domingo, 31 de agosto de 2014

Mais Vendidos da Semana (agosto 2014)

            A Partir de hoje o blog vai trazer a lista dos livros mais vendidos da semana. 

Neste domingo a listagem está visível,  numa postagem tradicional, aqui na página principal.  Em setembro os best sellers podem ser vistos do lado direito da tela logo abaixo de Mais Acessadas.


Mais Vendidos da Semana - Ficção

1. A Culpa é das Estrelas , John Green  (74 semanas no topo da lista)

Este blog trouxe postagem relativa a este livro e ao filme.








2. Se Eu Ficar , Gayle Forman 









3. Cidades de Papel, John Green








4. Quem é Você, Alasca , John Green









5.O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry










Mais Vendidos da Semana - Não - Ficção

1.Getúlio 1945-1954, Lira Neto








2.Sonho Grande, Cristiane Correa








3. O Diário de Anne Frank, Anne Frank








4.O Livro da Psicologia, Nigel Benson

5.O Livro dos Negócios, Vários autores


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Errantes, os Livros Que Vão e Voltam.

                             Todos sabem que sou viciada em leitura. Terminar um livro me dá uma rápida sensação de vazio que, por sorte, não demora muito. Falei sorte?  Errei. O que tenho é uma fila de outros  esperando por leitura: Os Predadores, de Pepetela enviado por Malu que caiu de amores pelos autores africanos. Na fila também: História do Cristianismo, de Paul Johnson que recebi de meu sobrinho com a  sugestão de comparar com Zelota, que li antes.  


Contra Vento e Maré e de Llosa de quem sou fã de carteirinha, é um que está me esperando desde janeiro:


                                       
 e A Confissão da Leoa, Mia Couto  que esteve emprestado e voltou há uns três meses. na fila estava outro Pepetela: A Sul O Sombreiro, que emprestei  pra apresentar o autor a uma prima enquanto tento diminuir minha fila.  Eu penso que livro não deve ficar juntando poeira na estante...

                              A ordem da minha leitura pode mudar dependendo da disposição, estado de espírito...  
                              Como estou no momento:    ainda não cheguei à metade de A Fábrica de Papel de Marie Arana, escritora peruana radicada nos USA.  

                                 Fui apresentada a Marie Arana, por Marilda de Goiania porque disse só conhecer Garcia Márquez  com realismo fantástico na América Latina.  Estou muito bem impressionada com Marie Arana, a amiga Marilda tem razão. Saiba mais sobre Marie Arana clicando aqui

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Eu E Os Poetas do Recife, Joaquim Cardozo

                                                 Estive com Antônio Maria, Mauro Mota, Chico Science  e Carlos Pena Filho. 
 Passando pela ponte Maurício de Nassau, uma das várias que ligam o Recife Antigo ao bairro de Santo Antônio, encontrei com Joaquim Cardozo. 

Ele dizia que não era bem um poeta, sua vida é que era cheia de hiatos de poesia. 

Ah, você está me perguntando porque da foto da Igreja da Pampulha?  Tudo bem: o poeta Joaquim Cardozo era engenheiro. Trabalhou com Oscar Niemeyer nas mais conhecidas obras do arquiteto aqui no Brasil. 

" Não visualizo qualquer incompatibilidade entre poesia e a arquitetura. As estruturas planejadas pelos arquitetos modernos são verdadeiras poesias. Trabalhar para que se realizem esses projetos é concretizar uma poesia." (Joaquim Cardozo)


Soneto da Vinda

És a vida? És a morte? Ninguém sabe.
Ninguém! Mas sei que és bela, e sei, sorrindo;
Tão bela e feita para que surgindo
O mundo louve e a Natureza gabe.

Vida! Se és vida, a dor em ti não cabe.
Morte? Morte serias fim infindo.
Presumo que hás de vir antes do fim
do dia, antes que o dia todo acabe

Se queres vir, não tardes, sim, queres...
Se de mim pretendes, se a mim preferes
Não há mais razões, nem há mais confronto...

