sábado, 30 de janeiro de 2010

O Começo - (Depoimento de Douglas, comunidade Livro Errante)

L.E: Como conheceu a comunidade?
Douglas:Foi algo bem legal! há um tempo atrás, meu amigão Fagner já tinha me falado que fazia parte de uma comunidade de leitura, achei legal, mas não dei muita ideia... Fomos então passar o reveillon em Copacabana e lá ele falava repetidamente que queria ir num orkontro pra conhecer duas amigas da comunidade, foi onde me apaixonei pela ideia e pelas amigas dele... rsrsr (relembrei do meu tempo em que lia)


L.E:Como se iniciou na leitura?
Douglas:Católico fervoroso sempre lia a bíblia, mas fui ficando adolescente e minha curiosidade religiosa foi aumentando e eu ficando insatisfeito com a minha religião... Como moro no interior, tudo que tenho é a internet e livros pra saciar meu desejo de conhecer o novo, foi então que lia sem parar, era uma média de três a quatro livros por semana... e isso virou uma paixão!

L.E: O que você lia?
Douglas: Bem, na infância eu me dedicava as receitas que vinham nas caixas de condimentos e nos rótulos de shampoo e condicionador ( meu banho levava horas...)

L.E:Lembra se sua mãe (ou outra pessoa) lia historinhas pra vc?
Douglas:Minha mão não tem muita escolaridade, sempre me contava histórias, mas quem lia pra mim, eram minhas tias irmãs do meu pai e minha avó parterna... Liam sempre coisas de criança, três porquinhos, Cinderela, etc. Não gostava muito, mas eu sempre fui ligado a minha irmã mais nova e ficava ao lado dela ouvindo... depois elas liam sobre peixes marítmos....

Acredito que sem a leitura, não desenvolveriamos a capacidade de imaginar!!!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Clarice Lispector em documentário (final)

CADERNO DE TELEFONES
Nicole lembra que o pequeno volume com as entrevistas a acompanhou, como se indicasse a possibilidade de se tornar algo importante em sua vida. “O livro sempre esteve por perto. Lembro que o peguei por causa do Tarcísio Meira: queria ler a entrevista que ele tinha dado para minha tia. Eu era muito fã dele por causa das novelas”, conta. Anos mais tarde, depois da morte da tia Elisa Lispector, “que era a arquivista da família”, a caderneta de telefones de Clarice passou para as mãos de Nicole. “Esse caderno de telefones foi a minha inspiração, porque lá estavam os nomes e telefones de muitos amigos da Clarice. Tinha o telefone do Ziembinski, da Bethânia, da Maria Bonomi, da Tônia Carrero e de muitos outros. Ele me acompanhou durante toda a produção do filme”, relata a diretora.

Nicole Algranti destaca que sua empresa, a Taboca Filmes, não faz só cinema. Trabalha desde 1994 com populações indígenas do Acre, gravando discos de povos da floresta. A diretora ministra aulas de cinema para as populações da região e organiza com sua produtora projeto ligado à Universidade de Oxford, levando literatura, música e cinema brasileiro para a Inglaterra. Atualmente, está em fase de produção de espetáculo inédito de Ferreira Gullar, Romance nordestino, que fará parte das comemorações dos 80 anos do poeta. “O projeto nasceu exatamente no dia em que fomos entrevistar o Ferreira Gullar para o De corpo inteiro”, conta Nicole Algranti.

Sobre a recente biografia de Clarice Lispector, de autoria do norte-americano Benjamin Moser, lançada no Brasil pela Editora Cosac & Naify, Nicole é diplomática: “O Benjamin fez um trabalho muito árduo, foi fundo na história dos judeus na Rússia, mas deu uns sustos na minha família também. Falou coisas que a gente nunca tinha ouvido e nem tudo eu concordo, mas deixo para os leitores a avaliação”, conclui.


TRÊS PERGUNTAS PARA NICOLE ALGRANTI
Por que a escolha pelas entrevistas e pelo trabalho jornalístico de Clarice Lispector, em vez de buscar algum texto mais confessional ou de ficção?


