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Lira itabirana, Carlos Drummond de Andrade

I O Rio? É doce. A Vale? Amarga. Ai, antes fosse Mais leve a carga. II Entre estatais E multinacionais, Quantos ais! III A dívida interna. A dívida externa A dívida eterna. IV                                                         Quantas toneladas exportamos                                                                       De ferro? ...

O Primeiro Dia, Miguel Sousa Tavares

                                              O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente. Um prenúncio de tragédia desceu por ele abaixo, como um arrepio. O que acabara de se lembrar era que não acordara só por acaso ou por acidente: aquele era o primeiro dia, a primeira manhã da sua separação — o primeiro de quantos dias? — em que acordaria sempre sozinho, com metade da cama fria, metade do ar por respirar. ...

Não Leio Mulheres?

                                            Me fiz essa pergunta por causa do movimento nacional "Leia Mulheres" que conheci recentemente. Na  minha lista de leitura de 2015, apenas 8 mulheres:                         Adélia Prado, Chimamanda Adichie, Doris Lessin. Elisa Lucinda, Jane Austen, Lygia F.Telles, Marianne Fredriksson, Muriel Barbery.               Por que apenas 8 de uma lista de 30 livros lidos até agora ? Sei lá! Não faço a menor ideia.  Indicação de amigos, capa, título sugestivo, autoria conhecida (os afro lusitanos, por exemplo), vários motivos me levam a um livro, JAMAIS o gênero.  Sinceramente não sei a raz...

Lenine, Manuel Bandeira.

  Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas. Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções da minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a própria pátria. Lenin...

Sobrinha de Fernando Pessoa abre a Fliporto 2015

Acabei de conhecer o nome de uma escritora portuguesa: Manuela Nogueira. Ela tem quase 90 anos e é sobrinha de Fernando Pessoa.  Em entrevista concedida ao site da Feira Literária, Manuela Nogueira narra, com aquele jeito bem lusitano de falar,como soube da morte do tio predileto: Fliporto: Quando morreu o seu tio, o grande poeta Fernando Pessoa, a Sra. tinha apenas dez anos de idade. Lembra-se da notícia dessa morte e qual o impacto causou em si?   Resposta: Meu tio Fernando morreu quando eu tinha dez anos. Nesse inverno, anormalmente, ficámos na casa do Estoril porque a casa era nova. Minha mãe (irmã de Fernando Pessoa) fazia anos a 27 de Novembro, e ele sempre vinha aos nossos aniversários e não apareceu e mandou um telegrama de parabéns. Tinha havido um ciclone e estávamos sem telefone. Minha mãe que estava imobilizada com uma perna partida ficou muito preocupada. Meu pai foi de comboio a Lisboa e ninguém atendeu quando tocou à porta. Então meu pa...

Livro Encalhado Nunca Mais.

          Quando meus filhos ainda eram crianças, comprei uma pequena estante de livros. Era uma promoção de uma editora renomada. A pequena estante, em madeira, de aproximadamente 55cm vinha com alguns livros. Sim!  Era estante COM livros. Infantil e adulto.        Lembro que todos foram lidos por eles, sendo que os exemplares do Manual do Escoteiro Mirim fizeram mais sucesso.       De minha parte ficou um, Babbit de Sinclair Lewis, que jamais consegui chegar à metade.     Com o passar dos anos todos foram doados.         Segundo Austin Kleon, um dos segredos para ler muitos livros é não insistir em um que não esteja agradando. Na matéria que li aqui ,  ele até sugere jogar  o livro na parede.         Não cheguei a tanto com Babbit. Deixei o exemplar  num banco de  praça no b...