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Atrás do Tronco, poema de Marina Colasanti

Toda  vez que o nome do meu pai ou essa expressão “meu pai” vem combinada com a palavra "guerra” uma alta palmeira cresce em mim e atrás do tronco há um homem escondido. Um homem escondido que pode ser um morto ou pode ser assassino um homem tão culto quanto oculto é seu destino. É o inimigo ali posto pela voz do meu pai quando lhe perguntei se havia matado muitos nas tantas guerras de que se orgulhava. Na guerra disse ele é impossível saber se o inimigo escondido atrás do tronco aquele em que adotamos em defesa e que não mais se vê está vivo está morto está ferido ou se sequer estava atrás do tronco. Em: Gargantas Abertas, Marina Colasanti, Ed. Rosso, 1998, pág.90