Conhecei, numa tarde na Confeitaria Colombo, a doutora Claire Williams, da Universidade de Liverpool, que veio ao Brasil pesquisar as entrevistas inéditas da escritora, como a da Elke Maravilha. E ela organizou o livro Entrevistas, lançado pela Rocco. Com o livro nas mãos, enxerguei o roteiro na hora. Aí fui buscar a primeira edição do De corpo inteiro, que tinha ao lado do caderno de telefones. O filme já escorria pelas minhas mãos. Aí resolvi fazer dele imagem, som, música, cor, preto e branco, enfim, várias possibilidades que o livro me trouxe. Acho superconfessional, só que a Clarice fala de si mesma de forma homeopática. Em cada entrevista ela vai se revelando um pouquinho.


Você é sobrinha-neta da escritora. Como a memória de Clarice habita sua vida e a de sua família?


Clarice para mim faz parte da história da minha família, irmã da minha avô Tania – que foi a pessoa mais importante da minha vida –, irmã da minha tia Elisa, que me falou histórias tão importantes sobre a Rússia e da nossa família que vivia lá. Clarice faz parte da minha infância, do meu nascimento. Nasci antes do tempo, porque minha mãe foi ficar com Clarice no hospital. Ela havia se queimado e já estava na sétima operação, a anestesia nem fazia mais efeito, ela morria de dores. Mamãe estava de oito meses. Quando mamãe deixou o hospital, impressionada com as dores da tia Clarice, ela desmaiou na Rua Figueiredo de Magalhães e eu nasci no dia seguinte, antes do tempo.


Que lições Clarice tem a oferecer para o jornalismo atual, muito marcado pela superficialidade?


Clarice buscava respostas maiores do que o cotidiano das pessoas apresentava. Porque as respostas nem sempre estavam nos entrevistados, às vezes estava dentro da própria Clarice. Até os jornalistas hoje precisam buscar dentro de si mesmos as respostas que perguntam aos outros. As lições são de ser humano, não havia técnica, apenas Clarice mantinha uma verdadeira ternura para com seus entrevistados.




DE CORPO INTEIRO – ENTREVISTAS
Direção, roteiro e produção de Nicole Algranti
Taboca Filmes, 67 minutos. Extras (18 minutos): Making of e curta-metragem O ovo, com narração de Maria Bethânia



(Do jornal UAI, Belo Horizonte - MG) 

Clarice Lispector em documentário (1)

José Carlos de Oliveira, vamos fazer uma entrevista ótima, no sentido de sincera? Hoje não é meu melhor dia, porque estou muito gripada e triste.” É dessa forma pouco comum que Clarice Lispector começa a conversa com o cronista Carlinhos de Oliveira. O papo segue caminhos inusitados. O entrevistado manda a entrevistadora “deixar de frescura”; Clarice implora por um fecho de ouro para salvar seu trabalho (“minha tentativa de sobrevivência financeira”); confessa que gosta muito de seu entrevistado e, no meio de tudo isso, solta uma questão metafísica: “Carlinhos, o que vem depois da morte?”. A grande romancista, autora de A paixão segundo G.H., um dos momentos mais altos da literatura brasileira do século 20, fez jornalismo para viver e criar os filhos. Mas, como tudo que tocava se tornava Clarice, acabou por criar um jeito pessoal de entrevistar que revelava aspectos profundos de seu interlocutor, ao mesmo tempo em que denunciava o que ia em seu coração. Parte desse material foi publicado em 2007 no livro Entrevistas (Editora Rocco) e está agora disponível no curioso documentário ficcional De corpo inteiro – Entrevistas, dirigido pela sobrinha-neta da escritora, Nicole Algranti.




Feito diretamente para a televisão e para o mercado de DVDs, o trabalho reúne 15 entrevistas realizadas por Clarice Lispector com personalidades da cultura brasileira para a revista Manchete, entre 1968 e 1969. A seção se chamava “Diálogos possíveis”. A ideia da diretora foi convidar atrizes para interpretar a escritora e atores para dar vida aos entrevistados. Os que estão vivos (Ferreira Gullar, Tônica Carrero, Maria Bonomi, Nélida Piñon, Oscar Niemeyer e Elke Maravilha) foram convidados a responder às mesmas questões de Clarice, mas com liberdade para mudar as respostas anteriores. O resultado é um painel de época que é também um mergulho em algumas das possíveis Clarices que moravam dentro de Clarice Lispector. A costurar os vários quadros, passagens que trazem uma mulher solitária, interpretada por Aracy Balabanian.


