Da esquina, dirigi-me diretamente para a amurada da praia. Era pouco mais de meio dia, e a claridade doía-me nos olhos. Eu me sentia incomodado pelo resplendor da paisagem, que me sonegava sinais luminosos, ramos de árvores, calotas de automóveis, uma verruga no rosto lívido de um guarda-civil. No íntimo, desejava que tudo estivesse ao alcance de minha observação, para poder usufruir a totalidade do instante. Fulgindo e refulgindo, o tempo que eu ia atravessando, enquanto meus pés se moviam no asfalto da alameda, parecia negacear, desviar-se de mim como uma onda va dia no mar grande. E eu ia avançando. Sentia achar-me do lado de fora das coisas e da vida. A ambulância passou pela outra alameda e as crianças de um ônibus escolar começaram a imitar a sereia roufenha. Vi também o mendigo. Estava alinuma das primeira linhagens da terra catando alguma coisa no chão. Mas tudo isso passava por mim sem me abalar: coisas turbulentas, era como se fossem sob...
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