Lembra como éramos? Viajávamos para a praia em sete pessoas num carro pequeno. No banco da frente, o pai sem cinto de segurança. Ao seu lado, a mãe segurando no colo o irmão mais novo que, por sua vez, segurava um cachorro. Obviamente, todos sem cinto. Em trajetos mais curtos, quando éramos muitos, um ou outro embarcava no porta-malas. Ou na moto sem capacete. Ou de pé na carroceria da camionete, rolando soltos lá atrás feito melancias. Os pequenos fumavam cigarros de chocolate. Os adultos, de nicotina. Em restaurantes, escritórios, aviões. Cheguei a pegar um elevador em que havia um cinzeiro. Fiquei sabendo de um ginecologista que não largava o cigarro nem para examinar as pacientes. As pernas abertas, ele apoiando o cigarrinho num canto, a baforada quase entrando na vagina. Refrigerante era água. Como meu pai tinha um restaurante, já dávamos largada com Fanta sabor laranja no café da manhã. Quando minha mãe resolvia ser saudável, servia Tang. Não era só na minha casa: festa de cr...
Como se fosse numa tela De Marie Laurencin, O que se vê são seus olhos De animalzinho atento. Tudo é tão atmosfera, O gesto, a cor, o movimento Que se supõe seja ela Uma inventiva do vento. Talvez não esteja pronta… Porém, em tanto mutar, Tem aqueles olhos graves E os seios bem no lugar. Em:Mário Quintana, seleção de Fausto Cunha Ed.Global 2006 pág.54 Imagem: A Journey for Love, the japan times. Museu de arte da prefeitura da nagasaki