde pelas crianças, interessadas nos prêmios. Esse aumento da ingestão de alimentos pouco saudáveis pode acarretar o surgimento precoce de doenças como a obesidade.

Em segundo lugar, observa-se que a publicidade infantil é um estímulo ao consumismo desde a mais tenra idade. O consumo de brinquedos e aparelhos eletrônicos modifica os hábitos comportamentais de muitas crianças que, para conseguir acompanhar as novas brincadeiras dos colegas, pedem presentes cada vez mais caros aos pais. Quando esses não podem compra-los, as crianças podem ser vítimas de piadas maldosas por parte dos outros, podendo também ser excluídas de determinados círculos de amizade, o que prejudica o desenvolvimento emocional e psicológico dela.

Em decorrência disso, cabe ao Governo Federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor – composto por associações que buscam se organizar para conseguir melhorias na sociedade – deve conscientizar, por meio de palestras e grupos de discussão, os pais e os familiares das crianças para que discutam com elas a respeito do consumismo e dos males disso. Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido. Além disso, ele deve multar as empresas publicitárias que não respeitarem suas determinações. Com esses atos, a publicidade infantil deixará de ser tão prejudicial e as crianças brasileiras poderão crescer e se desenvolver de forma mais saudável."


Fonte:G1

quarta-feira, 9 de março de 2016

A volta do marido pródigo, Guimarães Rosa


Lalino Salãthiel é um mulato esperto que nunca chega na hora para o trabalho árduo na mineração da terra. Seu Marra vigia o tempo todo os trabalhadores, mas nem ele pode com o protagonista. Este vive criando histórias e justificativas para não se matar de trabalhar. Alguns gostam muito dele, outros o desprezam. Generoso acredita que o espanhol Ramiro está cercando a esposa de Lalino.
O protagonista decide ir para a capital. Ele chega ao trabalho, pede as contas e ao regressar para casa vê o homem que tenta conquistar sua esposa, Maria Rita. Lalino tem uma ideia; inventa que deseja partir sem sua garota, mas não tem os recursos financeiros para fazer a viagem. O espanhol cede e lhe empresta um conto de réis. O protagonista embarca para a capital do Brasil.
Um mês se passa e Maria Rita está arrasada. Três meses depois, ela já vivia com Ramiro. Todos acreditavam que Lalino tinha negociado a própria esposa. Mais de meio ano após esses fatos, ele já viveu muitas peripécias em terras cariocas. Mas agora o homem está prestes a ficar sem nada e começa a ficar saudoso. Resolve então retornar para casa.
No vilarejo todos zombam dele. Ele vai à morada do espanhol e exige ver Ritinha, chegando até mesmo a ameaçar Ramiro ao aproximar sua mão do cabo da sua arma. De repente, porém, desiste de falar com a ex-esposa e leva apenas o violão. Verificou que Ramiro cuidava bem da mulher e no igarapé encontrou seu Oscar. O homem se comprometeu a conseguir um espaço para Lalino no mundo da política com seu pai, o Major Anacleto.
Porém o Major tem princípios morais rígidos e não quer dar uma chance para alguém que vendeu a própria família. Tio Laudônio, irmão de Anacleto, que vê em meio á escuridão e tem os sentidos apurados além da conta, intervém a favor de Lalino e consegue demover o Major de sua recusa. Ele pede que Lalino o procure um dia depois. Mas o protagonista só se apresenta na quarta-feira e dá de cara com Anacleto.
O Major tenta mandá-lo embora, mas o mulato o convence de que passou esse tempo fazendo um levantamento de quem era leal a ele e quem o atraiçoava pelas costas. Sabia tudo sobre os planos de Benigno para vencer Anacleto nas eleições. O protagonista demanda a proteção de Estevão, o capanga de quem todos têm medo, e passa a ser visto como o cabo eleitoral de Anacleto.
Tudo vai bem para Lalino até que Ramiro o entrega para o Major. O espanhol conta que ele vinha mantendo amizade com Nico, filho de Benigno. Tocavam e bebiam juntos, inclusive na companhia de Estevão. Anacleto ficou furioso. Porém o mulato o persuade de que tudo faz parte de seus planos para obter informações.
Após um tempo, Lalino pediu que Oscar fosse até Ritinha e falasse com a mesma sem contar que ia a pedido de Lalino. Ele fez o oposto do pedido, inventando intrigas e tentando roubar um beijo da mulher. Ela o mandou embora alegando que era mesmo apaixonada pelo ex-marido. Mas Oscar relata ao protagonista que a ex-esposa tinha, na verdade, se apaixonado por Ramiro.
Uma tarde Ritinha vai até a fazenda e aos prantos implora ao Major que a proteja, pois Ramiro, enciumado, desejava assassinar Lalino e ela; depois ele se mataria. Quando Anacleto exige que lhe tragam o mulato, descobre que ele estava tomando uns drinques com estranhos recém-chegados em um carro. Irado, acreditando ser seus opositores, vê o homem chegar com pessoas do governo, entre eles o Secretário do Interior. Feliz, o Major interveio para reconciliar Lalino e a mulher dele.

