Para Silvinha O céu de minha infancia era cheio de bichos de nuvem. Olhávamos para ele com o mesmo olhar de quem gosta de cinema. Havia uma grama verdinha, ao lado do rio; e nós dois, eu e minha irmã, deitados de papo pro ar, olhávamos as imagens efêmeras. As nuvens passando. Não ficou vestígio, só a memória do que vimos. - Está vendo aquela? Um carneiro! Ríamos. Agora é um coelho As nuvens são como águas do rio. Passam As águas do rio a gente sabe onde vão dar. Vento fresco da manhã. - Eu acho que as nuvens ficam nervosas com o vento. Ficam mais apressadas. O vento, você sabe o quê? É o cavalo das nuvens. Em: O Livro das Personagens Esquecidas, Cícero Belmar, ed. CEPE, 2022, pág.89
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