“O filme teria sido um documentário, se todos estivessem vivos, mas passou a ser uma ficção com pitadas de documentário”, explica Nicole. A primeira entrevista traz Beth Goulart na pela da escritora, em conversa com Nelson Rodrigues, interpretado por seu filho, Jofre Rodrigues. Elegante, com semelhança física impressionante, a atriz carrega nos erres, uma marca da pronúncia de Clarice, e faz perguntas ao mesmo tempo profundas e aparentemente ingênuas: “Você é de esquerda ou de direita?”; “Você se sente um homem só?”; “O que é o amor, Nelson?”. Profundamente distintos em termos de estética e visão de mundo, os dois parecem se encontrar exatamente na fuga dos temas mais conjunturais para se aprofundar no mistério da existência e da solidão.


Outro momento forte do filme é o diálogo com Fernando Sabino. Louise Cardoso dá vida a uma Clarice mais solta e solar, talvez pelo fato de se encontrar com um grande amigo, com quem sempre se aconselhava e com quem trocou cartas reveladoras (mais tarde editadas no volume Cartas perto do coração). Curiosamente, o ator Fernando Eiras mostra um Sabino tímido, quase introspectivo, distante da imagem pública do escritor falante e seguro. A caracterização é forte e dá uma dimensão profunda aos questionamentos de Fernando Sabino sobre a morte e religião. Letícia Spiller interpreta Clarice em duas entrevistas, com Carybé (vivido por Paulo Vespúcio) e Jorge Amado (interpretado por Jayme Cunha). Criada no Nordeste, a bela imagem de Clarice andando pelas ruas de Salvador revela uma sensualidade que encanta quando comparada com a ideia de uma escritora cerebral e filosófica. Há um impulso para a alegria captado com sensibilidade.


A escritora é interpretada ainda pelas atrizes Silvia Buarque (em entrevista com Hélio Pellegrino/Chico Diaz), Dora Pellegrino (que conversa com Djanira/Giovanna De Toni e Carlinhos Oliveira/Paulo Tiefenthaler) e Rita Elmor (em diálogo com João Saldanha/Karan Machado). Nesses casos, tanto o texto da atriz como o dos entrevistados seguem linha a linha o encontro original. As entrevistas realizadas com Niemeyer, Gullar, Tônia, Nélida, Bonomi e Elke têm as perguntas mantidas, dando liberdade aos entrevistados de responder com espontaneidade. Comparadas com o texto publicado no livro, percebe-se que há poucas mudanças. Com exceção da entrevista com Tônia Carrero, que transborda emoção. Para realizar essa parte do DVD, mais documental, o papel da Clarice entrevistadora foi entregue aos jornalistas Arnaldo Bloch, Deolinda Vilhena e Tânia Bernucci.


A trilha sonora do DVD traz tema composto por Frejat, mas o destaque fica para a música inspirada em texto de Clarice Lispector retirado de Água viva, livro que Cazuza afirmava ter lido mais de 100 vezes. O poeta musicou as palavras da escritora, em canção interpretada no filme por Adriana Calcanhotto, com violão de Jards Macalé.


(Do Jornal UAI, caderno  Divirta-se - Belo Horizonte, MG)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Meu sebo

Montando um  sebo  em casa.  Enquanto faço a organização posso  ser encontrada na estante virtual:virtual:http://www.estantevirtual.com.br/acervo/reggyna .  Diretamente comigo, pode pegar o acervo  completo.

