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Síndrome, Luciene Freitas

Hoje a noite lua alta, faltei e ninguém sentiu minha falta. Reccanello      Vivia numa gaveta, andava de um lado para o outro, roía uma folha de papel e mais outra, ficava empanturrada. Fazia o casulo,abrigava-se como larva protegendo-se das intempéries.      Lançava-se às escaladas com a casa nas costas. Grande decisão, longa a viagem pela parede, rumo aos quadros. Neles fincava bandeira de posse. A conquista de toda colônia. Nunca se ouviu falar que brigassem por um mínimo de pedaço de papel.      Inclusa no grupo das miúdas destruidoras silenciosas, tem nos guarda-roupas, quadros e bibliotecas o suficiente, em comida, para os descendentes, até a bilionésima geração, ou mais. Vive, tranquila, no silêncio dos arquivos e onde houver papel ou tecido.      Ao morrer jaz, insignificante, sem que se perceba uma ausência.      Pode ser que num futuro qualquer, uma criatura humana folheando livros, deliberadamente, ou ...