Esta é a hora de vir, a que convém;
Sem sombra, sem luar,sem sonhos, vem...
-É dia claro, claro, é azul em ponto.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Quem é Menos Chato? Machado de Assis ou José de Alencar

                        Há mais de dez anos, ao mediar uma oficina de leitura e escrita, um voraz leitor de Harry Potter me perguntou: “Qual é o autor menos chato: Machado de Assis ou José de Alencar?” A questão me intrigou: o que acontecia nas aulas de literatura daqueles estudantes para que os dois autores fossem considerados “chatos”? Durante oito anos investiguei, por meio de questionários e entrevistas com mais de 80 professores e 290 alunos, suas práticas de leitura literária.



O cenário é preocupante. Na maioria das aulas, o trabalho com o texto é substituído pela memorização dos períodos históricos literários e das características de época. Além disso, a leitura dos clássicos, difícil sem uma mediação adequada, dá lugar à leitura de resumos, que obviamente não dão conta dos romances estudados.
Por outro lado, a pesquisa constatou que os alunos leem! Talvez não aquilo que seus professores gostariam, mas o que lhes interessa: livros de aventura, cheios de ação, que dão origem a seriados, filmes e videogames e livros românticos, que as meninas devoram rapidamente. Essa “literatura de entretenimento” fica fora da sala de aula, sem direito a discussão ou reflexão.
         Depois disso, o segundo passo seria tomar espaço durante as aulas de português para a leitura de textos literários do cânone escolar. Ao contrário do que pensam muitos professores, ler em sala não significa “perda de tempo”. Diversas pesquisas indicam que a prática da leitura — tanto a conjunta, em voz alta, como a silenciosa e solitária — incentivam a formação de jovens leitores.  Quando professor e alunos planejam e preparam a leitura de um livro, desvendando um texto, uma interpretação coletiva é construída e uma comunidade de leitores pode surgir. Essas comunidades são a base para o alargamento dos horizontes de seus integrantes. Talvez aí Machado e Alencar possam deixar de ser “chatos”...Um primeiro passo para formar leitores críticos seria trazer a literatura de entretenimento para dentro da sala de aula. Trabalhar com o relato dessas leituras, debater a estrutura das narrativas, discutir seu apelo e sua recepção. É preciso partir do que os alunos leem para construir um repertório em comum.
Ao pensar sobre o ensino como uma prática da leitura literária, poderemos garantir a nossos alunos uma porta de entrada para a leitura de textos mais complexos e para essa nossa grande herança, o mundo da cultura escrita.
Gabriela Rodella é doutora pela USP  e autora da tese As Práticas de  leitura literária de adolescentes e a escola: Tensões e Influências.

Matéria da Revista Galileu

domingo, 17 de agosto de 2014

Lygia,Marcelo Diniz




LYGIA
Não, Lygia, a chuva não é triste.
Se tanto agrada a vista avulsa,
nunca pense ser, Lygia, a chuva
um filme mudo em que se assiste

à demora do que persiste,
nem metáfora mais difusa
do que a própria chuva, profusa,
cabendo-se no que consiste.

Não são tristes, não são aflitas,
nem mais nem menos que você,
Lygia, as gotas que você fita

esgotam-se no que se vê:
sem lágrimas por ser finita,
Lygia, a chuva não se entrelê.

(De: Trecho, Marcelo Diniz, ed. Aeroplano

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Eu e os Poetas do Recife, Carlos Pena Filho

                 Saio da visita ao poeta Mauro Mota, para ver Carlos Pena Filho que está lá na Praça da Independência , conhecida por Pracinha. A estátua do poeta está lá porque é o lugar mais próximo ao Bar Savoy (já não existe) citado no poema:













CHOPP
Na avenida Guararapes,o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim.
Nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chope,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra, amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chope,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Carlos Pena Filho, está também aqui, na exposição que vi ou como aniversariante do dia.

