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Mostrando postagens de Agosto, 2015

Fenelivro-Feira Nordestina do Livro 2015, terça-feira

Estive com Agualusa na Feira do Livro

No stand depois de pegar autógrafo pra meu livro para o da Érika e o da Ju.

Olha a dedicatória aí em baixo.

Morram de inveja.

 Agualusa me disse que morou em Olinda por 6 meses, que frequentemente vem ao Recife e que já esteve numa bienal de Pernambuco com o Mia Couto. 
Na semana passada acabei a leitura de um livro dele, o Nação Crioula e esse que tenho nas mãos é o Viver No Céu, que vou começar a ler hoje. "Este é um livro que eu gostaria de ter lido quando tinha 16 anos: mundo flutuante, dirigíveis! Até acho estranho nunca ninguém ter tido esta ideia. Há imensos livros sobre o fim do mundo, mas as pessoas vão viver para o mar, ou para debaixo da terra." (Agualusa)

Mudança de Idade, Mia Couto

Mudança de Idade
Para explicar
os excessos do meu irmão
a minha mãe dizia:
está na mudança de idade.
Na altura,
eu não tinha idade nenhuma
e o tempo era todo meu.
Despontavam borbulhas
no rosto do meu irmão,
eu morria de inveja
enquanto me perguntava:
em que idade a idade muda?
Que vida,
escondida de mim, vivia ele?
Em que adiantada estação
o tempo lhe vinha comer à mão?
Na espera de recompensa,
eu à lua pedia uma outra idade.
Respondiam-me batuques
mas vinham de longe,
de onde já não chega o luar.
Antes de dormirmos
a mãe vinha esticar os lençóis
que era um modo
de beijar o nosso sono.
Meu anjo, não durmas triste, pedia.
E eu não sabia
se era comigo que ela falava.
A tristeza, dizia,
é uma doença envergonhada.
Não aprendas a gostar dessa doença.
As suas palavras
soavam mais longe
que os tambores nocturnos.
O que invejas, falava a mãe, não é a idade.
É a vida
para além do sonho.
Idades mudaram-me,
calaram-se tambores,
na lua se anichou a materna voz.
E eu já nada reclamo.
Agora sei:
ap…

Fenelivro Feira Nordestina do Livro 2015 (Domingo)

Fenelivro - Feira Nordestina de Livros 2015 (Sábado)

Manhã

09:00 Sala Ariano Suassuna – Minicurso de elaboração de projetos culturais – Ênfase no Funcultura, Alexandre Melo 10:00 Cantinho da Trela – Alice Vitória; O Discurso de Alice. Lançamento dos livros “O Monstro de Chocolate,” “A Bruxinha Boazinha e Os Ratinhos de Circo” e “O Monstro Invisível.”







11:00 Abertura do stand “O livro do futuro, o futuro do Livro.”



Tarde 14:00 Sala Ariano Suassuna – Minicurso de elaboração de projetos culturais – Ênfase no Funcultura, com Alexandre Melo (projeto cultural)
14:00 Sala Louro do Pajeú – Painel Literário – André Neves, escritor e ilustrador, Lenice Gomes,  escritora, Rosinha Campos, escritora e ilustradora e Jane Pinheiro, escritora.
15:00 Café Alberto Cunha Melo – Lançamento Affonso Romano livro “Entre o Leitor e o autor” (Rocco). Adriana Doria Mattos apresenta.

17:00 Sala Louro do Pajeú – “Quem controla o controlador”, com Andréa Nunes e Eduardo Machado (apresenta).






Noite 18:00 Café Alberto Cunha Melo – Lançamento – Poesia em Cena 3, de Flávia …

Carta a Ana Olímpia,José Eduardo Agualusa

Paris, Abril de 1878

Princesa,
          Acabo de receber uma carta de Arcénio de Carpo, na qual ele, inadvertidamente, me dá a conhecer factos que supõe serem já do meu conhecimento.  E não deviam ser? tivesse eu, como as minhocas, cinco corações, e um estaria em festa, outro apertado de angústia, o terceiro em fúria, o quarto duvidando do mundo e o quinto , simplesmente, ardendo de paixão. No meu único coração todos esses sentimentos se confundem, e assim, violentamente confundidos, produzem em mim uma excitação geral, que não sou capaz de controlar ou sequer de definir.
         Vou pois ser pai e tu escondeste-me a notícia. Diz Arcénio que a criança deve nascer em Julho. Significa que quando em Fevereiro nos separámos já guardavas no ventre, ocultando-o de mim, um filho meu. É certo que não pretendia ter filhos, e lembro-me que discutimos esse assunto, e discordámos.  disse-te então que não gostaria que ficasse neste mundo sinal algum da minha passagem, a não ser, vagamente, uma imp…