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Educar Os Vivos - Nota do autor em As Doenças do Brasil

     O velho no fim do caminho espalhou as cadeiras pelo campo para que ao longe imitassem o rebanho.Pastoreava as cadeiras brancas da cozinha,  quietas como bichos que pasmavam perante o paisagem. Sentava numa pedra e olhava também como sobrava por ali paenas o início do mundo.Tudo o que viera depois, era, afinal, passageiro, uma forma de esperança vã, um gesto inútil contra o regresso dos montes à silvestre vocação de se imaginarem continuamenr e à revelia das pessoas. Eram em ruínas as casas antigas, debaixo de plantas novas,tombadas como esqueletos de graniro desabitados de seus animais. As casas sem ninguém, e vê-las era já haver transcendido, estar para depis da normalidade, se depois, aberrante e ao abandono.      Escutava ainda as vozes dos vizinhos mortos. O que lhe dziam da disciplina dos invernos, do agreste do verão, a partida dos filhos, as doenças à espreita, a pressa, que nnenhum vagar se salva de ser um pouco ilusão. Escutava como canta...

As Doenças do Brasil, Marcio Salgado sobre o livro de Valter Hugo Mãe

O escritor português Valter Hugo Mãe inspirou-se nos povos originários da Amazônia para criar o seu novo romance  As doenças do Brasil . Nele, o guerreiro abaeté, filho do estupro de uma índia por um homem branco, vive um grande conflito ao descobrir-se diferente dos demais. Trata-se de um ato de violência que se repete historicamente de outros modos, e não deveria jamais ser naturalizado. A história é contada a partir da perspectiva abaeté – uma comunidade imaginária –, numa linguagem com todas as licenças poéticas, pois, conforme o autor, escrever é o “caminho para uma coisa nova, como se a própria língua se tornasse estrangeira”. O título do romance é uma referência ao  Sermão da visitação de Nossa Senhora , de padre Antônio Vieira (1608-1697), como mostra a extensa epígrafe do livro. Nela, o teólogo e filósofo alerta para “a causa original das doenças do Brasil: tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares, por onde a justiça se não guarda, e o ...