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Trigueira, poema de Júlio Dinis

  Trigueira! que tem? Mais feia Com essa cor te imaginas? Feia! tu, que assim fascinas Com um só olhar dos teus! Que ciúmes tens da alvura Desses semelhantes de neve! Ai, pobre cabeça, leve! Que te não castigue Deus. Trigueira! se tu soubesses O que é ser assim trigueira! Dessa ardilosa maneira Porque tu o sabes ser; Não virias lamentar-te, Toda sentida e chorosa, Tendo inveja à cor da rosa, Sem motivos para a ter. Trigueira! Porque és trigueira É que eu assim te quis tanto. Daí provém todo o encanto Em que me traz este amor. E suspiras e murmuras; Que mais desejavas inda? Pois serias tu mais linda, Se tivesses outra cor? Trigueira! onde mais realça O brilhar duns olhos pretos, Sempre húmidos, sempre inquietos, Do que numa cor assim? Onde o correr duma lágrima Mais encantos apresenta? E um sorriso, um só, nos tenta, Como me tentou a mim? Trigueira! E choras por isso! Choras, quando outras te invejam Essa cor, e em vão forcejam Por, como tu, fascinar? Ó louca, nunca mais digas, Nunc...