Não sou fã de azul. Só do céu. de preferência como pano de fundo de uma frondosa bananeira, de uma mangueira, de pitangueiras ou jabuticabeiras. Por trás da montanha, enquadrando a paisagem bucólica, contrastando com um flamboyant. Não há rosas azuis. Nem tulipas. Nem comidas, nem bebidas. Fruta tropical não se passa por azul, nem mesmo mirtilo que e roxo e europeu. A baleia azul, não o é… Tampouco é o blue cheese. Azul, pra mim é cor triste. Não sou a única. Picasso triste é azul. No Irã é a cor do luto. É a cor do nada, na televisão. Indefinível, precisa de companhia para existir: azul-bebê, marinho, celeste, anil, cobalto, ardósia, petróleo, meia-noite, piscina, turquesa. Em inglês, significa tristeza. Are you feeling blue? “Não. Não estou triste, estou verde e amarela!” Em: À Meia Voz , Ladyce West 2020, pág.22
Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos docesEstendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos a...