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A Lentidão da Sede, poema de Mia Couto

A chegada dos bois ao bebedouro me ensina a espera, o tempo da água no corpo da terra. O boi não precisa que sonhem O boi bebe e os olhos se enchem de céu. A tarde, terrestre, se ajeita à esteira, mulher se oferecendo ao trançar dos cabelos. Um dia, me cumprirei, findo e final, como os bois se acercam do bebedouro. Um dia serei bebido pelo céu. Em: Poemas escolhidos, Cia das Letras 2016, pág. 35