De Sagarana. Resumo feito por:Ana Lúcia Santana
Fonte:Infoescola
Imagem: www.trevodotalvez.com.br

segunda-feira, 7 de março de 2016

O Homem e o Rio, Adeilzo Santos

Está seco,

Não chove mais,
O rio só
tem o nome,
O homem obstrui o rio,
Faz o enterro do rio
Achando que o rio está morto.
Depois do enterro, seu jazigo:
Casas e casebres.
O homem se vangloria
O rio está morto
E pode com o rio.
O homem riu do rio.
Passam anos e mais anos
O homem nem lembra
quando enterrou o rio.
Lá vem a chuva,
Molhando a terra,
Encarnou no rio,
É a alma do rio.
E lá vem o rio
Derrubando casas e casebres
Levando tudo que ficar na sua frente.
O homem desesperado chora,
Perdera tudo pro rio.
Ledo engano, era tudo do rio.
O homem desolado
Não entende o rio
Achando que tinha o matado.
Mas o rio apenas dormia.
Por fim. O rio riu do homem.


Imagem: www.observatoriodoclima.eco.br

sábado, 5 de março de 2016

Escrevendo Sem Verbo.

Dá para escrever coerentemente sem verbo?  Bem, eu nunca tentei, mas vi que dá.  Olha só o que encontrei:


Pequenos textos sem o uso de verbos de um exercício proposto a alunos de duas salas de aula de 1º ano de uma escola particular.






 
A menina e sua cama
A menina na cama preta e desarrumada, de noite e com medo da chuva. Na manhã ensolarada, a menina de novo na cama preta, agora arrumada, e com grande alegria!
(Isabella Pereira, Ruth e Evelyn)
O garoto
O garoto de vermelho, sempre feliz com a sua bola no campo florido e verde, perto do riacho claro e fresco. A casa de seu avô ao fundo. Contente por uma natureza fértil!
(Isabella Schnoor e Maisa Gomes)
Parati
Parati, cidade linda e encantadora. Ruas antigas e belas. Ali, a garota contente com Deus, sorriso belo e um andar rápido... Nas ruas de Parati!
(Gyancarla e Aisha)
Branca e preto
O cachorro fedido, numa casa cheirosa, com sobrancelha peluda, feia e laranja. Suas patas imundas, gosmentas e pretas na casa cheirosa, hospedeira e branca.
(Raissa e Arielly)
Paris
Paris, a cidade luz. Bonita e famosa por seus pontos turísticos, como a bela torre Eifel e o museu do Louvre. Sua culinária requintada, grandes estilistas... Cidade dos amantes!
(Camila do Couto e Michelle Santos)

Fonte: Sala de Aula