O melhor do  Mau humor, Ruy Castro
O Amor de Mau Humor, Ruy Castro
Minha Razão de Viver-memórias de um  repórter, Samuel Wainer
A Casa Demolida, Sérgio Porto
A Comédia Humana, William Saroyan
Lolita, Vladimir Nabokov
Para Viver Um Grande Amor, Vinicius de Moarais
A Boa terra, Pearl S.Buck
A Afeto  Que Se Encerra, Paulo Francis
Platão (col. Os Pensadores)
Satiricon, Petrônio
Meu Tio Atahualpa, Paulo de Carvalho Neto
Fizemos Bem Em Resistir, Affonso Romano de Sant'Anna
O Jornalista, O Escritor e O Aviador, Aluizio Falcão Filho
Os Olhos Azuis da Sombra, Paulo Fernando Craveiro
O Pesadelo de Svetevena, Hugo Vaz

(em construção)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A espermatolândia, Matheus Carvalho Brandão



Livro de educação  sexual para crianças  seria mais um nas estantes do país mesmo  que bem  escrito por qualquer  dos autores infantis  brasileiros. Porém
A Espermatolândia, lançado no ano passado Instituto Natural de Desenvolvimento Infantil  (INDI),  foi escrito e ilustrado por um garoto  de 11 anos.
Residente em Brasília porém nascido no Recife, Matheus Carvalho Brandão Cavalcanti escreveu o livro como  trabalho  escolar a partir de um  filme sobre educação  sexual exibido em  sua escola.  Apresentou o livro na feira anual e foi sucesso.


Matheus  explica que escreveu e desenhou sozinho porque queria, palavras dele, um  livro que não parecesse com nenhum. Conseguiu. O livro  foi impresso no  formato original de um  espermatozóide.
Onde comprar?
www.thesaurus.com.br
Thesaurus Editora de Brasília - Fone: (61) 3344-3738 - Fax: (61) 3344-2353 - E-mail: sac@thesaurus.com.br
Preço: R$25,00

Sem comida e pede livros -



Phapichue, o haitiano da foto acima, tem 18 anos, um par de óculos e nada para fazer. Ele mora em Cité Soleil, o favelão de Porto Príncipe, num barraco erguido sobre os escombros do terremoto. Como a maioria das pessoas por lá, acostumou-se à sede e à fome.

No entanto, quando conheci Phapichue, ao entardecer da última sexta- feira, ele não me pediu água, comida ou dinheiro. Pediu-me livros. “Eu estudava português”, ele me disse, ao descobrir que falava com um brasileiro. Estudava, no passado mesmo. A escola dele desabou.

Tentamos conversar em português. Phapichue sabia poucas palavras: “sim”, “não”, “obrigado”. Compreendia bem, mas se enrolava na hora de falar. Ele insistiu - queria livros. “É a primeira vez que vejo um estrangeiro aqui, que não seja militar. Cité Soleil é longe. A ajuda não chega”, argumentou.

Reparei que ele portava um tocador de MP3. Estranhei: “Se você tem dinheiro para comprar um desses, deve ter para comprar um livro”. Phapichue riu-se todo e disse, apontando para a engenhoca: “Achei esse aqui no lixo”. A risada sublinhava o óbvio: não se acha livros no lixo haitiano.


Expliquei que trouxera apenas dois livros para a viagem - e que, naturalmente, ele teria imensa dificuldade para conseguir lê-los. Phapichue assentiu. “Mas quando você voltar aqui, poderia trazer livros, não?”, ele arriscou. “Não sei se voltarei para cá”, eu disse.


Percebi que ele diminuía ao som das minhas palavras. Perguntei se poderia fazer algo. Phapichue parou, pensou por alguns instantes e respondeu: “Você não é jornalista? Conte o que está acontecendo aqui. Faça a ajuda chegar”.

(Do blog  de Diego Ecosheguy - foto de: Gilberto Tadday; Revista Veja 26/01/2010)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dia do Carteiro - 25 de Janeiro


Da carta de Caminha até a criação do primeiro correio brasileiro passaram-se 173 anos. Em 1673, era criado o "Correio-mor das cartas do mar", que não resolveu o problema de ligação postal entre Brasil e Portugal já existente e preocupante. Os dois países não mantinham um serviço organizado e eficiente, tendo que recorrer às nações vizinhas.




Em 25 de janeiro de 1663, foi criado o Correio-Mor no Brasil, nome dado à função de carteiro naqueles tempos. Luiz Gomes da Matta Neto, que já atuava como Correio-Mor em Portugal, assumiu o posto no Brasil e se tornou o responsável pela troca de correspondências da Corte.



