Pular para o conteúdo principal

Postagens

Balada do Poema Que Não Há, Manuel Alegre

Quero escrever um poema   Um poema não sei de quê   Que venha todo vermelho   Que venha todo de negro   Às de copas às de espadas   Quero escrever um poema   Como de sortes cruzadas   Quero escrever um poema   Como quem escreve o momento   Cheiro de terra molhada   Abril com chuva por dentro   E este ramo de alfazema   Por sobre a tua almofada   Quero escrever um poema   Que seja de tudo ou nada   Um poema não sei de quê   Que traga a notícia louca   Da história que ninguém crê   Ou esta afta na boca   Esta noite sem sentido   Coisa pouca coisa pouca   Tão aquém do pressentido   Que me dói não sei porquê   Quero um poema ao contrário   Deste estado que padeço   Meu cavalo solitário   A cavalgar no avesso   De um verso que não conheço   Que venha de capa e espada   Ou de chicote na mão   Sobre esta noite acordada   Quero um poema ...

Juarez Machado, entrevista

Às seis horas da manhã, o artista plástico Juarez Machado (6 7 ) pula da cama, assobiando, feliz da vida. O motivo do astral estratosférico: em minutos estará na frente do cavalete, exercendo o ofício que dá sentido à sua vida. "O centro do meu universo é meu cavalete, meu ateliê", diz o catarinense para quem o humor é o primeiro estágio da inteligência. O artista de múltiplos talentos - pintura, desenho, escultura, teatro, mímica - diz desenhar "para irritar o diabo". "Ele gostaria de ter o meu talento", afirma, com humor. Há muito tempo Juarez Machado ganhou o mundo. Primeiro foi o Rio, onde foi viver em 1965, e cidade pela qual se apaixonou. Em 1978 começou a "ir para fora": Londres, Nova York, Estrasburgo, na França, Alemanha, Itália. Até que em 1986 se estabeleceu em Paris - outra paixão. Foi passar um ano, acabou ficando. Seu mundo pessoal, leia-se o ateliê em que expressa seu rico e premiado universo interior, ocupa todo um p...

História bonita (16): Murilo Foi Aprovado em 5 faculdades.

     Murilo dos Santos Pavani,jovem de 19 anos, da  cidade de   Palmares Paulista  (SP),conseguiu um feito de  fazer inveja: foi aprovado em medicina em cinco universidades públicas do Brasil:   Famerp, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP), Famema, Faculdade de Medicina de Marília (SP), UFMG, em Belo Horizonte (MG),  USP , em Ribeirão Preto (SP), e Unicamp, em Campinas (SP). O rapaz determinado, que estudou a vida inteira em escola pública, escolheu  a USP onde foi classificado em 20º lugar, num grupo de 90 estudantes.  Ele explica: “Escolhi a USP por causa da qualidade e do renome, é uma das principais faculdades e o principal curso do país. Estudei a minha vida inteira em escola pública e fiz dois anos de cursinho. Entrei no cursinho sem nenhuma base, foi um aprendizado para conseguir passar nas provas”.  (Fonte: www.g1.globo.com)

Conhecendo novos autores: Manuel Alegre.

Minha mãe teve sempre para mim grandes desígnios. Quais eles fossem não sei. Nem ela própria o saberia. Era uma força que vinha de dentro dela, uma obstinação. Ela queria  grandes coisas para mim, um destino, talvez um milagre. Transmitiu-me desde pequeno essa crença em algo de superior que me esperava ou que eu devia cumprir. Talvez por isso vivi sempre uma tensão extrema, creio que muitas vezes à beira da ruptura. Por vezes desorganizava-se, adoecia. Ela não descansava: estava sempre interiormente orientada para um fim. E nunca satisfeita.  Nem consigo nem com os outros. Não sei ao certo o que ela exigia. Nem talvez ela própria soubesse. Sei que me incitava. Era uma fé que quase me obrigava a corresponder, sob pena de eu próprio me considerar um fraco. Não que me estimulasse a ser o melhor, nem sequer a competir. O que ela queria é que eu fosse diferente: o outro, o único. Por ser seu filho . O seu. Sublinhado. Por isso tinha que deixar na vida um sinal, um marco, ...