terça-feira, 17 de maio de 2016

Zelos,José de Alencar


Tenho ciúme
Ciume,Edvard Munch 
Do ar que gira
E que respira
O teu perfume.
Tenho ciúme
Da luz que bebe
Nos olhos d'Hebe
O brando lume.
Tenho ciúme
Desse retiro
Que ouve o suspiro
Do teu queixume.
Tenho ciúme
Da flor, senhora,
Que em ti adora
Celeste nume.
Tenho ciúme
De quanto existe
Que me fez triste
E me consome.



Cidade do Rio, 25 de fevereiro de 1889.
Fonte: www.antoniomiranda.com.br
Imagem: Ciume -1934/35 Óleo sobre tela 78x117cm, Munch musset, Oslo