As outras pessoas que quisessem enviar correspondências, tinham de utilizar os serviços de mensageiros, viajantes (como tropeiros ou bandeirantes), ou de escravos. Só a partir do ano de 1835, a Empresa de Correios deu início à entrega de correspondências em domicílios. E em 1852, o telégrafo foi introduzido no Brasil.


A primeira agência postal é criada no mesmo ano na cidade de Campos, no Rio, e o serviço de caixas postais passa a ser instituído em 1801.


Em 1844, é criado o serviço de entrega de correspondências a domicílio e 83 anos depois, em 1927, inicia-se o transporte de correspondência via aérea entre América do Sul e Europa.


Três anos mais tarde, o então presidente da república, Getúlio Vargas, instituiu o Departamento de Correios e Télegrafos (DCT), que originaria a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), criada em 20 de março de 1969 e responsável pela prestação de serviços postais, recebendo e despachando para todo Brasil.


Nós da comunidade Livroerrante que dependemos desses simpáticos profissionais nem  sabíamos que os carteiros percorrem diariamente 397 mil quilômetros. O  que corresponde a quase 10 voltas em torno da Terra para entregar, por ano, 8,3 bilhões de encomendas.


O país possui 56.200 carteiros, sendo que 5.738 são mulheres.

(fontes: IBGE/Correios)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Agradável surpresa: O Olho da Rua



Terminei ontem um dos mais belos livros que já pude ler:  Olho da Rua, uma repórter em  busca da literatura da vida real.
Não  conhecia a autora, posto  que desde há algum tempo não leio a revista Época onde Eliane Brum publicou as matérias que pôs no livro. Agora que lí admito  que minha ignorância sobre ela é imperdoável.


O Olho da Rua, traz matérias feitas do cotidiano mais esquecido, diverso em  assunto  e localização, mais pungentemente brasileiro.  A autora diz que  não  sai a mesma de nenhum daqueles momentos e talvez não saiba que o leitor também não fica imune a seu livro. 
O Olho da Rua conta histórias, como  a de Hustene, migrante nordestino em  São Paulo cuja dignidade entristece por ser minoritária mas, ao mesmo tempo, dá esperança a quem, como  eu, supunha já não haver mais quem  tivesse vergonha de não produzir.  Hustene envergonha-se de não poder pagar dívidas num país onde essa atitude já é considerada bobagem. Hustene também se recusa a receber bolsa-família  já que, não produzindo nada para o país,  estaria esmolando.  
Imigrante nordestino  em São Paulo existem aos milhões, claro. A Terra do Meio , no  estado  do Pará, já  foi alvo  de reportagens; As mães de  meninos do tráfico também  já estiveram  até  sob lentes de cinegrafistas.  A diferença está no olho que Eliane Brum pos n'O Olho da Rua, seu último livro  editado pela Ed.Globo.  Uma aula bem  dada de belíssimo  jornalismo. O livro é, de capa a capa, um  show completo. A escolha das matérias, o apuro com  que foram feitas, as fotografias-obras-de-arte, os comentários sinceros e contundentes da autora sobre cada situação, incluindo seus erros. Tudo, escrito maravilhosamente bem.
É um livro imperdível.  Não  tendo a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, parabenizo, daqui, Eliane Brum, por livro  tão necessário. Formidável de ponta a ponta.

Serviço:
O Olho da Rua - Uma Repórter em Busca da Literatura da Vida Real
Páginas: 424, brochura.
R$48,0 ( Liv.Cultura)

Outros livros da autora:
Coluna Prestes, o avesso da lenda (1994 - Artes e ofícios) Esgotado na Editora
A Vida Que Ninguém Vê (2006 -Arquipélago  editorial)
Uma,Duas ( 2011 - Leya Brasil)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Escambo : Nove Noites


O livro Nove Noites do autor carioca Bernardo Carvalho está terminando  trajeto na comunidade LivroErrante e breve chegará às minhas mãos. Alguém  quer   trocá-lo por outro?  pode oferecer.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Furto em livrarias

Lendo os jornais na internet me deparo com uma notícia que me chamou a atenção: "Furto em livraria representa..."   Não  foi o furto que me surpreendeu, porque isso  já não surpreende mais ninguém. Meu espanto  foi o local. Nunca tinha ouvido  falar em  furto  à livrarias. Inocência essa minha!

