Meu São João, meu São Joãozinho! Quanto amô, quanto carinho, Quanto afiado e padrinho Nesta terra brasilêra Não tem a gente arranjado, No quilaro abençoado, Tão belo e tão respeitado, Da sua foguêra. Meu querido e nobre santo, Que a gente qué e ama tanto, Sua foguêra é o encanto Da gente do meu sertão. Não pode sê carculada A porva que vai queimada Nessas noite festejada Da foguêra de São João. Quantos véio bacamarte Virge, que nunca fez arte, Não tão guardado de parte, Com amô e devoção, Mode o povo sertanejo Com eles fazê trovejo, No mais alegre festejo Da foguêra de São João! Pois quarqué arma ferina, Bacamarte ou lazarina, Já criminosa, assarsina, Como é a do caçadô, Não tem a capacidade De atirá com liberdade Na santa quilaridade Desta foguêra de amô. Meu São João! Meu bom São João! Santo do meu coração, Repare e preste tenção Quanto é lindo o seu festejo. Repare lá do infinito Como isto tudo é bonito, Sempre digo e tenho dito Que o senhor é sertanejo! O homem pode sê ruim E tê ma...
Domingo, à tarde, na forma do antigo costume, eu ia ver os bichos do Parque Municipal (cansado de lidar com gente nos outros dias da semana), quando avistei grande multidão parada na avenida Afonso Pena. Meu primeiro pensamento foi continuar no bonde; o segundo foi descer e perguntar as causas da aglomeração. Desci, e soube que toda aquela gente estava acompanhando, pelo telefone, o jogo dos mineiros na capital do país. Onze mineiros batiam bola no Rio de Janeiro; dois mil mineiros escutavam, em Belo Horizonte, o eco longínquo dessa bola e experimentavam uma patriótica emoção. Quando chegou a notícia da vitória dos nossos patrícios, depois de encerrado o expediente, isto é, depois de terminado o segundo tempo, vi, claramente visto, chapéus de palha que subiam para o ar e não voltavam, adjetivos que se chocavam no espaço com explosões inglesas de entusiasmo, botões que se desprendiam dos paletós, lenços que palpitavam como asas, enquanto ga...