sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Orgulho de Estar Na Rabeira, ou pernambucanidade inútil. Regina Porto


     
Pernambucanidade, orgulho de ser nordestino, Eu Amo Recife: todas são bem sucedidas campanhas  publicitárias com o objetivo de vender algum produto ou ideia. As três campanhas têm em comum o ufanismo e   nossa conhecida  mania de grandeza. Não vou me ater às questões de Marketing. Não é meu objetivo. Penso é no ufanismo: sempre utilizado, incentivado, quando há uma necessidade.   
     Vejo na imprensa local  uma preocupação enorme em destacar Pernambuco e não  considero isso incorreto.  Às vezes é engraçado  ler, por exemplo: ” Pernambucano  faz a travessia do canal da mancha  em 10 minutos”, aí vou ler a notícia completa e descubro que, nessa ocasião,  100 pessoas  fizeram o mesmo percurso em 9 minutos.  Para continuar a rir, procuro e não encontro a notícia nos jornais de maior porte . Quando muito, encontro, sem destaque algum,   que esse brasileiro (sim, pernambucano é brasileiro) foi o pior nadador e a competição não tem qualquer relevância no cenário mundial. Mas, no Recife esse pernambucano (sim, Pernambuco é o mundo) arrasou!  Mania de grandeza?  Sim.  Virou piada? Sim. Virou e não critico.  Ufanismo? Sim. Também não critico.  Só que ultimamente venho achando esse comportamento mais preocupante que criticável.   
      Orgulho  não é ruim, claro, mas a gente precisa usar com  moderação. Da forma como está,  embotando o senso crítico não leva a lugar algum. Ou melhor, leva para trás. Se não, vamos ver o que li recentemente nos três principais jornais do estado:  UFPE, fica entre as melhores universidades do país.   Sim, é um fato.  A divulgação do ranking das universidades brasileiras foi feita pelo MEC.   Essa notícia, aliás,  manchete, foi replicada pelas redes sociais e abriu sorrisos felizes.   Li a notícia completa no Estadão (SP) e lá verifiquei que a UFPE está em 43º lugar entre as 50 universidades, ou  seja, está na ponta final.  Li mais: na avaliação anterior a UFPE estava em 39º lugar, tendo, portando, caído 4 colocações.   Também caíram  a UNIFESP (2 colocações); PUC RS (1 colocação); UFF (2 colocações); UFSC (1 colocação).     
     Se a gente olha apenas parte do fato e comemora como se fosse a glória celestial,  age mais como um  conformado.   Sou aluna da UFPE  e diariamente vejo sua decadência.  Se lá está a ponta final  da decadência do ensino nacional, da falta de uma administração para a excelência, da acomodação cultural do servidor público, como poderá a universidade  estar entre as melhores do pais?  A resposta, qualquer um sabe e está contida no que os jornais informaram: entre as melhores porém na rabeira e com a maior queda entre as que caíram.  
     Seria o caso, então, de exalando pernambucanidade por todos os poros, bater  no peito e diante de um gaúcho, por exemplo, exaltar  a palavra MAIOR, da realista “maior” queda  entre as  que mais caíram?    Ninguém faria isso, claro. Exagerei, para insistir que nós de Pernambuco para o bem do próprio estado e, nesse caso, para o bem da UFPE devemos nos preocupar. Afinal nos CAIMOS no ranking.  No Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPE,  estão reunidos  8 cursos de graduação.        Apenas um deles, Administração,  divulga seu resultado do ENADE.   Os demais (alguns ainda não participam) omitem os resultados como se o fato de deixar os alunos desinformados mudasse o mau desempenho.  Por parte dos alunos, também não há interesse.  Qual a razão de preocupar-se com nota 2 (de 0 a 5), se a UFPE está entre as 50 melhores?  Na próxima avaliação a universidade poderá (esforça-se até)  deixar o  G50,  e aí?   que faremos com nossa pernambucanidade?
Nota: a USP, que lidera o ranking nacional, não consta entre as 50 melhores do mundo.


Veja a matéria:
As melhores universidades do país