Hoje a noite lua alta, faltei e ninguém sentiu minha falta. Reccanello Vivia numa gaveta, andava de um lado para o outro, roía uma folha de papel e mais outra, ficava empanturrada. Fazia o casulo,abrigava-se como larva protegendo-se das intempéries. Lançava-se às escaladas com a casa nas costas. Grande decisão, longa a viagem pela parede, rumo aos quadros. Neles fincava bandeira de posse. A conquista de toda colônia. Nunca se ouviu falar que brigassem por um mínimo de pedaço de papel. Inclusa no grupo das miúdas destruidoras silenciosas, tem nos guarda-roupas, quadros e bibliotecas o suficiente, em comida, para os descendentes, até a bilionésima geração, ou mais. Vive, tranquila, no silêncio dos arquivos e onde houver papel ou tecido. Ao morrer jaz, insignificante, sem que se perceba uma ausência. Pode ser que num futuro qualquer, uma criatura humana folheando livros, deliberadamente, ou ...
Poesia, conto, crônica, encontre bons autores e textos aqui.