Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar E essas coisas que diz toda mulher Diz que está me esperando pr'o jantar E me beija com a boca de café Todo dia eu só penso em poder parar Meio-dia eu só penso em dizer não Depois penso na vida pra levar E me calo com a boca de feijão Seis da tarde como era de se esperar Ela pega e me espera no portão Diz que está muito louca pra beijar E me beija com a boca de paixão Toda noite ela diz pr'eu não me afastar Meia-noite ela jura eterno amor E me aperta pr'eu quase sufocar E me morde com a boca de pavor Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar E essas coisas que diz toda mulher Diz que está me esperando pr'o jantar E me beija com a boca de café Todo dia eu só penso em...
Abril, se a flor se abrir esplendorosa sob o constante ou intermitente gume do sol, se o dia que as delícias goza da flor o seu mistério e o seu perfume trouxer a cor de mais nuançada rosa se a alegria acender, enfim, seu lume se a paixão for cantada em verso e prosa e se o luar - como antes, de constume- voltar a sua face e o seu fulgor aos namorados, como antigamente eu cantaria ainda aquele amor e confessá-lo-ia intimamente ao teu ouvido... Seja como for abril se abriu de novo, abril não mente. Em: Dunas, livro de sonetos, Luciano Maia, Academia Cearense de Letrs 1984, pág. 181