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Fada da Rua Favorita, soneto de Luciano Maia


antes que a noite finde e se conclua
o derradeiro gesto do luar
ainda se vesta de mistério e lua
o seu corpo de enigmas sem par.
Seu gesto com aquele compactua
e um fascínio de lua, singular
cai sobre as pedras toscas desta rua
a favorita rua do meu bar.
Quem lhe dará o bem que ela lhe quer?
Quem das perdas de noite se ressarce
nas dádivas de amor dessa mulher?
Se o seu gesto é sem medo e sem disfarce
e se a paixão do mundo ela souber
quem saberá por ela apaixonar-se?


Em: Dunas, livro de sonetos, Luciano Maia, Academia Cearense de Letras 1984, pág.81

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