Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Ouro Preto

Dona Olímpia, Ronaldo Bastos e Toninho Horta (Intérprete: Milton Nascimento)

Vai e não esquece de chorar Vê se não esquece de mentir Dizer até manhã E não regressar mais Vê se não esquece de sumir É ficou assim, caiu no ar É passou assim, não quer passar Não pára de doer E não vai parar mais Nem de vez em quando vai sarar Me xinga me deixa me cega Mas vê se não esquece de voltar Tentar compreender Quase não falar mais E nem ser preciso perdoar Me xinga me deixa me cega Mas vê Ouça aqui , na voz de Milton Nascimento ________________________________________________________________________________ Olympia Angélica de Almeida Cotta , nasceu em um distrito de Mariana, Minas Gerais, em 1889 . Filha de pais abastados, teve uma vida confortável, em uma época em que poucos tinham a chance de ter o básico para sua sobrevivência. Na juventude, a bela Olympia se apaixonou perdidamente por um estudante do curso de Farmácia, em Ouro Preto.  A família de Olympia, preocupada em preservar o patrimônio e a reputação da filha, proibiu o romance porque o jovem estudante não p...

Morte das Casas de Ouro Preto, Carlos Drummond de Andrade

Sobre o tempo, sobre a taipa, a chuva escorre. As paredes que viram morrer os homens, que viram fugir o ouro, que viram finar-se o reino, que viram, reviram, viram, já não veem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro, menos rudes que orgulhosas na sua pobreza branca, azul e rosa e zarcão, ai, pareciam eternas! Não eram. E cai a chuva sobre rótula e portão. Vai-se a rótula crivando como a renda consumida de um vestido funerário. E ruindo se vai a porta. Só a chuva monorrítmica sobre a noite, sobre a história goteja. Morrem as casas. Morrem, severas. É tempo de fatigar-se a matéria por muito servir ao homem, e de o barro dissolver-se. Nem parecia, na serra, que as coisas sempre cambiam de si, em si. Hoje, vão-se. O chão começa a chamar as formas estruturadas faz tanto tempo. Convoca-as a serem terra outra vez. Que se incorporem as árvores hoje vigas! Volte o pó a ser pó pelas estradas! A chuva desce, às canadas. Como chove, como pinga no país d...