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À Reconquista, Agostinho Neto.

Não te voltes demasiado para ti mesma Não te feches no castelo das lucubrações infinitas Das recordações e sonhos que podias ter vivido Vem comigo África de calças de fantasia desçamos à rua e dancemos a dança fatigante dos homens o batuque simples das lavadeiras ouçamos o tam-tam angustioso enquanto os corvos vigiam os vivos esperando que se tornem cadáveres vem comigo África dos palcos acidentais descobrir o mundo real onde os milhões se irmanam na mesma miséria atrás das fachadas de democracia de cristianismo de igualdade Vem comigo África de colchões de molas e reentremos na casinha de latas esquecidas no musseque da Boavista até onde já nos empurram ao nos quebrarem as casas de meia água de Cayette e à volta de fogo consolador das nossas aspirações mais justas examinaremos a injustiça inoculada no sistema vivo em que giramos. Vem comigo África de colchões de esmola regressemos à nossa África onde temos um pedaço da nossa carne calcado sob as botas dos magala – a nossa África Vem c...