domingo, 10 de agosto de 2014

A Deus e ao Diabo Também, Rubem Braga

                       
Ela então me contou seus pecados; primeiro, o primeiro, quando  ainda era mocinha; depois o mais feio, que foi coisa que ela não queria, foi resistindo, mas você compreende, chegou a um ponto em que não dava  nais jeito. O pior é que nessa ocasião tinha um rapaz de quem ela gostava muito e queria ser fiel a ele; "foi sujeira", confessa, "foi sujeira minha"; mas a verdade é que a coisa veio devagar, foi aceitando presentes, depois não sabia o que seria mais vigarista: negar-se ou dar-se; aliás tinha uma simpatia sincera pelo sujeito; mas gostar mesmo era do outro. E  contou mais algumas coisas. Disse uma palavra feia a respeito de si mesma e pediu minha opinião:
     - Não é verdade? - me olhando nos olhos.
     Calei-me; ela insistiu, eu fiz uma evasiva meiga:
     - Você é um amor.
    Então, meu Deus, ela se pôs filosófica. Esticou o longo corpo no sofá, sustentou a cabeça com as mãos:
    - Esta vida...
    E disse coisas; mas sempre queria saber minha opinião. Que eu era um homem vivido, eu sabia das coisas, era um escritor. Ponderei que essas coisas quem sabe melhor é padre.; de preferência padre velho, que já ouviu muita história, sabe dar conselho. Disse que não; que padre, ela já sabe o que padre vai dizer, de maneira que não adianta; "não gosto de padres".
    - Mas você não é católica?
   Era, mas não gostava de padres Isto é, conheceu um padre que era formidável, aliás, era um frade. "Qual a diferença?" Dei uma reposta vaga, ela fez "ahn... " e virou-se, ergueu uma longa perna no ar, em um movimento perfeito: "Preciso voltar a fazer ballet, eu ando muito preguiçosa".
  Depois, com o olho triste, confessou que às vezes danava a pensar no futuro, tinha medo. Notei:
  - "Pensava no futuro e tinha medo." Isto é um verso de Augusto dos Anjos, você disse quase igual.
  Ficou encantada em ter dito uma coisa parecida com o verso de um poeta; pensei em dizer que ela fazia poesia como monsieur Jordan fazia prosa, mas a citação era muito trivial e, no caso, daria muito trabalho explicar. Agora ela estava deitada com as mãos atrás da cabeça (os seios quase sumiam) e erguendo as pernas fazia flexões de joelho, perfeitas.
    - Quanto livro você tem aí! Eu sou tão ignorante! Precisava ler muitos livros.
   Ergueu-se tirou um livro da estante. Era Soviet Economic Aid, de Berliner. Pegou outro, era O Fantasma da Inflação, de Humberto Bastos.
    Olhou as capas, comentou apenas:
    -Eu sou burra...
    - Porque você usa esse penteado assim?
   Então ela confessou que tinha a testa muito feia. aliás achava que tinha muitas coisas feias.
   - Eu sou cheia de complexos.
   Eu disse com severidade:
   -Você devia toda manhã agradecer a Deus, ajoelhada, tudo o que ele lhe deu.
    Ela riu, ensaiou uns passos de ballet, elevou no ar um pé nu:
   -A Deus ou ao Diabo?
   -Ao Diabo também.
   Sem interromper o exercício, ela me olhou de lado:
   -Você é gozado. 

(De: 200 Crônicas Escolhidas,Ed.Record 1975)
Ilustração: Óleo sobre tela de Irineu Alves- sem data.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Eu e os Poetas do Recife, Mauro Mota

 Quem encontrei na Praça do Sebo, no Recife?  Mauro Mota!
Vestindo, literalmente, a camisa da revitalização do lugar.  Poetas, eu penso, vivem assim noutra dimensão...

Confesso que só agora por causa do blog estou descobrindo esse autor que nasceu há 103 anos na cidade de Nazaré da Mata em Pernambuco.  Ele foi imortal da ABL, ocupante da cadeira 26 que hoje está com Marcos Vilaça.

Minha filha gentilmente me acompanhou  nesse passeio pelo circuito da poesia. Não lembro o que tinha nesse livro, então vou postar:



Diálogo Com Carlos Pena Filho No Primeiro Aniversário De Sua Partida do Recife

 - Carlos, foste há um ano?
-Nem me lembro!
Nesse julho de chuva não me fui.
Estou. Meu calendário é de setembro,
da mesa do "Savoy": Caio,Zé, Rui.

Das casuarinas lá na minha rua
13 de maio
- Carlos, de que mais?
- Da lagoa do carro

E o sangue e a tua 
ida (para onde?) que hoje um ano faz?

- o remo é azul, azul é o passaporte.
Vejo-me. Hoje me vi. Navego. Pára 
a canoa no Cais de Santa Rita.

-Quem morre no Recife engana a morte.
Se criei, no azul, os meus azuis, foi para
esta cidade que me ressuscita.

(Itinerário - 1975)

Já estive também com Antônio Maria,Chico Science e Manuel Bandeira.