Vai, vez, um fim de tarde, saía eu com o Sung, para nosso passeio, que era o de não querer ir longe nem perto, mas buscar o certo no incerto, a tão bom esmo. Só me esquece a data. Cumprindo-nos, também, conferir as amendoeiras. Seria em março as frutinhas do verde já boladas? abril: as folhas birutas, com lustro sem murcho, dando ponto às sanguíneas e às amarelinhas de esmalte. Se em maio, aí que, por en-frequentam e se beliscam um isto de borboletas, quase límpidas, amadurecem as frutas, cheirando a pêssego e de que os morcegos ávidos? Talvez em junho, que as drupas caídas machucam-se ilegíveis roxos. Também julho, quando se colorem ainda mais as folhas, caducas, no enrolar-se, vistosas que nem as dos plátanos de Neuilly ou de San Miníato al Monte, e as amêndoas no chão são tantas? Seja em agosto - despojadas. Ou em setembro, a desfolha espalhando nas calçadas amena saropueira, em que feerem ainda árduos rubros. Sei não, sempre é tempo de amendo...
Ao chegar em casa para o almoço, encontrei um recado singular: uma leitora brasileira telefonara, de passagem por aqui, pedindo que eu mandasse tirar um gato de uma árvore, na Rua Honduras, em frente ao número 3805. Pensei tratar-se de uma confusão da empregada nova, que não entendera a mensagem, ou de um trote. Se fosse verdade, bem que daria uma crônica... À noite, de volta do trabalho, outro telefonema: era Neide, da Tijuca, que viera visitar um amigo argentino e regressava na madrugada seguinte para o Rio. Notara, há três dias, a presença de um gato na cima da árvore plantada diante da casa em que se hospedava, e não sabia como ajudá-lo, pois o bichinho, que miava desconsoladamente, parecia temeroso de pular. Acudira a um veterinário do bairro, que a aconselhou a chamar os bombeiros, estes a encaminharam à Sociedade Protetora dos Animais, cujo telefone não atendia. Aí lembrara-se de mim e das crônicas em que costumo proclamar meu encantamento pelos felinos; estivera até n...