A Associação Nacional do Livro (ANL) informa que as perdas com furto de livros chegam a 4% ao ano. Uma grande cadeia de livrarias está melhorando  seu  sistema de segurança por causa dos furtos em  todas as suas unidades.

Como os furtos em outros estabelecimentos, nas livrarias existem também os alvos prediletos. Atualmente os livros mais  procurados pelos ladrões são:

A História da Feira - Humberto Eco, R$162,90
Se Abrindo Para a Vida, Zilda Gaspareto, R$36,00
Lua Nova,Stephenie Meyer, R$39,90
Atlas da Anatomia Humana,Johannes Sobota, R$695,00
Além do Bem e do Mal, Nietzsche, R$15,00 a 30,00
O Símbolo Perdido, Dan Brown,R$31,90
O Pequeno Príncipe, Exupèry,R$31,90
O Diário de Anne Frank, R$42,90

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Coleção Taba, quem tem?

Quem, no Recife  tem a coleção ou alguns fascículos da Coleção TABA, lançada nos anos 80 pela Abril Cultural? 




quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Magrelinha

Magrelinha
Lêda Porto Valença
No começo ela achou muito bom, porque, finalmente, tinha saído daquele lugar , pois não gostava de lá.

É certo que ali tinha umas amigas bem parecidas com ela, parecidas não, quase iguais só havendo diferença mesmo na cor das roupas e nos tamanhos , porque eram umas maiores que as outras. Porém, nenhuma tinha o cabelo azul igual ao dela. Nenhuma!

Mas mesmo assim ela não se sentia feliz morando naquela casa.
Lá havia muitos papéis, caixas, bichinhos de pelúcia, lápis de cores, tintas, pincéis, cartões... e todos os dias muitas pessoas passavam por ali, mas eram todas estranhas. De vez em quando, alguém que chegava olhava para elas, que ficavam sempre juntas,pegava uma delas, punha na palma das mãos , revirava, balançava, tornava a olhar,depois pegava uma outra, mais outra,deixava pra lá e ia embora. Ela ficava com uma raiva daquilo! Por que tinham de pegá-las?

Quando ia ficando de noite ou nos dias de domingo, ia todo mundo para casa e aí era bem legal: elas ficavam à vontade e brincavam, corriam, cantavam,mexiam naquelas coisas todas. Ela só não mexia mais naquela coisona , parecida com uma televisão,porque, uma vez tocou,sem querer, num objeto feito um rato e, de repente,aquela coisona acendeu um monte de luzes bem pequenininhas, que ela não acertou a apagar de jeito nenhum. No outro dia ouviu o dono da casa perguntar várias vezes, bastante aborrecido: “Quem mexeu aqui?”, “Quem deixou isso ligado a noite toda?”aí ela ficava bem quietinha no seu canto, porque também não adiantava falar que ninguém as escutava.

Um dia apareceram por lá duas moças que olharam muito para ela, pegaram nela (argh!) levaram-na para casa e passaram a chamá-la se Magrelinha.

Como eu disse antes, no começo ela gostou da nova moradia: era bem arrumadinha,sossegada,não havia aquele entra e sai de gente o dia todo, de vez em quando ela passeava um pouco...Mas acontece que por ficar quase o tempo todo num só lugar, perto da porta de entrada, depois de alguns dias ela danou-se a reclamar:

“Tem jeito não, Portabranca, pra todo lugar que eu vou tem sempre uma coisa ruim. Aqui é essa história de eu ficar o tempo todo nesse corredorzinho, olhando as mesmas coisas: um jarro com flores, dois porta-retratos, uma bonequinha vestida de amarelo, um quadro bem pequenininho...”
“Ah, Magrelinha, a vida é assim mesmo;umas coisas são agradáveis, outras não. É assim com todo mundo. Eu também não fico aqui o tempo todo?”
"Sim, Portabranca, mas pelo menos vê as pessoas que chegam e saem. E eu, na hora em que você dá passagem a elas, tenho de ficar escondinha atrás de você, não fico nem sabendo quem entrou e quem saiu dessa casa.
“Pare de tanto reclamar, Magrelinha! Você só fala das coisas ruins mas eu sei que de vez em quando você sai para passear, não é?

