O poema começa, tudo se afasta
Tento buscar as coisas que fogem.
O mar sempre foge, antes
de cuspir ondas gigantes.
Aos poucos tudo foge. Os carros,
as pessoas, os prédios, o chão
Ergo os braços em busca de auxílio
Mas não há nada nem ninguém
apenas uma luz estranha e difusa.
Tudo é longe. E ri do meu desamparo.
Com suas longas distâncias mínimas
Crateras abertas na terra dos poros.
O poema antes de nascer ferve.
O centro do peito, que aflora
O poema se confunde com o amor
que jorra.
Em: Calor, ed. Usina Pensamento,2017

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