Se você estivesse preso em uma caixadentro de outra caixa no interior de uma floresta,
sem o canto dos pássaro, sem grilos
roçando as pernas, sem folhas
caindo de galhos manchados,
você ainda ouviria o ritmo
do seu coração. Uma maré vermelha
de peixes encalhados oscila na areia,
copulando sob a lua cheia,
& nós podemos chamar a isso o primeiro
ritmo porque o sexo é o que
fez despertar a língua
& ensinou a mão a tocar
bateria & adotar flautas de bambu
antes de serem feitas
de madeira & mito. Em cima
& embaixo, dentro & fora, o pistão
conduz uma casa dos sonhos. A água
pinga até esculpir uma xícara
em uma laje de pedra.
Primeiro, não maior
que um dedal, que guarda
alegria, mas cresce até medir
o ritmo da solidão
que derrete o açúcar no chá.
Há uma temporada para as cobras
soltarem arco-íris na grama,
para os gafanhotos cantarem no estrume.
Sim, sim, sim, sim
é uma confirmação de que a pele
canta para as mãos. O Mantra
da chuva de primavera abre a rosa
& enreda o lírio na sombra,
& alguém assopra os ossos
até que se levantem & vivam
outra vez. Sabemos que todo o peso
depende de pequenos silêncios
em que nos encaixamos.
Saltos altos no amanhecer
é o mais triste refrão.
Se você consegue ver blues
no oceano, claro & escuro,
consegue sentir as minhocas passando por
um caminho subterrâneo
sob cada passo,
Amor, você pegou o ritmo.

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