“É. E quando isso acontece é bem divertido. As moças me levam num transporte onde sempre tem espelhinho, batom,escova de cabelo,perfume, essas coisas de que mulher gosta, respondeu Magrelinha.”

“Pior é para mim. Magrelinha, pois além de não poder sair daqui, às vezes ainda levo umas pancadas de pessoas apressadas que chegam. E eu nem sei porque batem tanto em mim!”

“Mas eu nem tenho com quem conversar que não seja você, Portabranca. Com a boneca que mora na estante, eu já tentei, mas ela é chique, orgulhosa e nem me dá ouvidos. Tem também um colega meu, perto do jarro,que só vive deitado. Acho que ele está doente ou com muita raiva porque lê é roxinho roxinho. Não dá pra puxar papo. Logo ele que deveria ser bem sortudo, pois tem o desenho de um trevo.”
“Magrelinha, será que você ainda não se deu conta de sua importância?! Apesar de eu ser grandona e forte é em você que reside a minha segurança. Já parou para pensar sobre isso?”


“Ah, Portabranca, mas você é muito mais feliz do que eu. Tem suas irmãs por perto, tem um olho que faz mágicas pra você se divertir e todo mundo se preocupa com você. Tento é que em todos os lugares onde moro, sempre ouço as pessoas dizendo:”cuidado com a porta.” “antes de ir se deitar, dê uma olhadinha na porta.”

“Ah, é? Mas se eu desaparecer ninguém fica desesperado procurando por mim. Já com você é diferente. Quase toda hora eu escuto uma das moças falando “cadê o chaveiro da Magrelinha? Ou meu Deus, onde eu deixei o chaveiro da Magrelinha?”

“Sabe de uma coisa, Portabranca? Você me convenceu. Cada um tem um papel a cumprir e o certo é que sempre estamos precisando da ajudas dos outros , não é? Isso até me faz lembrar uma canção que diz assim:” não há você sem mim, eu não existo sem você...(*)” “Então vamos cantar?

(*) Eu Não  Existo  Sem  Você - Tom Jobim e Vinícius de Moraes
 
Do Livro: Linhas, Botões e Retalhos - organizado por; Ana Carol Lemos e Kika Freyre, com os textos produzidos pelos alunos do  curso  de contação  de histórias, turma  de 2009.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Libertação - Sándor Márai

Libertação - Sándor Márai
Companhia das Letras,  lança agora o pequeno volume intitulado Libertação, escrito durante o mês de agosto de 1945, ainda sob o calor da guerra, porém só publicado após a morte do autor.

Em meio a uma Budapeste cercada pelas tropas soviéticas e devastada por incessantes bombardeios, Erzsébet, a protagonista, procura um abrigo para proteger o pai, famoso astrônomo e matemático conhecido por suas posições antifascistas. O desmoronamento do totalitarismo nazista intensifica o clima de perseguição e eliminação de inimigos de todas as matizes, de judeus a simples liberais. Com a cidade ocupada pelos alemães, tanto a Gestapo quanto os fascistas húngaros ansiavam por colocar as mãos sobre o renomado cientista.
Erzsébet, movida pelo desespero, recorre a uma personagem denominada apenas como o adventista a fim de ocultar o pai. Depois de 10 meses de fuga, o cientista fica emparedado em um recinto semelhante a um túmulo.
(do Jornal  do Brasil)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dia Mundial da Paz, esse é o dia.

Meu  feriado predileto é hoje, o  Dia Mundial da Paz. Volto, então, para desejar que a paz não  se resuma é um  dia  de descanso obrigatório pré determinado no  calendário. Desejo que  cada um  de nós seja capaz de tê-la e, mais que tudo, transformá-la num  bem necessário, urgente, intransferível. Pessoal agora para ser real e coletivo amanhã.



John Lennon


Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us

And the world will be as one