Na minha oração era você meu sujeito, meu predicado predileto. Onde eu, você e nós éramos além de pronomes. Mal sabia que, talvez o amor fosse apenas um objeto, direto. E eu no singular, pensando no plural, Acabei me tornando um mero sujeito oculto… Faltou concordância e não era nominal. Fui julgado, conjugado de forma errada, Me perdi no tempo, tornei-me passado, mais que imperfeito, faltaram verbos. E no futuro do pretérito havia um indicativo, um problema que talvez, não fosse simples, Composto talvez. E vendo aquele caos difícil de entender, na última lição de casa o verbo amar, decidiu me ensinar a conjugação do esquecer. Em: Leia Um Café e Tome Uma Poesia
Meu irmão chegou em casa com um embrulhão. Gritou da porta: – Pacote da tia Brunilda! Todo mundo correu, minha irmã falou: – Olha como vem coisa. Rebentaram o barbante, rasgaram o papel, tudo se espalhou na mesa. Aí foi aquela confusão: – O vestido vermelho é meu. – Ih, que colar bacana! Vai combinar com o meu suéter. – Vê se veio alguma camisa do tio Júlio pra mim. – Que sapato alinhado, tá com jeito de ser meu número. Eu fico boba de ver como a tia Brunilda compra roupa. Compra e enjoa. Enjoa tudo: vestido, bolsa, sapato, blusa. Usa três, quatro vezes e pronto: enjoa. Outro dia eu perguntei: – Se ela enjoa tão depressa, pra que ela compra tanto? É pra poder enjoar mais? Ninguém me deu bola. Não parava de sair coisa do pacot...