O presidente da república tinha acabado de discursar quando recebi a notícia de minha morte. Eu estava na cerimônia de inauguração do Instituto Moreira Salles e vi Marcos Sá Corrêa vindo em minha direção com o cabelo molhado de quem saiu do banho às pressas e a cara de quem estava vendo fantasma. De fato, eram as duas coisas. Viera cor-rendo de casa, ali perto, para me avisar que infelizmente eu tinha morrido. Acho que cheguei a esbo-çar um ar compungido ao ouvir o relato e devo ter dito que o falecido era um cara legal. O boato fora divulgado na Internet, on-line, pela Agência Estado, que se baseara no telefonema que um repórter deu para um antigo número meu: 267-0415. Quem atendeu disse que eu morrera num desastre de carro na Lagoa. O próprio repórter me contou depois: "a mulher deve ser uma louca, porque me atendeu chorando, dando detalhes de sua morte e dizendo que trabalhava com a familia há 14 anos: 'coitada da Mary, dos filhos', chegou a d...
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