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Canção da Rosa de Pedra, poema de Zila Mamede

Essa, a rosa da promessa da noite do nosso amor, murcha rosa indiferente, sem alma, escassa de olor? Por que essa rosa de pedra, o meu presente nupcial? – Pantanosa flor de lama gerada em brisas de sal. O riso da minha infância, gritam-no abismos de sangue onde boia impura, incauta, flor de pedra, flor de mangue. A vã promessa incumprida na noite do nosso amor repousa em praias de sombra navega em mares de dor. Sobre a autora: 1928-1985 - Nasceu na Paraíba mas está mais ligada às letras e à cultura do Rio Grande do Norte, onde viveu a maior parte de sua vida e onde o mar a levou para sempre. O  poema Elegia,  incluído na presente seleção, é como um prenúncio de seu destino.  Formada em biblioteconomia, tendo exercido cargos de importância no Instituto Nacional do Livro (em Brasília) e como diretora da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Seus principais livros:  Rosa de Pedra  (1953),  Salinas  (1958),  O Arado...
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Poemas da M.P.B: Se Avexe Não, Accioly Neto

Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, coisa boa é namorar Se avexe não Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada Se avexe não A lagarta rasteja até o dia em que cria asas Se avexe não Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa Se avexe não Amanhã ela para na porta da sua casa Se avexe não Toda caminhada começa no primeiro passo A natureza não tem pressa, segue seu compasso Inexoravelmente chega lá Se avexe não Observe quem vai subindo a ladeira Seja princesa ou seja lavadeira Pra ir mais alto, vai ter que suar Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, coisa boa é namorar Se avexe não Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada Se avexe não A lagarta rasteja até o dia em que cria asas Se avexe não Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa Se avexe não Amanhã ela para na porta da sua casa Se avexe não Toda caminhada começa no primeiro passo A natureza não tem pressa, segue seu compasso Inexoravelmente chega lá Se avexe não Observe quem vai subindo a...

Assim Começa o Livro Que Eu Comecei: Ópera dos Mortos, Autran Dourado

O Sobrado O senhor querendo saber, primeiro veja: Ali naquela casa de muitas janelas de bandeiras coloridas vivia Rosalina. Casa de gente de casta, segundo eles antigamente. Ainda conserva a imponência e o porte senhorial, o ar solarengo que o tempo de todo não comeu. As cores das janelas e da porta estão lavadas de velhas, o reboco caído em alguns trechos como grandes placas de ferida mostra mesmo as pedras e os tijolos e as taipas de sua carne e ossos, feitos para durar toda a vida; vidros quebrados nas vidraças, resultado do ataque da meninada nos dias de reinação, quando vinham provocar Rosalina (não de propósito e ruindade, mais sem que fazer de menino), escondida detrás das cortinas e reposteiros; nos peitoris das sacadas de ferro rendilhado formando flores estilizadas, setas, volutas, esses e gregas, faltam muitas das pinhas de cristal facetado cor de vinho que arrematavam nas cantoneiras a leveza daqueles balcões. O senhor atente depois para o velho sobrado com a memória, com o...

Quero Pedir Desculpas A Todas As Mulheres, poema de Rupi Kaur

quero pedir desculpas a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas fico triste por ter falado como se algo tão simples como aquilo que nasceu com você fosse seu maior orgulho quando seu espírito já despedaçou montanhas de agora em diante dizer coisas como você é forte ou você é incrível não porque não te ache bonita mas porque você é muito mais do que isso. Rupi Kaur : poetisa contemporânea indiano-canadense, autora de: Outros Jeitos de Usar a Boca Imagem: Dança, Portinari

Cansaço, conto de Ednice Peixoto

      Joga o sapato e se perde. O cansaço impregna até o ar que respira. A toalha molhada lhe enxuga o corpo aquecendo as lágrimas que durante todo o dia conteve. Nua e descalça estira a alma na cama. Fecha os olhos, abrindo-se para um mar calmo, nuvens ao longe, gaivotas pousando sobre um passadiço de navio que somente sua imaginação vê. Besteira. De repente, sobressaltada, pula da cama. Abre a bolsa, tira a chave. Abre a vida e se joga. Em: Vidas de Algodão, Ednice Peixoto.

Assim Termina O Livro Que Eu Terminei: O Silêncio de Kazuki, André Kondo

...Minha irmã, ela  é a melhor parte da minha infância, minha cúmplice que me ajudave quando meu pai me deixava de castigo, levando comida e mimos para mim. Ela me ajudou a relembrar muitas coisas para este livro. Ela também possui algumas mágoas com o pai, mas estas, deixei em silêncio. O importante é que o amor é sempre maior.      O Fábio, que nos  emprestou o carro e sempre nos apoiou.      A família toda do meu pai. Apesar de certa distância nos relatos, o fato é que tive os melhores primos, Kooji, Tiemi, Saori... E as irmãs do meu pai, Mimi e Eiko, sempre me acolheram em tantas e tants vezes, inclusive quando meus pais estavam no Japão. Na verdade, se falo que meu pais de certa forma cuidou de meus primos, minhas tias cuidaram da minha irmã e de mim também. ( O autor finaliza o livro com longo e carinhoso agradecimento a familiares e amigos, cujas razões o leitor vai vendo no decorrer da leitura do livro) O Silênio de Kazuki: Qual é a distân...

Chuvas de Março, soneto de Luciano Maia

O arco da chuva disparou mil flechas de água sobre a caatinga de um tom gris. E o camponês ouvir ir pelas frestas da janela a canção - tarde feliz! O seu tosco aposento esguia réstia de lua, vinda a noite, também quis saudar e àquela alma tão modesta mas de crença e virtude as mais sutis. O arco da chuva, nos seguintes dias retesado, outras vezes enviou flechas de água, de verdes e alegrias. E o campônio outra vez o chão lavrou e as suas mãos calosas e vazia o céu daquele março abençoou. Em: Dunas, Livo de sonetos. Luciano Maia. academia Cearence de Letras 1984, pág.180