terça-feira, 8 de abril de 2008

Comentário

O Que Podemos Fazer?
Regina Porto

Recebo de Letícia matéria sobre hábitos de consumo de cultura pelo brasileiro. A matéria, encomendada pela Fecomercio-RJ, mostra que nós vamos pouco a shows, teatro, cinema e lemos pouco. “-- A pesquisa derruba todo o cenário construído até agora sobre o tema, que fala muito de preços altos e do medo da violência na rua. Ela mostra que o brasileiro não consome cultura porque não conhece e, por isso, não gosta. È uma falta de hábito que leva ao desinteresse, o que só pode ser resolvido num trabalho de longo prazo – resume o presidente do Sistema Fecomércio-RJ, Orlando Diniz.”
Prossegue dizendo que a falta de hábito foi constatada em todas as classes sociais. Detenho-me nos livros e encontro, ainda na matéria, o que se segue: “Do total de entrevistados, 69% disseram, por exemplo, que não leram nenhum livro ano passado.”
A pesquisa diz que é irrelevante se da classe A ou D se tem instrução universitária ou básica. A pouquíssima leitura é a mesma. Somente 5% declararam não poder comprar livro. Para os demais a falta de hábito ou apenas o franco: “não gosto”.

Desde março quando recebi a matéria, fiquei pensando sobre esse desinteresse pela leitura.
O preço, só afetou 5% e mesmo assim temos de pensar se o percentual não é realmente menor uma vez que a proliferação de bares é visível.
Não creio que o computador tenha afastado ninguém dos livros. Alguma pesquisa sobre isso?
A escolaridade básica não teria alguma participação nisso? Existem muitas crianças analfabetas totais mesmo freqüentando as terceiras-séries;
Em missa ou cultos evangélicos, preciso da ajuda divina para compreender o que de forma gaguejada, acentuação incorreta e sem pontuação é lido pelos fiéis.
Outro dia ouvi uma professora me dizer entristecida, porém convicta: “eles se entértem com qualquer coisa, como posso dar aula desse jeito?”

Engano. Alunos e professores são vitimas de um descaso imenso e de longas datas. Não há eficácia em nenhuma campanha de incentivo à leitura se não passar antes pela melhoria do ensino básico. Trabalho árduo e prolongado para resultado não tão imediato que dê votos a este, o próximo e o próximo presidentes. Mas se jamais começar, desde agora teremos a certeza de que, como num dominó, breve teremos reitores “entertidos” em livros líquidos e não em seus afazeres administrativos. É grave.
Que podemos fazer? É urgente.


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O livro mais vendido da última semana de março 2008 custa: 16,63 latinhas de cerveja.

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Matéria citada publicada no Jornal O Globo do dia 28/03/2008
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