quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Para degustação: O Que Vem Ao Caso, Inez Cabral

  
   Alguns meses depois da renúncia de Jânio Quadros, sai do Brasil aos treze anos, direto para Madri (onde sua mãe inventa de matriculá-la no balé) e, alguns meses depois, para Sevilha. Tem que aturar mais uma vez a educação que as meninas aristocratas (ela é a única plebeia do colégio) recebem na Espanha de Franco. São preparadas para, ao terminar os estudos, casar e obedecer ao marido ou ir para um convento, opção bem ressaltada nas aulas de religião. Segundo as madres, não é para qualquer uma, apenas as que merecem ouvirão o chamado  de Cristo. 
- Ufa! Ainda bem!
- Quem disse isso?
- Fui eu. É que eu já tenho outros planos.
- Tinha que ser você. Quem você acha que é para ter planos?
- Eu sou a Inez, que a senhora anotou no caderninho outro dia porque não disse "eu acho"antes de responder a uma pergunta.
- Você tem resposta para tudo, não é? Sabe mais do que todo mundo, não é isso?
- Claro que não, ma Mère. Geralmente não estudo e respondo errado. Mas meu pai diz que depois de um "eu acho" vem sempre uma bobagem. Acredito nele, não devia?
- Saia já da sala! Reze um terço na capela, para ver se a Virgem Maria ilumina um pouco essa cabeça de alfinete. Você tem que aprender que, depois de obedecer a suas professoras e seus pais, vai ter de obedecer a seu marido. Isso, claro, se algum rapaz de respeito se interessar por uma moca do seu gabarito.
-Também não tenho planos de me casar um dia,não nasci para obedecer a ninguém.
Na sala ouvem-se risadinhas discretas, o que enfurece a freira
- Vou marcar seu nome no caderninho outra vez.
-Eu ouço e obedeço, ma Mère. Mas, por favor, não esqueça que meu nome é com Z e sem acento.

Cabral, Inez. O Que Vem Ao Caso, Ed.Alfaguara, Rio de Janeiro 2018, pág.40 

Leia também: Literatura como turismo   O Auto do frade

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Soneto da Paz, Joaquim Cardozo

Este soneto é natureza morta,
Traço na alvura, sobra de uma flor,
Sinal de paz que inscrevo em cada porta,
Gesto, medida de comum valor.

É letra e clave, é modulo que importa
Na redução da voz, do som. Calor
Do que vivido foi e inda comporta
Palpitação de implícito lavor.

Moeda que correu por muitas mãos,
Brinquedo que ficou perdido a um canto
Num lago de esquecidas esperanças.

Mas nos seus versos fecho os sonhos vãos
E em notas claras, digo, exalto e canto:
-Paz! Paz! Brincai, adormecei, crianças!

Cardozo, Joaquim. Poesias Completas. Ed.Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1979, pág.64





quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O Que Será Que Vou Ganhar?

Dei duas sugestões ao meu amigo secreto. Qualquer uma delas vai me agradar imensamente. Preciso, no entanto, conter minha curiosidade.

O Que Eu Pedi a Meu Amigo Secreto?

Em seu romance de estreia, Inez Cabral relata as experiências de quando viajava pelo mundo ao lado da família e do pai e poeta João Cabral de Melo Neto, até a idade adulta. O Que Vem ao Caso é baseado nas experiências pessoais de Inez Cabral e reconstrói parte de sua infância, juventude e idade adulta. Os cenários variados do livro — Barcelona, Recife, Rio de Janeiro, Sevilha, Marselha, Madri, Genebra — são as cidades onde morou, sempre acompanhando o pai, o poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto. E para quem acha que este livro é, na verdade, sobre ele, podem esquecer. Aqui o poeta é personagem coadjuvante. Em seu impressionante relato, Inez fala de laços familiares, descobertas pessoais, tentativas e erros, amadurecimento. Vêm ao caso sentimentos, as constantes mudanças de casa, os internatos que frequentou, a entrada na vida adulta, os amores, a maternidade... tudo reconstituído com muito humor. Inez Cabral tem o raro talento de imprimir emoção à narrativa, não importando se o assunto é um fato corriqueiro, uma experiência traumática ou um anedotário familiar. O que vem ao caso é um livro sobre laços familiares irreverente, divertido, uma fantástica jornada entre fragmentos de memória. (Liv. Saraiva)

Organizada pelo contista, romancista e ensaísta Flávio Moreira da Costa, Aquarelas do Brasil mostra a interação entre a música popular e a literatura brasileira em 33 obras-primas da narrativa curta. Pioneira e criativa, esta é uma antologia que canta em prosa nosso Brasil brasileiro e por isso já no título homenageia uma de nossas músicas mais famosas. Como um acorde de Pixinguinha ou o samba de Ary Barroso, a reunião destes textos é um belo e comovente retrato de nossa cultura musical e literária e encontra sua harmonia em meio a ritmos diversos, inspirada em coisas nossas e outras bossas. (Amazon)












Representante de Pernambuco na ONU Precisa de Nossa Ajuda

Aluno de Lagoa de Itaenga pede ajuda para representar o Estado na ONU

Matéria de: Blog da Folha de Pernambuco
 O estudante Estênio Ferreira, do município de Lagoa de Itaenga (PE), foi aprovado na última quinta-feira (22) para integrar a Delegação Brasileira na Assembleia da Juventude da Organização das Nações Unidas nos dias 15 a 17 de fevereiro, em Nova Iorque. Ele busca agora conseguir recursos para custear as despesas da missão internacional.

O evento, com jovens de mais de 110 países, é voltado para a discussão de temáticas sociais e ambientais, conforme os 17 Objetivos Sustentáveis da ONU. Na Assembleia da Juventude, Estênio terá a oportunidade de contar às experiências que passa no Brasil, principalmente em sua cidade onde coordena de forma voluntária uma biblioteca comunitária com a colaboração do farmacêutico Napoleão Baião e do professor João Francisco.
O projeto, criado em 2017, busca contribuir para o acesso ao conhecimento e despertar em crianças e jovens o hábito da leitura. Os voluntários se dedicam à realização de atividades interativas, como palestras sobre a história de Lagoa de Itaenga, rodas de leitura e saraus. Além disso, na biblioteca também são oferecidas aulas de reforço escolar, Inglês e Espanhol para crianças e adolescentes, gratuitamente.

Apesar de ter garantido uma das vagas do evento, Estênio Ferreira não tem condições de arcar com os custos da viagem e por isso conta com contribuições. "Conto com a ajuda de pessoas que acreditam, por exemplo, que a educação é a principal ferramenta de transformação da sociedade, inclusive no combate aos graves problemas causados pelo avanço da criminalidade", diz Estênio. 


Para colaborar: